O futebol piauiense merece uma torcida fiel

Investimentos no esporte local e melhorias nos estádios podem trazer novos torcedores e bons frutos para a economia e o turismo do estado.

O Futebol despertou a paixão dos brasileiros pelo esporte e facilmente se tornou parte da cultura do país. Sua origem britânica, inclusive, não impediu que o Brasil ganhasse o título de “país do futebol”. As cinco estrelas estampadas na camisa da seleção carregam consigo a história e o esforço de profissionais que vestiram o manto amarelo e verde e que sempre estiveram dispostos a dar tudo de si nos treinos e em campo.

Reprodução/Internet: Escudo estampado na camomila da seleção brasileira

Entretanto, no País do Futebol, a precariedade de estádios e a falta de valorização do times que não fazem parte da elite é bastante comum. Quanto mais distante da sonhada série A, menor o reconhecimento e a visibilidade. Quem acompanha de perto os campeonatos locais vê de perto a situação. É o caso da jornalista esportiva Iamércia Rocha que fala sobre a falta de valorização dos times locais: “Isso é algo que eu bato nas teclas sempre. Só existe quando o time está dando resultado, mas para que o time comece a dar resultado tem que haver esse investimento. Tem que haver essa valorização. E isso não existe, nem no futebol masculino que dirá no futebol feminino, que sempre foi uma modalidade bastante esquecida, menos valorizada em relação ao masculino.”.

O futebol local vira pauta de destaque quando joga com times de renome nacional. Os jogos ajudam os times da região a receber novos olhares, competir com atletas de alto nível, revelar talentos e outros benefícios. Uma competição que possibilita esses encontros é a Copa do Brasil, que surgiu para diminuir o descontentamento das federações de estados com menor tradição no futebol nacional. Até porque seus representantes dificilmente teriam a chance de enfrentar um ” grande clube” ao longo do ano, após a diminuição do número de participantes do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1987, com a criação da Copa União, competição que reunia apenas grandes clubes de futebol do Brasil.

A valorização do esporte local deve começar no apoio aos times e atletas. O mercado da bola movimenta bilhões de reais todos os anos, mas os salários milionários, tratamentos de ponta e campos sempre bem tratados são privilégios da elite do esporte. Esses recursos são essenciais para melhorar a qualidade técnica dos jogadores e consequentemente fazer o time crescer nos campeonatos e conquistar o coração de mais torcedores.

Além dos clubes, diversos setores do Estado, como economia e turismo, têm muito a ganhar com esse intercâmbio entre times. No dia primeiro de maio de 2022, o Altos do Piauí recebeu no estádio Governador Alberto Tavares Silva, popularmente conhecido como Albertão, o Flamengo do Rio de Janeiro para uma partida da Copa do Brasil. O confronto trouxe um saldo positivo para os cofres do clube que arrecadou R$3,6 milhões de reais, e para o estado que movimentou comércio, hotelaria e turismo.

“Este evento modificou toda a rotina da cidade principalmente em função da compra e venda de ingresso por um preço diferenciado em relação ao praticado nos jogos campeonatos locais. Mas também em função de fluxo turístico de pessoas que vieram prestigiar o evento e se beneficiaram do consumo de serviços indiretos relacionados a lazer, ao transporte, a hotelaria, alimentação de modo que os indiretos não ligados diretamente ao jogo foram beneficiados por essa demanda que se impulsionou pelo público que presenciar o evento esportivo.”, afirma o professor de economia João Victor Sousa.

Reprodução/ Luís Junior: Altos e Flamengo se enfrentam no estádio Albertão

Mesmo tendo impacto positivo, esses eventos esporádicos (já que não ocorrem regularmente jogos que atraiam público dessa magnitude) não geram resultados a longo prazo na economia local como nas cidades onde há uma maior atração esportiva como Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. “Para que este evento consiga de fato demonstrar o potencial consumidor de serviços esportivos e indiretos pelo público piauiense. É interessante que o maior nível de investimentos não só na estrutura e na qualidade dos esportes praticados aqui, mas também na imagem que é vendida dos clubes e esportistas piauienses para um público consumidor local e também de outras regiões.” completa o professor.

O Albertão é o maior estádio do Piauí, e tem capacidade para pouco mais de 40 mil pessoas, mas não tem autorização do corpo de bombeiros para receber essa quantidade de pessoas. Apesar de receber jogos dos campeonatos locais, apresenta muitos problemas em sua estrutura. “Eu acho que precisa de mais investimento, precisa de mais valorização. Receber mais torcedores gera uma renda maior, vai movimentar o comércio e a economia do estado. Se parar pra pensar, dá pra fazer isso com esses times locais”, segue a jornalista Iamércia, que se preocupa com a situação do estádio, tanto como profissional, quanto como torcedora. “O maior incômodo mesmo como jornalista e torcedora é a questão dos banheiros do porquê são muito sujos e também da sala de imprensa que é uma sala quente, sem estrutura uma não tem cadeira pra imprensa não tem nada disso. É só uma sala fechada, o clube chega lá, coloca o banner e a gente faz a entrevista mesmo em pé e tal não parece uma sala de imprensa”.

Reprodução/Internet: O maior estádio do Piauí.

Para o professor João Victor, investir em melhorias nessa categoria é interessante não só para melhorar a qualidade dos setores esportivos do estado, mas também para criar uma dinâmica cultural de consumo e produção em torno desse esporte, favorecendo, inclusive, o aspecto turístico da capital Teresina.

Por Laura Cardoso

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