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Coletivo Voragem: a união no fazer artístico piauiense

Agir em conjunto ajuda a abrir caminhos para artistas

Por: Guilherme Cronemberger

Um espaço de construção de afetos, trabalhos, aprendizagens: é assim que a artista visual Alana Santo descreve o coletivo Voragem. O grupo, atualmente formado por 16 artistas mulheres do Piauí e Maranhão, movimenta a cena artística piauiense desde 2017, por mais que só tenha se formalizado enquanto coletivo em 2019.

Alana, idealizadora do Voragem, diz que ao criar o projeto seus objetivos eram de ocupar espaços, expressar narrativas e agir em parceria com outras mulheres. “O desejo de criar o coletivo aconteceu de forma muito natural e ativa. Não pensei ou elaborei muito, nem construí ou tracei metas, apenas coloquei para fora minha vontade de agir”, afirma a produtora cultural.

Arte de apresentação no site do Voragem

A artista visual e produtora cultural Railane Raio também faz parte do Voragem e destaca que sua carreira na arte começou quando ela fez parte do Grupo APICE (Ação Poética Cultura e Espaço) em 2008. “É bem provável que se não fosse o apoio e compartilhamento de saberes proporcionados pela estrutura de estar em coletivo, eu não estaria nesta área”, completa a artista.

As vantagens oferecidas pela movimentação em coletivo levam artistas a atuarem desta forma. Dentro do próprio Voragem há membros que também estão em outros coletivos. Esse é o caso da própria Railane – que também atua em outros três coletivos artísticos – e da Mika – artista visual que participa do Voragem e do coletivo Latinas.

Quais as vantagens de se atuar em coletivo?

Alana Santo comenta que, no Voragem, há um apoio e estímulo ao fazer artístico dos membros. “Incentivamos a produção de obras e a atuação no cenário cultural, onde nós atuamos na montagem, curadoria, produção, design”, explica a artista visual. O Voragem faz tudo relativo a construção de suas exposições, algo que se deve a atuação em conjunto das pessoas que o compõe.

Alana Santo, idealizadora do Voragem. Foto: via instagram @alanasantoart

Thaynara Brioso, desenhista e artesã piauiense, aborda a dificuldade de atuar de forma independente. “Há uma certa dependência das redes sociais ou então de contatos para atuar na área artística. É um pouco difícil fazer uma exposição solo ou conseguir expor em alguns lugares, sem ter ajuda dos outros”, diz a artista, que possui uma conta no instagram onde posta seus desenhos e pinturas desde 2020.

Além de ser uma troca que beneficia os artistas, Alana Santo acredita que a atuação em coletivo também ajuda a desenvolver a arte local. “Acredito que o que é construído em coletivo possui mais camadas e atravessamentos (sociais, intelectuais, políticos, artísticos) e isso é muito potente”, fala a produtora cultural. Essa potência citada acontece pela união de histórias, memórias, saberes, fazeres, de diversas pessoas em torno de algo.

Exposições

Cartaz de apresentação da exposição. Design feito por Alana Santo

A última materialização das ações do Voragem foi a exposição Filhas do Sol do Equador. Essa mostra artística ficou montada no Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes entre os dias 8 de maio e 8 de abril de 2022. Durante esse mês, foram expostas obras de 13 artistas do coletivo em homenagem à 13 mulheres piauienses. Segundo o texto de apresentação da exposição, “(as obras) têm em comum o desejo de referenciar a importância da representatividade de mulheres do Piauí em diversos espaços e diferentes atuações”.

Sobre esse ponto Railane Raio, curadora desta exposição, explica que “Filhas do Sol do Equador” possui uma relevância muito simbólica. “Foram 13 artistas mulheres homenageando outras 13 mulheres, através de um mapeamento visual, na galeria de um museu, espaço majoritariamente masculino, é uma conquista”, afirma Railane.

Essa foi a quinta exposição organizada pelo Voragem. Segundo Alana Santo, no começo, as mostras apresentavam mais as poéticas individuais de cada artista, algo que mudou com o passar do tempo. “Atualmente temos focado em desenvolver exposições com um eixo curatorial mais definido. Foi o que aconteceu com a exposição Entre Partos de 2021 e Filhas do Sol do Equador de 2022”, completa a produtora cultural.

Coletivo Voragem

Membros do Voragem na exposição Narrativas (2019). Foto por: Jocasta Santos

Atualmente as 16 artistas do coletivo são: Alana Santo, Amandioca Vieira, Ana Cândida, Cacau Almeida, Donaline, Jessica Gomes, Maria Laura, Marília Barbosa, Mika, Railane Raio, Ravenna Ítala, Renata Fortes, Sabrina Oliveira, Valmira Sabino, Akemi Morais e Yana Tupinambá. Dentre esse grupo, há diversas formas artísticas de expressão como pintura, fotografia, colagem, bordado, escultura.

Alana Santo acena positivamente para o trabalho realizado pelo coletivo até aqui, e projeta uma nova ação ainda para este ano. “É difícil falar com certeza sobre a recepção das nossas ações, mas pelo o que recebemos de feedback, mensagens, apoio e incentivo nos ajudam a entender que estamos no caminho certo”, finaliza a produtora cultural.

O Voragem possui um site e um instagram, pelo qual pode-se acompanhar as ações das artistas.

Confira mais matérias do portal Luneta sobre a atuação de coletivos piauienses:

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