Os malefícios das drogas lícitas

Mesmo que legalizadas, substâncias como o álcool e o cigarro possuem um preço alto à saúde caso sejam consumidas em longo prazo

Texto por: Monalisa Mendes

A OMS não vê o consumo do álcool em si como um problema, mas considera que o uso excessivo pode se transformar em doenças.

O uso indevido de substâncias como álcool e cigarro constituem um verdadeiro problema de saúde pública.  A preocupação não é a toa: essas duas drogas lícitas são bastante nocivas ao nosso organismo.

A nutricionista Layane Carine deixa bem claro que não há um limite seguro para a ingestão de bebidas alcoólicas. Mesmo em pequenas doses, esse líquido ainda possui efeito psicotrópico, podendo provocar euforia e também diminuir as funções sensoriais.

Conforme dados do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), 55% dos brasileiros com mais de 18 anos de idade consomem bebidas alcoólicas, e um em cada três indivíduos costumam consumir semanalmente.

Os números são preocupantes, uma vez que o consumo excessivo de álcool está relacionado a mais de duzentos tipos de doenças, como a cirrose, câncer na boca, faringe e laringe, gastrite, entre outras.

“Aqueles que possuem gordura no fígado, ou predisposição genética devem evitar, pois as chances de desenvolver a cirrose, por exemplo, acabam sendo maiores”, reforça a nutricionista.

No entanto, quando se trata do cigarro, a situação pode se tornar pior. O tabaco possui relação direta com pelo menos 50 patologias, e segundo dados da OMS, a substância mata mais de oito milhões de pessoas a cada ano.

Porém, um detalhe chama atenção. Enquanto mais de sete milhões dessas mortes são resultado do uso direto do tabaco, cerca de 1,2 milhão são o resultado de não-fumantes expostos a fumaça.

Consumo excessivo de álcool

O alcoolismo é o nome dado para a condição de dependência do álcool, na qual o indivíduo faz uso abusivo de bebidas, o que pode ocasionar dependência física e emocional.

Os sintomas do vício são nítidos, e vão bem além da embriaguez. As pessoas dependentes do álcool geralmente apresentam os seguintes comportamentos:

Vale lembrar que a dependência do álcool pode ser tratada.

Mesmo com os sinais, para chegar a um diagnóstico efetivo, é necessário observar todo o contexto em que a pessoa está inserida, e caso seja comprovado que o consumo está sendo prejudicial, o ideal é procurar um profissional de saúde de confiança para realizar uma intervenção.

O que esperar da intervenção?

O tratamento contra o alcoolismo envolve três profissionais, um clínico geral, um psiquiatra e também um nutricionista. Cada especialista fica responsável por uma etapa do processo. O clínico geral fica encarregado da intervenção, do acompanhamento físico, e da prescrição de medicamentos, caso estes sejam necessários.

O acompanhamento psiquiátrico colabora de forma mais ampla do que podemos imaginar. A psiquiatra Daniela Mourao afirma que encontrar o gatilho que desencadeia o desejo pelo álcool é a peça chave para um tratamento de sucesso:

“O álcool é uma substância depressora que afeta o sistema nervoso central, então é essencial que o psiquiatra faça parte da intervenção para evitar problemas futuros causados pelo alcoolismo, como a depressão e o transtorno de ansiedade”.

O nutricionista também possui papel importante no processo reabilitatório. Uma boa alimentação combinada a uma rotina de exercícios físicos é capaz de eliminar a necessidade de consumir a bebida alcoólica, caso o tratamento seja respeitado em longo prazo.

E o tabagismo?

O tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

O tabagismo é o termo dado para a doença crônica causada pelo vício no cigarro ou qualquer substância que contenha o tabaco.

Em 2020, o último relatório da OMS contabilizou que o número de fumantes diminuiu em escala mundial. Conforme os dados, 1,3 bilhão de pessoas consumiam tabaco no mundo, cerca de 20 milhões a menos do que dois anos antes.

Essa diminuição indica que as campanhas antifumo estão direcionando as pessoas para um caminho saudável, mas ainda há muito investimento e políticas públicas a serem realizadas para atingir metas cada vez maiores que envolvam o controle do tabagismo.

Enfrentando a dependência

O primeiro passo para iniciar o tratamento, é reconhecer que precisa interromper o uso do cigarro.

A pneumologista Maira Azevedo sempre afirma aos seus pacientes que o processo é difícil, mas que eles não precisam enfrentá-lo sozinhos:

“Parar de fumar é mais do que um tratamento, é uma mudança de vida.  E ter pessoas do seu lado é mais importante ainda.”

O abandono do tabagismo envolve muita vontade e disciplina, e superar a abstinência pode ser ainda mais fácil se o fumante tiver uma rede de apoio. Depois de 50 anos como tabagista, a costureira Bernarda Chaves, de 75 anos, deparou-se em uma situação que a fez enxergar a necessidade de parar de fumar.

Não estava nos planos de Bernarda abandonar o cigarro, até ela ser internada com o diagnóstico da COVID-19, ficando entre a vida e a morte.

Após a experiência traumática, prometeu a si mesma que nunca mais iria por um cigarro na boca. Em maio deste ano, completa-se dois anos que superou o tabagismo:

“Eu achei que se largasse o cigarro morreria. Mas percebi que se continuasse ai que iria morrer mesmo”.

Parar de fumar é apenas o começo de uma melhor qualidade de vida. Ao mudar de hábito, os benefícios são quase que imediatos.

A cessação pode ser um desafio, mas há inúmeros motivos para abandonar o cigarro.

Onde procurar ajuda?

O sistema único de saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para aqueles que desejam parar de fumar. O tratamento vai desde o aconselhamento até o uso de medicamentos. O fumante começa com uma avaliação individual, e só depois irá integrar sessões de grupo de apoio, já o uso de medicamentos é feito após algumas sessões, dependendo do caso de cada paciente.

A pneumologista Maíra Azevedo reforça que apesar dos medicamentos dobrarem as chances do fumante largar o vício, a prescrição desses remédios só pode ser feita por um profissional.

Quanto mais cedo parar de fumar, maiores são os benefícios. Caso já seja fumante em longo prazo, ainda há tempo de começar um novo estilo de vida e se recuperar dos danos do cigarro.

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