Da teoria a prática: a importância e os desafios do estágio durante a graduação

Para muitos uma experiência decisiva, para outros traumática

Por: Matheus Barros

Dentro das universidades é exigido que os alunos encarem o desafio de alinhar teoria e prática durante a graduação, por isso é necessário passar por um estágio. A função do estágio é oferecer, aos aprendizes, o conhecimento prático das funções profissionais. Ele possibilita, aos estudantes, um contato empírico com as matérias teóricas que lhes são passadas em sala de aula: resumindo, é o primeiro contato com o mercado de trabalho.

Muitos estudantes podem ter experiências positivas com a prática do estágio, como é o caso da estudante de pedagogia Alyssandra de Sá, que atuou como auxiliar em uma escola infantil: “minha experiência como auxiliar de turma foi um divisor de águas na minha futura profissão, como pedagoga. A experiência na sala de aula me possibilitou um melhor entendimento do espaço escolar, o contato com os alunos e a escola me fez enxergar ocupando esse espaço como professora.” Para ela, a experiência do estágio proporcionou um alinhamento entre o que era estudado na universidade e o que era feito na prática da sala de aula, “um como complemento do outro”, concluiu.

Em tempos de crises, os mesmos desafios enfrentados por trabalhadores efetivos  estão presentes na rotina de um jovem estagiário. Para Andrezza Pessoa, estudante de enfermagem que atua como cuidadora em uma escola, sua maior dificuldade é com o transporte. “Eu estou estagiando na escola municipal Governador Chagas Rodrigues lá na Santa Maria da Codip na zona norte, muito longe porque eu moro na zona sul, mas eu vou com mais duas amigas, aí a gente acaba dividindo e fica mais acessível. Mas fora isso é muito longe, às vezes fica quase não acessível, mas a gente dá um jeito aí acaba dando certo”. 

Andrezza Pessoa na escola onde estagia
(Foto: Arquivo Pessoal)

A LEI Nº 11.788 assegura direitos a esses jovens aprendizes para evitar abusos no trabalho, entre elas estão a determinação de uma jornada de trabalho de 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais; a oferta de instalações que tenham condições de proporcionar ao educando atividades de aprendizagem social, profissional e cultural; e indicar um funcionário com experiência profissional para orientar e supervisionar os estagiários.

Infelizmente é comum que essas determinações sejam quebradas, algumas empresas contratam estudantes como estagiários, mas atribuem a eles funções de funcionários efetivos. A intenção é economizar com o salário e negar direitos trabalhistas. 

Maria Luiza Costa foi vítima dessas ações em seu primeiro estágio. Estudante de jornalismo, ela trabalhou em um portal de notícias pequeno que, na época, havia acabado de ser criado. Ela relata que só havia dois funcionários e ambos eram contratados como estagiários: “era um lugar recente a gente não tinha nenhum jornalista que pudesse fiscalizar o que a gente fazia. Nós éramos os jornalistas”

Para ela, a experiência foi cheia de dificuldades e transtornos, pois não havia supervisor e o dono da empresa agia de forma abusiva: “a gente passou por algumas dificuldades na questão de não ter um acompanhamento, o dono não ouvia a gente e queria colocar a responsabilidade do que era postado em nós porque ele não era do meio jornalístico”. Ela ainda conta que sofreu abusos morais e que trabalhava em um ambiente insalubre: “acontecia de às vezes o nosso chefe gritar com a gente sem explicar” e completa “às vezes a gente não tinha água para beber porque lá não tinha filtro e não tinha possibilidade de usar o banheiro porque não tinha papel higiênico e éramos duas mulheres”, denunciou a estudante.

Muitos jovens acabam aceitando essas situações insalubres por priorizar a experiência, mas é preciso ficar atento com os limites para que o período do estágio contribua de forma positiva na construção do profissional e não seja apenas uma linha no currículo.

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