BRASIL PLURAL E SEUS SOTAQUES: a beleza da diversidade não combina com preconceito

A importância de dialetos e expressões deve andar lado a lado com o respeito e a valorização da cultura do país.

“Oxente”, “mano”, “guri”, “Uai”. Sotaque é o tom, entoação ou pronúncia particular de cada indivíduo ou região. Ele varia de acordo com a cultura e a história de determinado local. Apesar de falar o mesmo idioma no país inteiro, cada região possui suas particularidades e seu dialeto próprio. 

O Brasil é um país de dimensões continentais, com uma extensão territorial de 8.514.876 Km².  O quinto maior território do planeta abriga costumes, crenças e raças variadas. A pluralidade na cultura brasileira é resultado da combinação de vários povos e uma sequência de acontecimentos históricos que influenciaram diretamente na formação cultural do país. Africanos, espanhóis, italianos, japoneses, todos têm uma parcela na formação de elementos como a música, a culinária, festas tradicionais e na forma de falar.

Imagens/Reprodução: A miscigenação forma o Povo brasileito

Além do sotaque, cada cidade e estado possui expressões que compõem o próprio dialeto. No ano de 2013, o Piauiês, que é composto por expressões como “mangar”, para dizer que rir de algo, “toró”, sinônimo de chuva forte e “pegou ar”, para se referir a alguém zangado, tornou-se patrimônio Cultural e Imaterial do Piauí, através de um projeto de lei sancionado pelo então governador, Wilson Martins.

O professor de língua portuguesa, Lucas Vilarinho, explica essa particularidade, citando o jeito de falar do piauiense: “O sotaque piauiense é sempre muito característico. Nós temos uma forma de falar que vem das muitas variações sofridas pelo processo de formação do nosso povo. As pessoas do sul e do sudeste dizem que o piauiense fala cantando, temos um uma maneira típica de falar, ritmada e com expressões que são muito nossas”, completa Lucas. 

Marcas na oralidade são comuns no cotidiano, mas podem deixar confuso quem é de outra região. Como é o caso da estudante de jornalismo Gabriela Pereira, que nasceu no estado de São Paulo, e mesmo tendo família morando em Teresina, capital piauiense, ainda tem dificuldade de entender e precisa recorrer a ajuda. “Tem algumas coisas que até hoje eu não consigo entender e eu tenho que perguntar o que é, o que significa, o que é bem engraçado já que a gente está falando a mesma língua, mora no mesmo país, mas tem coisas que significam uma coisa aqui em São Paulo e outras que significam no Piauí, que é diferente”, afirma a estudante paulista.

Em 2021, uma pesquisa realizada por um aplicativo de relacionamento elegeu o sotaque Mineiro como o mais atraente do Brasil. De acordo com o estudo, feito com quase 2 mil brasileiros pelo Happn, 35% dos participantes se sentem atraídos pelo sotaque mineiro. O segundo lugar, ficou com o sotaque gaúcho, com preferência de 33% dos entrevistados. E o terceiro, com o sotaque paulista, com 27%. 

Reprodução/Internet: Diversidade linguística

A beleza de um país plural por vezes é ofuscada pelo preconceito linguístico, que é o julgamento depreciativo contra variedades linguísticas, e inclui fatores como classe social e grau de escolaridade; variação estilística, a forma do indivíduo de se expressar através de gírias, por exemplo; a variação geográfica, o sotaque e a forma de expressão regional; uma realidade muito atual e presente no Brasil. 

“Quando eu começo a falar as pessoas já sabem que eu não sou de Teresina. Já me perguntam ‘você não é daqui?’. Eu não me importo mas sei que quando é o contrário e tem nordestinos aqui em São Paulo e isso acontece é  um incômodo porque nunca é um tom de pergunta amigável, porque eu falo diferente mas eu nunca fui discriminada por isso”, comenta a estudante de jornalismo sobre o preconceito, em especial quando direcionado a pessoas do nordeste.

Entre tantas variações a única que não deve ser alterada é a do respeito, do reconhecimento do valor que cada cultura tem e a importância de cada região para a construção da sociedade.  “Que a gente não esqueça que o mais importante é respeitar esse sotaque, é respeitar essas variações, porque elas não diminuem a qualidade dos falantes, não diminui a qualidade da mensagem que está sendo colocada, seja por quem foi de qual estado for.”, finaliza o professor Lucas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.