Videogames: o mercado que não para de crescer

Indústria cresce durante a pandemia e fecha o ano com lucros acima do esperado.

Por Felipe Andrade

Imagem: Internet

2020 foi um ano complicado para a indústria do entretenimento. Com a pandemia de Covid-19, cinemas de todo o mundo tiveram suas salas fechadas durante a maior parte do ano e amarguraram seu pior desempenho de bilheteria em 40 anos. Do lado da música, shows foram cancelados e eventos tiveram que se adaptar. Já o streaming, cresceu como nunca. Mas, e quanto aos videogames?

A indústria dos games também foi afetada pela pandemia. A E3 (Eletronic Entertainment Expo), maior evento de games do mundo, foi cancelada. Outros eventos foram realizados de maneira 100% remota. Os desenvolvedores tiveram que trabalhar em home office e as vendas de jogos em mídia física tiveram a maior queda dos últimos anos. Porém, mesmo em meio ao cenário desfavorável, a indústria fechou o ano com lucro recorde.

Segundo o site financeiro MarketWatch, o mercado deve crescer 20% em 2020, arrecadando 179,7 bilhões de dólares. Já para o Newzoo, site especializado no mercado de games, o lucro no ano será em torno de 174,9 bilhões, superando a previsão anterior que era de 159,3 bilhões.

Os números podem parecer exagero, mas a crescente do mercado mobile vem fazendo toda a diferença. Com mais pessoas em casa e com mais tempo livre, o setor teve um aumento de 25% em relação a 2019. A chegada da nova geração de consoles é outro forte contribuinte. Playstation 5 e Xbox series X/S se mostraram um grande sucesso ao esgotar ainda em pré-venda.

Mas se engana quem pensa que esse resultado só foi possível devido à pandemia. Pesquisas anteriores já apontavam a crescente que o mercado vem tendo ao longo dos anos, como mostra o gráfico abaixo.

Dados: Newzoo

Com um crescimento médio de 10% ao ano, a indústria dos videogames é atualmente o maior segmento entretenimento, ultrapassando, em lucro, a indústria da música e do cinema. Só em 2019 os videogames lucraram três vezes mais que o cinema e a expectativa é que essa diferença continue aumentando nos próximos anos.

E o que poderia justificar esse crescimento?

O mercado mobile pode ser, talvez, o maior responsável. Cada vez mais usuários de tablets e smartphones estão usando seus aparelhos para jogar. Uma pesquisa da Game Brasil 2019 mostrou que 83% dos brasileiros donos de aparelhos moveis, utilizam os mesmos para jogar. Outra pesquisa feita em 2018, dessa vez pela NPD, levantou os mesmos dados com o público norte americano e chegou a 75% dos entrevistados. Para se ter uma melhor ideia do que esses números representam, em 2019 os jogos mobile arrecadaram 68,5 bilhões de dólares.

Outro fator que pode justificar esse crescimento é o amadurecimento do seu conteúdo. Se desvencilhando do estereótipo de produto infantil, mas sem esquecer do seu público infantil, os jogos passaram a ter tramas mais elaboradas. Cada vez mais pesados, sensíveis, comoventes e reflexivos os videogames foram atraindo um público que antes buscava essas sensações em outras mídias.

Os videogames no Brasil

Sede do maior evento de games da América Latina, a Brasil Game Show (BGS), o Brasil é o 13ª maior mercado de videogames do mundo. Os dados são do site Newzoo, o levantamento feito em 2019 mostra que existem 81,2 milhões de gamers no país, que geraram no ano 1,59 bilhões de dólares para a indústria. Assim como no resto do mundo o mercado mobile foi o mais lucrativo com 76,1 milhões de dólares, seguido pelos computadores com 41,7 milhões e por fim os consoles com 37,9 milhões.

Já em produção de jogos, o cenário brasileiro ainda não se compara ao internacional. O Ministério da Cultura publicou em 2018 o 2ª Censo da Industria Brasileira de Jogos Digitais. Segundo o documento, o país contava no ano com 276 empresas formais, sendo 79% delas microempresas, com renda anual de até 360 mil reais.

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