Adoção e abandono de animais domésticos aumentam durante a pandemia

Por Raissa Caroline e Yara Lays

Em seu abrigo, Fernando Machado esbanja alegria com um de seus dogs.
Em seu abrigo, Fernando Machado esbanja alegria com um de seus dogs. Foto: acervo pessoal do entrevistado

Os animais são considerados ótimas companhias para espantar a solidão. Por essa razão, durante o isolamento social decorrente da pandemia por covid-19, a procura por adoção de cães e gatos aumentou. Segundo ONGs e protetores de animais, houve um aumento de até 50% no número de adoções no período de quarentena.

Em contrapartida, o número de abandono animal também aumentou. E isso se deve ao fato de que muitas pessoas não se atentam para as responsabilidades que adotar um animal exige. Essa tendência de adoção e abandono foi percebida pelo protetor de animais Fernando Machado, responsável pela ONG “Lar do Nando”:

“Nesse período de pandemia, o abandono cresceu muito. Mas também houve muita adoção. As pessoas estavam dentro de casa e queriam um animal para cuidar. Então aí que estava o problema, porque a pessoa só queria durante aquele momento, de repente a vida dela era muito corrida ela não podia ter, mas como estava dentro de casa e não podia sair, queria uma companhia. E quando a vida voltar ao normal, será que ela vai continuar cuidando do animal? Então, até nisso precisa pensar bem.”

Em entrevista ao Luneta, a médica veterinária Larisy Barbosa, fala sobre as causas de abandono:

“Além de amor e brincadeira, os tutores têm que levar em conta, que assim como os humanos, os animais necessitam de cuidados para se manterem saudáveis e é isso que faz com que ocorra o abandono. Os animais adoecem, sofrem acidentes, precisam ser vacinados para prevenir doenças, não se tem em conta os custos que são gerados. Nós não temos um sistema gratuito de atendimento para os pets.”

Diante da ‘epidemia de abandono’ no período de quarentena, o Conselho Federal de Medicina Veterinária fez um alerta sobre a situação. Em publicação feita no site do CFMV, a médica-veterinária Kellen de Sousa Oliveira, presidente da comissão de bem-estar animal do CFMV, afirmou que os dois grandes motivos para a desistência das famílias quanto aos animais de estimação foram: a dificuldade financeira e o medo de que os animais pudessem ser transmissores do vírus.

ADOÇÃO

O advogado Thaynan Bezerra adotou um gatinho, após uma amiga divulgar em uma rede social a situação do animal: “eu já queria um gatinho, porque um outro faleceu tem pouco tempo, de velhice, e ela me deu para eu criar porque sabe que eu sou muito cuidadoso, que já tenho outros bichinhos e sempre cuidei deles.”

Sobre o abandono, ele comenta: “eu acho que é uma das maiores covardias que se pode fazer. Agora na quarentena eu fiquei muito sozinho, e o Snow é muito companheiro. É bom ter alguém pra cuidar, pra alimentar, e ainda é muito bebêzinho e precisa de cuidados, eu preciso ensinar ele onde fazer as necessidades, imagina ele sozinho?!”

Maely Cristina, de Curitiba, também comenta sobre a sua experiência de adotar um gatinho: “Quando eu olhei os olhinhos lindos do meu neném, peguei ele e adotei, o nome dele é Kira é um gato muito lindo e sapeca! Nossa, às vezes eu fico olhando para o Kira e pensando, como alguém pode fazer mal a algum bichinho! Eles só querem amar e serem amados, na minha opinião pessoas que fazem isso deve ter algum distúrbio mental, só pode! Não é uma pessoa normal! Como alguém não sente amor olhando pra isso?”

Kira, alegria da casa e filho de Maelly Cristina, como a dona de casa chama. Foto: acervo pessoal da entrevistada

Maus-tratos e abandono configuram crime

Abandonar ou maltratar animais é crime. Vale lembrar que uma nova legislação, sancionada em setembro, aumentou a pena de detenção que era de até um ano para até cinco anos para quem cometer este crime.

No entanto, como falta rigor na aplicação das leis que criminalizam os maus tratos contra animais, as próprias instituições governamentais acabam contribuindo para o aumento de animais abandonados já que não desenvolvem ações para dar assistência aos animais de rua bem como aos tutores que se encontram em condições de pobreza ou vulnerabilidade, além de não instituir medidas para estimular a adoção responsável.

Nesse contexto, os protetores de animais acabam exercendo o papel que o Poder Público não exerce ao resgatar esses animais e cuidar deles, e os encaminhar para adoção. Por isso, precisam muito do apoio dos cidadãos.

CUIDADORES INDEPENDENTES

Para a cuidadora independente, e responsável por um abrigo de animais, Poliana, o trabalho é difícil, falta apoio e estrutura, mas ela o faz com amor e garante acompanhar todos os animais que encaminha para adoção:

“O meu trabalho é resgatar os animais, cuido deles, e quando ele está saudável, encaminho para um lar seguro. E quando coloco para a adoção, deixo bem claro que vou fazer as visitas mensais, para saber como o animal está.”

O cuidador de animais, Fernando Machado, também relata algumas das dificuldades enfrentadas: “A principal dificuldade de todas as pessoas que cuidam de animais, que resgatam animais, creio que até também das ongs registradas, é a questão financeira. É a questão financeira que mais nos dificulta. Em alguns casos, no meu caso nem tanto porque eu tenho um abrigo, eu tenho um local para colocar os animais. Mas tem muita gente, muito protetor, que não tem o local. Então, essas são as duas principais dificuldades: a questão financeira e a questão do local para o animal ficar, que os protetores encontram.”

Animais do abrigo “Lar do Nando”. Foto: acervo pessoal do entrevistado

Instagram Lar do Nando

Saiba como denunciar maus-tratos ou crueldade contra animais

Caso você presencie maus-tratos a animais de quaisquer espécies, sejam domésticos, domesticados, silvestres ou exóticos, que se configura como abandono, envenenamento, ferir, mutilar, manter presos constantemente em correntes ou cordas muito curtas, manutenção em lugar anti-higiênico, mutilação, presos em espaço incompatível ao porte do animal ou em local sem iluminação e ventilação, utilização em shows que possam lhes causar lesão, pânico ou estresse, agressão física, exposição a esforço excessivo e animais debilitados (tração), rinhas, etc. –, vá à delegacia de polícia mais próxima para lavrar o Boletim de Ocorrência (BO), ou compareça à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente.

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988.

Telefones e endereços para denúncias:

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