Coronafobia: pessoas intensificam medos e desenvolvem pânico com chegada da pandemia

Por Ronney Oliveira e Wallace Iago

A pandemia da covid-19 é intensificador de problemas de saúde mental? Conforme pesquisadores, essa é uma realidade que atinge várias pessoas no mundo todo. O nível de transmissão do vírus, bem como o grandioso número de mortes diárias, são fatores que prejudicam o emocional das pessoas e acabam gerando medo excessivo ou pânico.

Pesquisadores nomearam a síndrome como coronafobia. A fobia  intensifica o medo e pânico das pessoas. Dentre os sintomas estão o medo de morte, de infectar outras pessoas, de ficar gravemente acometido e outros. A coronafobia, segundo especialistas, acaba sendo um agravante para crises de ansiedade e depressão. 

Em março de 2020, quando surgiram os primeiros casos da covid-19 no Brasil, a população de modo quase geral entrou em um pânico coletivo, e as medidas de isolamento social e a falta de conhecimento sobre o assunto geraram um medo que levou à população agir de maneira paranóica.

Com o início da vacinação esses problemas deixam de existir?

Ainda que com a vacinação já em andamento, os casos de coronafobia não deixam de aparecer e mesmo com a queda no número de casos de covid-19, nem todas as pessoas deixam de lados os cuidados excessivos, que por vezes que se transformam em transtornos de ansiedade.

Cícera Lima, aposentada, perdeu a memória com a Covid-19

Dona Cicera César Lima, de 69 anos, já foi vacinada com a duas doses do imunizante anti-covid-19, mas nem por isso deixou os cuidados, pelo contrário, eles foram dobrados.

Aposentada, cumpriu severamente o isolamento social durante a quarentena obrigatória, e em casos de extrema necessidade sempre saiu de casa portando álcool em gel e usando máscara de proteção. Em Abril deste ano ela foi contemplada com a primeira dose do imunizante, e quatro dias após a aplicação sentiu febre e, segundo ela, alucinações. Alguns dias se passaram e dona Cícera foi surpreendida com o diagnóstico positivo para a covid-19.

“Em questão de 5 ou 6 dias em fiquei em uma situação que perdi minha memória. Atingiu muito meu cérebro, eu não lembrava de nada, e fui até encontrada desacordada na minha casa.”

Dias após os primeiros sintomas, a aposentada precisou ser internada e ficou por 28 dias no hospital sob os cuidados médicos. Dona Cicera recebeu alta e após isso dobrou os cuidados, pois afirmou ter muito medo de ser infectada novamente. Atualmente, imunizada completamente, ela continua com todos os cuidados, permanece em isolamento social, e sai de casa em casos de necessidade, como por exemplo para cumprir as sessões de fisioterapia que precisa fazer neste período de pós infecção.

Ela afirmou que mesmo com as duas doses não confia que possa passar novamente pela situação. O medo não escolhe idade Os problemas na saúde mental não escolhem idade para agir, e até mesmo os mais novos desenvolvem fobias.

O medo não escolhe idade

Os problemas na saúde mental não escolhem idade para agir, e até mesmo os mais jovens desenvolvem fobias. Para alguns, o pânico em relação a covid-19 pode resultar na tomada de decisões extremas, como a saída de um emprego e até mesmo um distanciamento da família dentro da própria casa, é o que diz a estudante.

Érica Aguiar, de 26 anos, pediu demissão e vivia presa dentro do quarto

“Quando os números de covid cresceram, eu passei um tempo em pânico sem sair de casa, pedi demissão do emprego e fiquei de fato sem sair do meu quarto, higienizava as mãos a cada dez minutos, e tudo que chegava da rua eu precisava limpar com álcool, não recebia nenhum tipo de visita, não ficava próxima de ninguém, eu adotei medidas de restrição dentro da minha própria casa. Eu moro com a minha família, meu pai e minha irmã saíam pra trabalhar e eu ficava em casa com a minha mãe o dia inteiro, cada uma em um cômodo e a gente sempre mantendo esse distanciamento justamente por conta desse meu medo”, relatou a estudante.

Quais medidas podem ajudar?

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicaram um artigo falando a respeito dos casos de pessoas que desenvolveram pânicos e certos medos, e explicando como aparecem os sintomas. Além disso, sugeriram certos cuidados que podem ajudar. Confira aqui o artigo publicado!

“Ainda existem pessoas com cuidados excessivos, mesmo com a vacina”

O psicólogo Cornélio Santiago, da cidade de Teresina, confirmou que houve um aumento no número de pessoas que procuraram apoio psicológico no período de pandemia, e que isso ocorreu devido às medidas de isolamento.

Cornélio Santiago, psicólogo

“Claro que aumentou, porque as pessoas ficaram mais isoladas, mais reclusas, trancadas, se sentiram mais sozinhas, e vulneráveis ao vírus e medo de morrer, adoecer, ficar internado, a passar pelo processo de entubação, ficar em UTI, então todas essas possibilidades enchem as pessoas de medo”, disse.

Cornélio Santiago

Ele explicou que é normal que todas pessoas sintam medo, e que isso muitas vezes é uma forma de se defender. No entanto, afirmou que o quando o medo se torna mais intenso, é denominado pânico, e o pânico é o medo patológico.

Além disso, o psicólogo informou que isso está ligado também às personalidades do ser humano, e afirmou que mesmo com a vacinação é normal ver casos de pessoas que continuam com cuidados excessivos e até exagerados, e que a mudança nos hábitos acontece de maneira natural.

“Isso vai muito da característica pessoal e é até positivo esse cuidado mais excessivo porque realmente a pandemia pede isso. Só que existem exageros que não precisam, mas as pessoas vão começar a relaxar somente desses cuidados excessivos à medida que as notícias sobre a pandemia forem positivas”, finalizou o psicólogo.

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