Castração de animais domésticos: um ato de amor que salva milhões de vidas

Castrar o pet é uma decisão muito importante, não apenas para quem tem um em casa, mas para todos que amam os bichinhos.

Por: Ravel Santos

A castração é um procedimento cirúrgico realizado em animais domésticos com o objetivo de manter o controle populacional e evitar a exposição de cães e gatos a doenças. Além de ser uma importante ferramenta para a saúde pública, a castração também minimiza o abandono de milhões de animais em todo o mundo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas no Brasil existem mais de 30 milhões de animais em situação de rua, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Em Teresina, pelo menos 68% dos felinos e 26% dos cães da capital vivem nas ruas ou são semi-domiciliados.

Por sua vez, essas superpopulações errantes podem contribuir para o alastramento de epidemias como a raiva e outras inúmeras doenças prejudiciais tanto para os animais quanto aos humanos.

O abandono de animais é um sério problema que compromete a saúde pública do país. Imagem/ reprodução: a voz da serra.

Além de evitar epidemias e o crescimento descontrolado no número de animais, a castração reduz os riscos de câncer e doenças, bem como proporciona uma melhor qualidade na vida aos pets.

Para Emily Dutra, estudante de Jornalismo, castrar o seu cachorro foi um importante passo na saúde do animal. “O meu cachorro sempre foi assustado com relâmpagos e barulhos. Sempre que tinha isso ele pulava o muro para fugir. Depois que ele foi castrado, eu percebi que ele parou mais. Ele está mais quieto, tranquilo e caseiro”, diz.

Benefícios da castração

Você já ouviu “a castração é um ato de amor”? Essa é uma ótima frase para definir a importância dessa cirurgia, uma vez que ela traz consigo uma série de benefícios para cães e gatos.

Em termos de saúde, a castração reduz as chances de câncer de próstata e testículo entre os animais machos, evita a agressividade motivada por excitação sexual constante, a marcação de território com o xixi e as fugas durante o período de cio.

Nas fêmeas, o procedimento diminui os riscos de câncer de mama e infecções no útero, evita sangramentos causados pelo cio e previne a gravidez psicológica comum após o primeiro cio, que acaba ocasionando o aumento das mamas, a produção de leite e estresse excessivo.

O bem-estar do animal também é regulado, eles ficam mais tranquilos, brigam menos e não têm os descontrolados impulsos sexuais dos adultos em idade reprodutiva. Com a castração, os cães e gatos também diminuem a ânsia de sair de casa e, assim, há menos chances de sofrerem acidentes, atropelamentos ou de serem maltratados e se perderem.

O procedimento ainda facilita a vida dos donos de pets, já que a demarcação de território com urina pelos machos, sangramentos das cadelas e miados excessivos das gatas no cio são reduzidos. A castração também é uma solução financeira para quem não consegue arcar com possíveis gastos de doenças e infecções ou ninhadas consecutivas.

“Tenho sete gatos e todos eles foram castrados, tanto os machos quanto as fêmeas. Os benefícios que eu percebi para eles foi em relação ao estresse, eles deixaram de sair ou irem atrás de outros animais por causa do cio. Foi muito benéfico para a saúde deles e até para a gente mesmo”, relata Mariana Cunha, estudante de Medicina Veterinária.

Juliana, uma das gatinhas castradas de Mariana. Imagem/ Arquivo pessoal.

O processo da cirurgia

Antes do procedimento cirúrgico, é importante que o animal passe por exames para verificar se ele está apto a ser castrado. A triagem também deve incluir uma avaliação da condição cardíaca e de fatores como a raça e idade. Caso esteja tudo certo com a saúde, o pet precisa ficar 12 horas em jejum de água e comida antes de tomar a anestesia.

Na cirurgia, o animal é sedado e tem os pelos da região pubiana raspado, que é onde será feito o corte ou a remoção. Após a intervenção, há um breve período de recuperação até que volte por completa a consciência do bichinho e o veterinário avalie seu estado de saúde. Em casa, é importante que o pet use roupas cirúrgicas ou os colares para evitar que ele coce o local da sutura.

