Açúcar e cafeína: vilões ou aliados da alimentação saudável?

O açúcar é um ingrediente que não falta na cozinha do brasileiro, assim como o Café, que é a segunda bebida mais consumida no Brasil, perdendo apenas para a água.

Por: Monalisa Mendes

Muita vezes o hábito de consumir alimentos açucarados vem desde a infância.

Ele é uma das mercadorias que movimentou o comércio global durante séculos, a sua origem, está nas explorações. Foi produzido em larga escala nas mais variadas colônias. Durante décadas, este produto foi apreciado por aqueles que tinham melhor condição financeira, mas nos dias de hoje, é encontrado em qualquer supermercado.

Por outro lado, seu consumo excessivo preocupa a saúde pública. Por trás dessa especiaria, existe uma indústria que por muito tempo tentou esconder os seus malefícios. Conforme o contexto parece que estamos falando sobre o tabaco, mas não, refiro-me ao Açúcar.

Nos dias de hoje dificilmente conseguimos imaginar uma alimentação sem ele, mesmo não sendo algo essencial para o nosso metabolismo. Na prática, o nosso corpo não precisa da sacarose (nome cientifico dado para o açúcar refinado), mas sim da glicose, que é essencial para o funcionamento do cérebro.

Em 2021, o relatório da federação internacional de diabetes (IDF) revela que o número de pessoas com a doença aumentou em 74 milhões, totalizando 537 milhões de adultos diabéticos no mundo. Já no Brasil, os dados mais recentes revelam que o país ocupa a sexta posição no ranking de países com maior incidência de casos da diabetes Mellitus tipo II, principal doença provocada pelo alto consumo de açúcar a longo prazo.

Um estilo de vida saudável é o melhor aliado contra a doença.

Devo parar de consumir?

Não é exatamente assim. Primeiramente, as complicações de saúde se aplicam aos açúcares adicionados ou conservantes. Segundo a nutricionista clínica Layane Carine, tudo em excesso faz mal, e no que diz respeito à alimentação não poderia ser diferente. De todo modo, não é recomendado uma mudança radical, mas sim diminuir a adição, bem como reduzir o consumo de alimentos industrializados ricos em açúcar.

“Além de controlar o consumo do açúcar, a combinação de uma boa ingestão de fibras na dieta e a prática de exercícios físicos evita os temidos picos da glicemia”, ressalta a nutricionista.

Uma boa maneira de mudar a rotina é consumir alimentos que contêm o açúcar natural, como frutas, cereais, legumes, leites e derivados.

A costureira Francisca Ferreira afirma que não gosta muito de doces, mas sabe a importância da glicose para uma dieta balanceada. “Procuro não consumir açúcar refinado e nem adoçante. Prefiro adoçar bolos, e até o meu café com mel, acho uma alternativa saudável e acessível”, conta.

Ao contrário do que muitos pensam, uma dieta livre de açúcares não tem potencial para causar problemas maiores, já que o composto é encontrado em diferentes formas nos mais variados alimentos.

A quantidade certa

Não há níveis seguros para o consumo, mas ainda assim a melhor forma de consumir o açúcar é manter uma dieta equilibrada. Afinal, o problema do açúcar não está nas colheradas, mas sim por ser um conservante presente em quase todos os alimentos, mesmo que de maneira disfarçada.

Por ser um potente conservante, o açúcar é encontrado de outras formas nos alimentos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a redução pela metade a quantidade de açúcar adicionado em sua dieta, a fim de combater a obesidade, a cárie dentária e a diabetes.

Também é recomendado consultar os rótulos para não exceder o limite diário recomendável, já que grande parte dos açúcares consumidos por nós está presente em outros componentes que passam despercebidos, como xarope de milho, xarope de malte, e a maltodextrina.

E a cafeína?

Todo mundo gosta de tomar aquele café quentinho, seja na primeira refeição da manhã ou qualquer outra hora do dia. Mas pouco se é lembrado que o excesso dessa substância também pode trazer complicações.

Reprodução: freepik

Para aqueles que possuem uma rotina agitada e precisam de energia, a cafeína é uma aliada. É o caso do sonoplasta Gilberto Rocha, que até 2009 não tomava café, mas começou com a influência de amigos e acabou se tornando um apreciador da bebida.

“Durante o dia, costumo tomar de dez ou até mais xícaras, pelo menos para mim, não faz mal”, afirma.

São raros os casos, mas já foram registradas mortes pelo excesso da bebida. Em janeiro deste ano, um Personal Trainner britânico teve uma overdose após acidentalmente errar a medida do pó de café enquanto preparava uma mistura pré-treino. Na sua autópsia foi identificada uma quantidade equivalente a 200 xícaras da substância. Mas este não é o único exemplo, em 2016, o Japão registrou sua primeira morte relacionada ao estimulante.

Excessos

A nutricionista Layane reforça que qualquer bebida que contenha cafeína na sua composição, precisa ser administrada com cautela, principalmente energéticos.

“A cafeína por ser um estimulante do sistema nervoso central, que ao ser consumido em excesso pode ocasionar sintomas como taquicardia, problemas gastrointestinais e insônia” .

Porém, o sinal é de alerta caso seja notado sintomas como dores de cabeça, tontura e vômito devido a ausência do consumo, o ideal é procurar ajuda de um profissional de saúde, uma vez que abstinência de cafeína é considerada potencialmente perigosa.

A quantidade ideal

Não é tão fácil definir uma quantidade ideal, visto que cada pessoa possui uma sensibilidade maior ou menor para os efeitos da substância. Entretanto, com exceção de energéticos e da cafeína pura, a recomendação do ministério da saúde é que a dosagem não ultrapasse seis miligramas por kg do peso corporal. Já a OMS recomenda a ingestão máxima de 200/MG por dia.

Lembrando que, se você aprecia e costuma consumir duas ou três xícaras de café por dia, ou sentir aquela vontade de comer um docinho, não há problema. Dietas restritivas não são aliadas de um estilo de vida saudável, e tal restrição muitas vezes leva a compulsão alimentar ou outros distúrbios, como bulimia e anorexia. A forma que a comida é abordada chega a ser mais importante do que o seu consumo, o equilíbrio tem a ver com as necessidades do corpo, que devem ser respeitadas a sua individualidade.

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