Webnamorados encaram vida real com fim do isolamento social

Depois de passar por transformações ao longo do tempo, a internet ocupa um espaço significativo em nossa vida; afinal, é uma ferramenta que tem grande utilidade no nosso dia a dia. Mas você já pensou em encontrar sua alma gêmea nela?

Muitos pensam que o período de isolamento social dificultou manter os crushes e “contatinhos”. Mas, como diz o ditado popular, o ser humano acha solução para tudo; e em um momento que não se podia ter o contato físico, muitas relações foram desenvolvidas através das telas.

Para Érica e Monalisa, a ausência do contato físico é um grande empecilho para que os relacionamentos virtuais dêem certo, mas isso pode ser uma vantagem. Isso porque os encontros on-line nos permitem conhecer com quem estamos conversando antes de qualquer contato presencial. Sem contar o fato de conhecer alguém na segurança da sua casa, onde não é preciso se preocupar com situações desconfortáveis, e decidir se realmente quer encontrar a pessoa no futuro.

Agora que as restrições estão chegando ao fim, é o momento dos casais da quarentena trazerem para a vida real a relação construída no ambiente virtual.

A estudante Viviane Moreira começou um relacionamento virtual durante a pandemia, quando conheceu o ex-namorado no twitter. A partir do primeiro contato, os dois passavam horas em ligações, e com o tempo perceberam que tinham muito em comum, o que facilitou cada vez mais a aproximação. Viviane acredita que o tédio e o fato de não precisar sair de casa fomentaram seu webnamoro.

“A diversidade das ferramentas virtuais não deixavam o relacionamento cair na mesmice. A gente fazia muita coisa junto, ver filme, escutar música, jogar e até estudar”

-Viviane Moreira

Viviane afirma que virtualmente possuía grandes expectativas, mas quando eles se encontraram na vida real, as imperfeições do relacionamento foram escancaradas. Ela também recomenda conhecer bem o seu “contatinho” antes de marcarem um encontro, e assim evitar desilusões.


De onde surgiu o webnamoro?

A partir do final dos anos 1990 e início dos anos 2000, podemos ver o início do namoro virtual que hoje seria conhecido como “web namoro”. Nesta fase, os pioneiros a promoverem o contato com outras pessoas online através do bate-papo foram: Uol, MSN, e outras salas de bate papo que permitiam a interação entre usuários do mundo todo. Em menos de dez anos, a popularidade destes seria substituída por aplicativos como: tinder, hinge, bumble, badoo, etc.

Tinder o aplicativo mais conhecido em todo o mundo/ Acervo pessoal Carolina Matta

Nesse último cenário, o primeiro passo é criar um perfil com informações, curiosidades sobre você. Depois disso, é só se conectar com alguém com base nos seus interesses em comum. É muito mais fácil começar uma conversa com essas informações básicas.

De verdade, é realmente difícil conhecer pessoas na vida real, a menos que esbarremos uma na outra em um supermercado. Mas mesmo assim é preciso muita coragem pra abordar alguém. Eu diria que é mais fácil conhecer pessoas online.

Aaron Chahal, utilizador de aplicativos

Mas nem tudo são flores, apesar de apresentar pontos positivos, o ambiente digital também possui perigos, especialmente quando você conhece estranhos: o primeiro de ser enganado e segundo, você pode acabar com um coração partido. Ao primeiro sinal de qualquer um desses FUJA!

Os perigos do namoro virtual

É preciso ficar atento aos possíveis sinais que a pessoa que você está conversando pode ser fake, os chamados catfishs. Essas pessoas costumam usar fotos que não são delas, por isso pesquise em todo lugar possível: google, redes sociais, etc. O Podcast Não Inviabilize, conhecido por trazer histórias inusitadas dos telespectadores, no episódio “Aplicativo de Namoro”, você confere uma história inusitada sobre um catfish.

Podcast Não Inviabilize/Spotify

Recentemente lançado pela Netflix, o documentário sobre o Golpista do Tinder mostra o trabalho de um homem em enganar mulheres no Tinder, um dos aplicativos mais usados para quem busca qualquer tipo de conexão nos dias de hoje. Atualmente, enquanto suas vítimas fazem vaquinha na internet para pagarem suas dívidas, Simon Leviev, o golpista, ganha cada vez mais fama e dinheiro, chegando até a virar meme.

(Meme Simon Leviev “Eu quando sou pago vs três dias depois/ Reprodução knowyourmeme.com
Cartaz “O golpista do Tinder”/ Reprodução: Netflix

Aaron Chahal, adepto dos aplicativos, afirma que a sinceridade é o ponto principal para qualquer conexão: “Algumas pessoas podem não levar tão a sério. As pessoas têm diferentes expectativas. Às vezes você não sabe o que a pessoa realmente quer. Eu realmente gosto de conhecer pessoas que eu normalmente não encontraria, e conversar com elas, e depois ver o que acontece a partir daí”, declara Aaaron.

Ao longo dos últimos anos, Aaron chegou a se conectar com mais de 40 pessoas de diferentes lugares, línguas e culturas, graças as vantagens do mundo hiperconectado.

Vale destacar um fenômeno comum nos relacionamentos virtuais: ghosting, em que a principal causa é a falta de honestidade de um dos lados da relação. A psiquiatra e mestre em psicologia Natalia Timerman aborda esse acontecimento em seu livro “Copo Vazio” e afirma: “Todo fim é um tipo de luto, mas a fossa de um amor não vivido é maior do que aquele que a gente vê aos poucos chegando ao fim”, destaca Natalia.

Legenda: “Ontem Pedro estava aqui, participava do dia de Mirela, contava de sua manhã, sua noite de sono. Escrevia mensagens espontâneas, parecia pensar nela boa parte do dia, solicitava sua presença. Hoje, nada. Ela escreve mensagens pelo WhatsApp e ele as vê e continua em silêncio. Mais uma, vai que estava ocupado. Nada. Pe, quero falar contigo. Nada. Por favor, Pedro. Responde. Nada. Pedro? Nada. Nada. Nada. Nada. Pedro, seu covarde, seu merda, seu babaca. Nada”

Contracapa do livro “Copo Vazio”/ Reprodução: Amazon

Pode-se dizer que o ghosting faz parte do que o sociólogo Bauman chamou de amor líquido. Os tempos modernos e a modernização das relações de hoje escancaram cada vez mais a liquidez dos relacionamentos. Conseguir se relacionar com várias pessoas em diferentes tempos, relações que podem ser manejadas de diferentes formas, poder se relacionar de forma momentânea. Fica cada vez mais difícil se comprometer com uma coisa só.

Para algumas pessoas, esse é o estilo de vida ideal, para outras é um pesadelo. Mas é sobre isso e tá tudo bem, afinal, tudo é questão de perspectiva. É o privilégio de ser livre para viver do jeito que quiser, mas nunca deixar de lado a responsabilidade afetiva que devemos ter uns com os outros.

E você? Acredita no webnamoro?

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