O fim de uma relação amorosa pode trazer diversos impactos emocionais

De acordo com especialistas, para algumas pessoas, o fim de um relacionamento é uma das experiências mais dolorosas da vida.

Por: Ravel Santos

Após o término de um relacionamento afetivo, são comuns os sentimentos de tristeza, ansiedade, mágoa e incompreensão entre as pessoas envolvidas. No entanto, além dessas emoções naturais sentidas no momento, o fim de uma relação pode despertar sintomas depressivos nos indivíduos em casos mais sérios.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 5% (em torno de 300 milhões de pessoas) da população mundial adulta sofre de depressão, sendo a separação conjugal uma das dez principais causas da doença.

Em situações de perdas e rompimentos, o cérebro humano passa por um processo de redução de produtividade, o que deixa o indivíduo mais fragilizado. Segundo o psicólogo teresinense Fábio Calado, durante esse período, é comum que muitas pessoas desenvolvam transtornos psicológicos e emocionais.

 “A pessoa e o seu cérebro passam por algumas alterações. A parte cognitiva, que corresponde à parte mental, e as funções executivas do cérebro- a memória e atenção- ficam limitadas. Quando você retém uma lembrança, mexe bastante com as funções cognitivas. Por isso é comum que as pessoas fiquem mais desatentas, com a memória curta ou com dificuldades para dormir quando passam por situações como essa”, afirma.

Os términos geram uma grande angústia ao cérebro humano.

Fábio destaca ainda a diferença entre a depressão e os sentimentos de tristeza comuns após o fim de uma relação. “Sintomas de tristeza e depressão são diferentes. Quando uma pessoa termina um relacionamento, ela não está depressiva, ela está triste pela questão da perda. Alguém depressivo perde as vontades naturais da vida independentemente da situação. Mas um caso de tristeza excessiva por uma perda ou rompimento pode sim levar a um quadro de depressão”, acrescenta.

A vivência do luto

O pós-término, assim como qualquer outro momento de perda, é um período de bastante impacto no emocional de quem está passando pela situação. Segundo a Psicologia, existem dois tipos de lutos, o primário; dor da perda pela morte, e o secundário; perda de bens materiais e fins de relacionamentos.

No luto secundário, especificamente em fins de namoros e casamentos ou outras relações afetivas, as pessoas passam por cinco fases do luto: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. A vivência dessas etapas pode ajudar na superação da dor sentida e evitar um possível quadro de depressão.

As cinco fases do luto definidas pela Psicologia/ Reprodução: Manual do Homem Moderno.

Para a professora escolar Dulcinete Passos, viver todas essas etapas do período de luto ajudou bastante após o fim do seu relacionamento de 18 anos. “Precisamos entender que tem um momento, um período de luto que precisa ser vivido. Eu acredito que com o fim, a gente fica prejudicada alguns meses, mas precisamos entender o fim e voltar à nossa vida. Não me arrependo de nada, tudo isso serviu como uma lição e um aprendizado”, diz.

Mudanças na rotina e o medo do futuro

Independentemente do tempo do relacionamento, um rompimento provoca mudanças na vida das duas pessoas, tanto nos hábitos quanto na rotina. A vida de ambos foi sendo moldada para que conseguissem viver juntos, e a separação implica em um novo planejamento. Para algumas pessoas, seguir em frente sem aquela companhia na qual já era um costume pode ser algo bastante complicado.

“Senti uma grade diferença na minha rotina, a gente conversava todos os dias, do bom dia até o boa noite. Os dias passavam e eu sentia um vazio, faltava alguma coisa para completar, aquele sentimento ruim. Passamos três anos juntos, é um sentimento que demora ir embora”, desabafa Marília Vieira, estudante de Pedagogia.

Com essas mudanças, as inseguranças e o medo do futuro também surgem naturalmente. Depois de dividir um tempo da sua vida e planejar um futuro com alguém, é comum que as expectativas para o futuro se tornem negativas. Esses sentimentos, muitas vezes, acabam impedindo a pessoa de se abrir para novas relações ou de tentar seguir em frente.


Muitas pessoas não conseguem seguir em frente após o fim da relação/ Reprodução: Priscila Barbosa-VivaBem.

A importância do apoio profissional

O sentimento de luto, perda e tristeza após o rompimento estará presente até mesmo em situações de maturidade, uma vez que estes são sentimentos naturais e comuns. Apesar disso, é importante ficar atento aos sintomas e buscar uma ajuda profissional caso haja uma evolução negativa do quadro emocional.

“Caso o indivíduo perceba que não vai conseguir superar sozinho, é importante que ele busque ajuda. As psicoterapias ajudam a elaborar esse fim do luto pelo relacionamento e a reforçar as estratégias de enfrentamento nesse momento delicado. Elas também ajudam a nos conhecermos melhor e dessa forma a gente aprende a se colocar mais em prioridade, como foco e não o outro”, afirma Layne Santos, psicóloga do Hospital Universitário de Teresina.

É importante entender também que cada um sente de uma forma e todos vivem um processo diferente. Assim, é essencial que não haja julgamento por parte das pessoas ao redor e, ao contrário disso, busquem apoiar quem está passando por esse momento.



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