A realidade do ingresso no ensino superior à distância em meio a pandemia: expectativas, dificuldades e frustrações

Por Rebeca Maria

O que você quer ser quando crescer? É uma pergunta frequente na vida de todos os jovens. O tão sonhado curso superior é um desejo cultivado desde muito antes do ensino médio. Afinal, quem não gostaria de estudar só disciplinas direcionadas ao que você gosta, ir a festas, participar de atividades práticas e ter ambientes próprios para os estudos como bibliotecas?

Essas expectativas são cultivadas também por algumas séries jovens que retratam o cotidiano de universitários.

Em Glee, a partir da quarta temporada os personagens estão se preparando para ingressar na universidade. Rachel Berry, por exemplo, descobre que precisa bem mais do que seu talento ao passar por dificuldades nas disciplinas e na relação com os professores. A parte cômica é por conta de Puck e Finn, com diferentes personagens que retratam as várias características do estudante universitário.

Já em Gossip Girl, assim como na maioria das séries norte americanas começa retratando o cotidiano no colegial e depois passa a mostrar a vida dos personagens pós formatura. Logo no início a série já retrata a expectativa nos personagens de ingressar em uma boa universidade. A personagem Blair, por exemplo, vive uma decepção por não conseguir a vaga em sua universidade dos sonhos, Yale. Mas logo se recupera e vive experiências únicas de amadurecimento, como no episódio em que dá uma festa para seus colegas na tentativa de socializar no novo ambiente.

A realidade universitária é bem diferente do que as séries jovens retratam, principalmente no cenário atual. Com a pandemia, os estudantes tiveram que lidar com suas expectativas quebradas e a realidade do ensino a distância, sem comemorações como típicos churrascos de aprovação, calouradas e também sem sentir o calor do contato humano em salas de aula presenciais.

A rotina de uma universitária: Na frente de uma tela. Rebeca Maria/ arquivo pessoal.

Primeiro contato com o sistema EAD

 “Foi difícil me matricular, tive dificuldades com o SIGAA. Eu estava apreensiva.” Diz Rebecca Vasconcelos, caloura do curso de Jornalismo na UFPI. Assim como as atividades educacionais, matrículas e outras obrigações burocráticas para ingressar no curso superior que costumavam ser presenciais passaram a ser online, alguns estudantes tiveram muita dificuldade por não terem familiaridade com o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas. “Outra coisa foi que eu demorei para entender como ler os horários.” Completa Rebecca Vasconcelos.

Não me sinto universitário!

 As expectativas com a Universidade eram tantas que alguns estudantes relataram ficar desmotivados com os estudos ao saber que iriam ter que ingressar com modalidade EAD.

“Senti falta da energia que a Universidade passa, daquele impacto de você estar passando pelo portal da UFPI e pensar: Nossa… Eu consegui, finalmente estou aqui!”, relatou João Pedro Soares, graduando em Ciências da Computação na Universidade Federal.

Outros calouros sentiram falta principalmente de realizar atividades práticas oferecidas por seus cursos e conhecer presencialmente a Universidade.

“Eu estava muito ansioso para conhecer meu campus, todos comentam muito sobre as atividades práticas que lá são realizadas. Não vejo a hora de poder visitar laboratórios no CCA.”, diz João Vitor Peres, estudante de Zootecnia na UFPI.

Trote do curso de Jornalismo 2019.2. Página do Instagram do Centro Acadêmico de Comunicação Social @cacosufpi.

E como é a relação à distância com os colegas de classe?

A maioria dos estudantes revela que apesar da distância, é possível construir laços com os colegas de classe.

“É uma relação diferente porque quase ninguém se conhece de fato, ou já se viu alguma vez. Porém é possível criar laços sim, eu diria que mais difícil, mas possível.”, relata Rebecca Vasconcelos.

Os estudantes utilizam de ferramentas de apoio como grupos no WhatsApp para se organizar em relação a trabalhos e até mesmo colocar a fofoca em dia.

“Já me adaptei e tenho minha própria panelinha, nós sempre nos ajudamos e trocamos experiências.”, diz João Pedro Soares.

Quando as aulas voltam?

A UFPI já retomou as aulas práticas de alguns cursos como Odontologia e Educação Física após aprovação de protocolos de segurança pela reitoria da Universidade, mas ainda não há data definida para o retorno das aulas teóricas e da rotina universitária presencial.

De acordo com Ricardo Alaggio, diretor de Gestão de Recursos da Pró-Reitoria de Planejamento, não há diretriz do Ministério da Educação para o retorno das aulas presenciais neste ano de 2021.

Sala de aula vazia na UFPI. Glória Santana/Arquivo pessoal.

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