Conheça a cena drag na noite teresinense

Drag Queens trazem o show e a beleza para a cena LGBTQIAP+

Cherry em show. Foto: arquivo pessoal.

Por muito tempo a arte drag foi vista como algo marginalizado por ser uma expressão cultural LGBTQIAP+ em que homens gays se vestem com acessórios femininos, usam maquiagem e colocam uma peruca para dar vida a uma personagem e sair durante a noite. Nos anos 1990, a drag queen americana RuPaul foi responsável por desmistificar esse estereótipo e introduzir a arte drag no grande público, após se tornar um fenômeno nos Estados Unidos e participar de inúmeros programas televisivos, filmes e lançar álbuns musicais que caíram na graça do público. Sua influência não ficou somente no território americano, e em 2009 com a criação do reality show de competição RuPauls Drag Race, a arte drag passou a ser consumida mundialmente. No Brasil, em 2017, o estouro da cantora e drag queen maranhense Pablo Vittar elevou a cena drag ao nível nacional e fortaleceu essa na sociedade brasileira.

Em decorrência dessa influência e crescimento ao longos dos anos, a noite teresinense começou a se desenvolver e atualmente ela ferve na cena drag. A abertura de bares, casas de show e eventos voltados para o público LGBTQIAP+ têm sido cada vez mais crescente. O publicitário e produtor Richard Henrique Félix trabalha há 8 anos como agitador cultural e é responsável por eventos, blocos e festas para essa comunidade e com seus anos de experiência, classifica a noite teresinense e a cena drag como uma das mais quentes e agitadas do nordeste.

“Ela tem um diferencial e isso vem dos movimentos drags que são muito fortes aqui. O Sintética, por exemplo, que é uma festa voltada para liberdade artística, assim como o Ruserva que conseguiu trazer uma grande diversidade e expressão cultural para a cena em Teresina.”

Richarr Félix. Foto: arquivo pessoal.

Eventos destinados para o público LGBTQIAP+ precisam ser assertivos e atender às expectativas sociais e culturais de uma comunidade que antes era carente de movimentos que ouvissem as suas demandas. A inserção de drags nesses espaços traz uma comunicação artística e expressiva grande para a noite teresinense: “É onde elas se tornam o centro das atrações e são o brilho, o glitter e a alegria da noite”, complementa Richard. Para ele, as drags trazem um toque especial, seja como djs, perfomers, apresentadoras e agitadoras culturais.

Richard Félix em um de seus eventos. Foto: arquivo pessoal.

Conheça Cherry, uma das revelações da cena drag

Pela vontade de fazer shows e dançar, Lucas Luz começou a fazer drag por diversão desde os seus 16 anos e aos poucos a Cherry nasceu e se tornou um papel sério na sua vida. Há cinco anos se transforma na Cherry e destaca que entrar na cena drag teresinense foi um processo gradativo e construído passo a passo.

Lucas Luz quando não está transformado na drag. Foto: arquivo pessoal.

“No começo foi difícil. Eu tinha a vontade mas não passava pela minha cabeça que uma drag de 16-17 anos poderia ter a mesma oportunidade de entrar numa balada e criar uma carreira em comparação a quem está trabalhando há mais tempo. Bastou eu atingir a maioridade e falar da minha vontade de participar da cena que passei a ter mais oportunidades, as drags mais experientes me ajudaram bastante no começo de tudo e abriram portas.”

Cherry antes de uma apresentação. Foto: arquivo pessoal.

Além da beleza e da animação, a drag queen tem o poder de trazer a tona discussões importantes, como questões de gênero e liberdade de ser e se expressar da maneira que você desejar. “A importância da drag é justamente trazer para o público uma mensagem que a liberdade é um quadro e somos nós que pintamos”, afirma Cherry. Para que essa mensagem tenha um grande alcance, a arte drag precisa ser compartilhada e bem remunerada.

“Eu sei que é difícil mudar a mente das pessoas mas compartilhar a arte drag é essencial para sermos reconhecidas de verdade e valorizadas, auem sabe um dia Drag seja considerado pela grande maioria como um trabalho como qualquer outro. E é aquilo, o que é o entretenimento e um palco sem uma drag em cima comandando o público”

Cherry durante seu show. Foto: arquivo pessoal.

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