Distorção de imagem causada por filtros de redes sociais atingem jovens e adolescentes

Por Jordânia Carvalho

De acordo com uma estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica (SBCP), houve um aumento de 50% na busca por procedimentos estéticos no período de isolamento social derivado da pandemia da Covid-19, mas antes do isolamento a busca por uma aparência mais jovial e sem marcas de expressão já era alta. As redes sociais proporcionam essa “melhora” instantânea através dos filtros e o uso abusivo desse recurso tem gerado alguns problemas que na maioria dos casos inicia-se com a frustração, por não conseguir atingir o alto padrão imposto pela mídia. O fenômeno vem sendo chamado de disformia do Instagram. A cirurgiã dentista Geane Soares faz um apontamento interessante “Quem não gostaria de parecer melhor? Creio que a maioria de nós, mas precisamos ter o equilíbrio, autoconhecimento e nos aceitar da forma que somos”.

No Brasil o aplicativo é uma das redes sociais mais acessadas, sendo a participação de brasileiros maior que a média global. O compartilhamento de uma vida “perfeita”, se tornou muito popular nas mídia sociais, fotos cada vez mais elaboradas e carregadas com filtros.

Banalização das cirurgias plásticas (Foto: Reprodução Freepik)

Em uma pesquisa realizada em dezembro de 2020, pelo Projeto Dove pela Autoestima, aponta o impacto do uso das redes sociais e filtros na autoestima de meninas entre 10 e 17 anos nos Estados Unidos, Inglaterra e no Brasil. Cerca de 84% das jovens brasileiras com 13 anos já aplicaram um filtro ou usaram aplicativo para mudar a sua imagem em fotos. Além disso, 78% delas tendem a ocultar pelo menos alguma parte ou característica do corpo que não gostam antes de realizar a postagem.

Em uma entrevista com jovens com mais de vinte anos, uma afirmação se repetiu bastante, “enquanto existirem filtros, eu só vou ser feio(a) pessoalmente”. Alguns desses jovens relatam não postarem fotos sem edição/filtros a tanto tempo que não se lembram qual foi a última vez.

As redes sociais se tornaram uma vitrine na qual há várias informações que vão desde notícias até estilos de vida e nela as pessoas buscam sempre a sua melhor versão, dando impressão de um mundo sem defeitos e passam a usar essa vida “ideal” como um parâmetro para a sua vida virtual, estendendo-se para a vida real.

A psicoterapeuta, pós graduanda em Neuropsicologia, Luanna Borges relata que a cobrança pela perfeição e exposição passou a ser irreal, o usuário da rede social acaba escondendo seu eu verdadeiro e substitui por uma exposição que ele gostaria apenas de ser. Essa substituição vai trazer um efeito negativo sobre a sua autoestima juntamente com prejuízos emocionais. O uso dos filtros vira um problema quando o uso passa a ser abusivo, onde ele acaba se expandindo para a vida real; estudos mostram que os mais impactados são o público jovem e adolescente, sendo possível observar transtornos de personalidade, distúrbios alimentares ou até potencializar transtornos e problemas emocionais já existentes.

A cultura da magreza ganha destaque
(Foto: Reprodução Instagram Meandmyed.art)

A cirurgiã-dentista Geane Soares relata que vários pacientes já buscaram procedimento estético baseado em fotos com algum tipo de modificações realizadas por filtros. Ela relata que procura entender a queixa do paciente e que já chegou a diminuir expectativas do(a) paciente ao tentar se igualar a imagem tida como referência. “Mostro tudo de bom que ele(a) tem e suas principais características anatômicas que o deixam mais bonitos(as) por não serem iguais a ninguém.”

Alertas e Precauções

Com o conhecimento de que as redes sociais vêm impactando de forma bastante negativa e causando cada vez mais problemas em seus usuários devido ao seu uso abusivo, profissionais que realizam procedimentos estéticos, aconselham pacientes a buscar ajuda psicológica. A cirurgiã-dentista Geane Soares relata que “caso perceba que o nível de anseio já seja psicológico, aconselho a fazer terapias antes de qualquer procedimento estético”.

A psicoterapeuta Luanna Borges alerta que no caso dos adolescentes a orientação deve começar de casa, por parte de pais ou responsáveis, visando a observação e a finalidade para qual está sendo utilizada. Lembrando sempre de não invadir a privacidade, para que não gere conflitos que possam afetar ainda mais esses indivíduos.

Em entrevista grupal realizada com jovens, eles relatam o Feed das redes sociais cada vez mais parado, não por falta de conteúdo, mas por não se sentirem bem com a própria aparência, 50% dos entrevistados afirmam que já recorreram ao auxilio psicológico e que estão buscando melhorar a relação com o corpo. “Eu demorei muito tempo para perceber que a minha falta de vontade de postar, estava ligada a distúrbios que desenvolvi navegando nas redes. Eu espero que você que leu essa matéria e esteja passando por algo do tipo procure uma ajuda profissional”, relata um(a) dos(as) entrevistados(as).

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