Nos gatos e cachorros machos, a técnica utilizada é orquiectomia, onde os testículos são retirados de sua capinha interna e os tubinhos que servem de canal para os espermatozoides são costurados. Nas gatas e cadelas, o principal método é o ovariossalpingo-histerectomia, que inclui incisão no abdômen, cortes e costuras nos ovários e a ligadura das trompas.

A cirurgia é um processo simples, mas que deve ser feito com todos os cuidados. Imagem/ reprodução: Prefeitura Municipal de Niterói.

Segundo a médica veterinária Ana Larissa, a cirurgia não é complicada, mas pode trazer riscos caso o animal faça um procedimento cirúrgico sem os exames pré-operatório. Ainda conforme a profissional, os tutores devem buscar por um cirurgião especialista da área a fim de evitar quaisquer complicações no processo.

Mitos sobre a castração

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a castração não engorda ou torna o animal obeso. Isso acontece devido a vários fatores como pouca atividade física, ingestão excessiva e incorreta de alimentos, dieta inadequada, hormônios e outros fatores. Um animal saudável e com uma boa alimentação não engordará por causa da a castração.

O procedimento da castração também não causa sofrimento algum ao animal quando feita corretamente em clínicas veterinárias por profissionais especializados. A cirurgia é realizada com anestesia própria para o corpo dos pets, pontos cirúrgicos, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos para evitar dores no pós-anestésica.

O gatinho Arthur passou pela castração e não teve nenhum problema com a cirurgia.

“Os meus gatos não tiveram problemas com a castração, porque nós procuramos profissionais confiáveis que iam fazer um trabalho direito para evitar com que o animal tivesse algum problema. fizemos um acompanhamento veterinário com eles antes e depois da castração”, explica Mariana Cunha.

O perigo das injeções e anticoncepcionais

Por terem um baixo preço, a injeção para evitar gravidez é muito utilizada em gatas e cadelas. No entanto, ela traz muitos problemas e pode causar até mesmo a morte, pois ela não impede que o animal fique prenha, mas sim o nascimento dos filhotes que acabam morrendo dentro da mãe.

O uso de comprimidos também é extremamente prejudicial e pode colocar a saúde do pet em risco. Entre as doenças causadas pelo uso de medicamentos estão as infecções uterinas, tumores de ovários, aumento excessivo das mamas e até câncer. Os especialistas consideram a castração o único modo seguro e saudável para evitar gravidez.

Qual a idade certa para a castração?

De acordo com profissionais de veterinária, a castração em animais jovens é mais tranquila e rápida que nos adultos, já que o tamanho e o peso são menores. Essa condição facilita a visualização dos testículos e ovários, diminuindo o sangramento e o tamanho das incisões.

No caso dos felinos machos, é recomendável que seja depois dos seis meses, quando eles já têm um porte físico mais desenvolvido. Em cães, o procedimento pode ser realizado com até um ano de vida, dependendo do tamanho e peso do animal. Raças menores podem atingir a maturidade sexual por volta dos oito meses, já as maiores em torno dos 12 aos 14 meses.

“Para as cadelas e gatas, o ideal é esperar o primeiro cio, entre o oitavo e o décimo mês nas pequenas e até o 12° nas maiores. Quando castradas nesse período, as probabilidades de tumores e câncer são de 8% e 14% para cachorras e felinas respectivamente”, esclarece a veterinária Ana Larissa.

Apesar da recomendação da idade, todos os animais de qualquer faixa etária podem realizar a castração. Contudo, é importante que o pet já tenha tomado todas as vacinas desde o nascimento. Com a castração, não apenas o seu, mas todos os animais ao redor serão beneficiados.

Castrar seu peludinho é como resgatar milhões de animais do sofrimento e abandono. Imagem/reprodução: Carrefour pelos animais.

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