Big Brother virtual

O desenvolvimento progressivo da tecnologia associado a superexposição

Por Nayara Fernandes

Uma pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC) aponta que 152 milhões de brasileiros possuem acesso à internet. Atualmente o número representa cerca de 81% de usuários, o que simboliza aumento de 6% da população desde 2019. De acordo com a pesquisa, tal crescimento é impulsionado pela classe econômica mais pobre derivada da pandemia do Covid-19. Isso se deve ao fato de que o uso dos meios digitais proporciona aproximação simultânea entre indivíduos, os quais as redes sociais potencializaram ainda mais vínculos em diversos aspectos. Vale ressaltar que tudo tem lado positivo e negativo, é necessário sempre que possível buscar um equilíbrio, as redes sociais também nos apresentam milhares de coisas boas e que nos ajudam a progredir.

Porém a necessidade de aceitação social causa a dependência dos mecanismos de rede utilizados para criar falsas imagens sociais, à medida que a coexistência, marcada pela globalização e avanço tecnológico, permite a reconfiguração das relações interpessoais no universo da internet. Nesse contexto, o processo de constante afirmação da imagem no meio virtual, onde o fenômeno da superexposição é caracterizado pelo exagero e o volume de detalhes distorcidos, é preocupante não somente pelos conteúdos publicados, mas principalmente pela expressiva vulnerabilidade emocional.

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UM MUNDO ENTRE QUATRO PPAREDES

“O ser humano é um ser social e tem uma necessidade natural de se conectar com o outro. Os adeptos aos meios digitais que quando passam a maior parte do dia nas redes sociais, deixando de viver em sociedade, pode se tornar um problema”, segundo Samia Grazielle, psicóloga clínica e especialista em educação. Teoricamente a midiatização tem como objetivo a interatividade, entretanto intrinsecamente reforça uma necessidade constante em receber atenção. À medida que a internet nos traz a falsa sensação de que somos popularmente importantes, sobretudo diante do número exacerbado de visualizações que recebemos em cada postagem. “Inspirar-se em pessoas é legal e necessário, porém quando são pessoas ‘virtuais’ é preciso mais cautela”, diz.

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A REALIDADE NÃO FAKE

As selfies cada vez mais perfeitas e, consequentemente, a ostentação de uma realidade pseudônima instigam o acúmulo de likes. Com isso, surge a teoria de comparação entre diferentes vivências, onde as pessoas alimentam o deslumbramento de uma vida perfeita e não conseguem perceber que tais postagens são imagens pelas quais nem sempre são reais. “Um erro bastante comum das pessoas quanto à superexposição nas redes sociais é divulgar lugares em tempo real. Mesmo que pareça tentador divulgar trabalhos, eventos e uma vida de muitas conquistas, é preciso pensar no bem-estar e segurança pessoal”, relata a miss simpatia Piauí 2021 Joana Millena. O uso das redes sociais pode chegar a criar sérias dependências com suas respectivas consequências: ansiedade, depressão, irritabilidade, isolamento, distanciamento da vida real e das relações familiares, perda de controle dentre outros. É fundamental que os usuários saibam limitar o tempo gasto na internet. Quando uma pessoa tem tendência a crises de ansiedade, o fato da blogueira não ter postado nada até metade do dia já traz angústia, uma pessoa não responder a mensagem que foi enviada é um gatilho para uma nova crise. 

Vale ressaltar que tudo tem lado positivo e negativo, é necessário sempre que possível buscar um equilíbrio. Para a influenciadora, o internauta precisa ter consciência do perigo pelas quais as redes podem causar se não forem usadas corretamente. “Uma compreensão dos malefícios desta auto exposição sem controle, ajudaria muito para que todos percebessem o perigo que a internet pode ter se não usada na medida certa”, conclui.

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