Os Migrantes da UFPI

Os desafios de quem decide sair de casa em busca de um diploma

Matéria por: Matheus Barros

Todos os anos milhares de alunos vindos de outras cidades e estados ingressam na UFPI através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Esses jovens enfrentam diversos desafios por estarem saindo de casa e precisam lidar com a nova vida em uma cidade diferente.

Para João Jorge Vasconcelos, estudante de Medicina Veterinária, a escolha de ir para UFPI e morar em Teresina envolveu questões financeiras e disponibilidades de instituições de ensino superior em sua região.

Natural de Novo Oriente, no Ceará, Jorge Vasconcelos não pensou na UFPI como primeira opção. “Eu queria estudar. Lá na minha cidade, tem uma faculdade, só que ela é particular e oferece apenas dois cursos, psicologia e enfermagem. O meu plano era ficar lá, porque eu não ia ter muito gasto e ia poder trabalhar e estudar à noite”. Ele relata que não tinha condições financeiras para pagar as mensalidades, por isso precisou esperar o Prouni, do governo Federal, para conseguir uma bolsa, mas antes das inscrições iniciarem pensou em um plano B e tentou uma vaga em uma universidade federal pelo Sisu. “O Prouni é depois do Sisu, então eu tinha que ter um plano B, eu procurei um curso que eu não fosse passar de primeira, só para deixar na lista de espera.” A melhor escolha para ele era a cidade de Teresina, pois já tinha conhecidos com quem poderia morar. Jorge não foi aprovado na seleção do Prouni, mas garantiu uma vaga no curso de Medicina Veterinária na UFPI.

O processo de sair de casa para morar em outro lugar pode não ser fácil. Este é o caso de Emily Mota Araújo, também estudante de Medicina Veterinária na UFPI. Para ela a primeira opção sempre foi uma universidade federal. “Eu escolhi sair da minha cidade para cá(Teresina) porque meu sonho era passar em uma universidade federal e cursar Medicina Veterinária” Emily é da capital de São Paulo e veio para Teresina porque possui parentes no Piauí. “Saí da minha cidade porque na federal de lá não tem o curso que eu queria, que era medicina veterinária. E decidi vir para Teresina porque eu tenho família aqui, então eu ia ter um suporte financeiro e emocional.”

Ela conta que foi difícil o processo de adaptação com a nova cidade. “Eu tinha uma vida completamente diferente lá. Eu tive que pedir demissão e encerrar tudo o que eu tinha para poder me mudar, tudo isso aconteceu em três dias.” Para ela os principais desafios enfrentados estavam relacionados a moradia e transporte: “Eu não ia ficar em Teresina, ia morar em Altos, então era muito complicado para ir à universidade e isso também prejudicava no financeiro, porque era muito caro, por mais que eu tivesse família, todo dia eu tinha que ir e voltar para.”, finaliza.

Em 2020, no Brasil, existiam cerca de 250 campi de federais, no Piauí são apenas seis espalhados pelo estado, contando com a UFDPar (Universidade Federal do Delta do Parnaíba). Por isso, para aqueles que decidem ingressar na UFPI ou em qualquer universidade federal, é inevitável a necessidade de sair de casa para conquistar o tão sonhado diploma.

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