Estudantes voltam à vida social acadêmica por meio das Atléticas Universitárias

Comunidades formadas nas instituições educacionais, que servem como uma alternativa na rotina estudantil, ainda estão em processo de retorno após o ápice da pandemia

Por: Altino Oliveira e Vitória Marques

As atléticas universitárias de Teresina retomam de forma gradativa suas atividades esportivas e de eventos, após dois anos de inatividade ou redução de atuação durante a pandemia de Covid-19. Essas organizações são uniões estudantis independentes e que têm por objetivo socializar os discentes de instituições de ensino superior.

Os veteranos, por meio das atléticas, colaboram para que o primeiro contato dos calouros com o curso seja mais leve e enriquecedor. A recepção de novas turmas é algo fundamental e que é feito em todos os períodos por essas organizações. O intuito da interação é deixar o estudante não só informado sobre conteúdos que irá estudar, mas também sobre o funcionamento interno das comunidades acadêmicas, as quais são divididas em presidência e diretorias (de eventos, de esportes, de marketing).

Boas-vindas

“Eles receberam a gente muito calorosamente, apresentando a atlética e convidando para fazermos parte de imediato”, afirma Adrielly Cardoso, estudante recém ingressa no curso de Direito da UNINOVAFAPI, já na flexibilização da pandemia de Covid-19. A estudante declara ainda que está ansiosa para a primeira festa promovida pela atlética de seu curso, a Mandacaru, no dia 25 de março 2022.

Adrielly junto de seus colegas de curso, no 1º dia de faculdade
(FOTO: arquivo pessoal/Adrielly Cardoso)

Mesmo com a pandemia, algumas dessas organizações não hesitaram em continuar com a tradição e prestaram boas-vindas a distância, via Google Meet. Kaillani Anchieta, estudante do curso de Engenharia Civil da UFPI, entrou na universidade em meio a pandemia, no segundo semestre de 2020. Ela conta o que achou da recepção da atlética de seu curso, a Garra: “eles mostraram tudo que a atlética fazia, levaram até um mapa da UFPI. Eles sempre foram bastante receptivos, e criaram também vários grupos [redes sociais] das modalidades esportivas, para a gente começar a socializar com as outras pessoas. Foi bem divertido”.

Recepção via Google Meet promovida pela atlética Garra
(FOTO: arquivo pessoal/ Kaillani Anchieta)

Atléticas na pandemia

Luísa Moreira, graduanda do quinto período do curso, é presidente da Garra. Ela afirma que a organização foi uma das poucas que se mantiveram ativas durante a pandemia, os integrantes se empenharam em atuar de forma digital. Cita, a exemplo, realização de e-sports (inclusive com torcidas virtuais), dicas de filmes, interação por meio de redes sociais e houve até arrecadação de fundos para ações solidárias em nome da atlética.

“A gente tentou ao máximo fazer com que o ânimo do pessoal não acabasse, mas foi bastante complicado. Assim como pararam as atividades da atlética, a universidade também parou como um todo, ficamos um bom tempo sem aulas; então, a galera meio que se distanciou, tanto dentro da diretoria quanto entre os membros da atlética”, declara. Segundo Luísa, sem o presencial, não tem como tudo voltar como era antes, mas ressalta que aos poucos os integrantes têm se adaptado.

Kaillani ainda está receosa com o retorno das atividades: “assim, a gente ainda está voltando à normalidade, e as vezes é um pouco assustador você voltar para as festas, já com muitas pessoas, porque você ainda pensa sobre a questão do Coronavírus; então, tem sido um processo de adaptação”. O Coronavírus ainda assusta, mas a Garra já voltou a promover eventos, o último ocorreu dia cinco de março. A compra de ingressos dos eventos tem seguido protocolos de proteção, com exigência de cartão de vacina na compra dos convites.

Kaillani (segunda mulher, da direita para esquerda) junto da diretoria da atlética Garra durante evento
(FOTO: atlética Garra)

Ao contrário da Garra, a atlética Savana, correspondente ao curso de Educação Física da UFPI, volta com suas atividades apenas em março deste ano. Felipe Miranda, presidente da Savana, discorre sobre o processo gradativo de retomada da organização. Apenas o futsal masculino e o vôlei misto estão na ativa. A distância da universidade ainda dificulta a volta dos times e eventos; devido à permanência do ensino remoto, os integrantes preferem não se encontrar presencialmente para apenas realizar reuniões, visto que é uma logística muito cara. Entretanto, a primeira calourada pós-pandemia do curso já está pronta, apenas nos últimos preparativos e divulgações.

Para além do Campus

Kaillani é a atual diretora de eventos de sua atlética, que conta com mais quatro colegas de turma, os quais também fazem parte das diretorias. Ela conta o motivo do interesse para ser uma das integrantes da Garra:

“A vontade surgiu na primeira festa, quando eu vi que é uma forma de você conhecer novas pessoas, ainda mais nesse período de pandemia, que a gente não tem aquela experiência universitária”

Kaillani Anchieta

Ao gerir a diretoria de eventos, Kaillani acabou por confirmar a sua visão sobre como as atléticas colaboram para com um aumento dos vínculos sociais de uma pessoa, a partir da primeira festa que ajudou a organizar, a qual ocorreu no dia cinco de março. “Foi muito legal, porque eu tive novos contatos, de organização de festas, de eventos e tive a oportunidade de conhecer diversas pessoas. Na hora de vender os ingressos, eu troquei ideia com pessoas, tanto de outros períodos do [meu] curso, quanto de outros cursos, de outras atléticas”, conta ela.

Essas comunidades acadêmicas são importantes para a carreira dos estudantes até após concluírem seus respectivos cursos.

“Acaba que nosso círculo de amizades se estende bem mais e isso ajuda até mesmo na nossa carreira, seja recebendo algum conselho, dicas de cursos, material de alguma disciplina ou até mesmo na hora de conseguir um estágio ou oportunidade de emprego”

Luísa Moreira, presidente da Garra

Felipe, como estudante e presidente da Savana, ressalta: “além de aumentar o interesse pela participação em atividades próximas ao nosso curso, a interação e descontração ajudam a facilitar a vida acadêmica, tornando-a mais leve, e no nosso caso (educação física) já servem como preparativos para a nossa área”. Ele afirma ainda que ocupar o cargo lhe proporcionou uma melhora nas virtudes pessoais: “mais confiança para assumir funções e responsabilidades, além de aprender mais sobre gerenciamento e promoção”.

Ligas esportivas se recuperam da pandemia

Time de futsal masculino da atlética Garra
(FOTO: atlética Garra)

Segundo a presidente da Garra, a organização já voltou à ativa em outubro de 2021, uma das primeiras a retornar. Ainda assim, há dificuldade de realizar todas as modalidades esportivas que constam no planejamento: “a gente está tentando encaixar todas as modalidades (futsal, handebol, vôlei e basquete) só nos finais de semana, porque é quando temos as quadras da UFPI disponíveis, mas, de vez em quando, conseguimos quadras de outros locais e conseguimos colocar treinos durante a semana também”. Há também treinadores próprios para preparar os times para os campeonatos, os quais estão dispostos a atender tanto os jogadores mais habilidosos quanto os iniciantes.

Time feminino da Garra
(FOTO: atlética Garra)

Ocorrem disputas de títulos entre atléticas, cada qual com seu time, competindo até contra organizações de outras universidades e faculdades. Apesar da competitividade que há em todos os esportes, o importante é que os estudantes curtam as partidas e torçam para suas equipes. Há baterias para estimular a animação tanto nos jogos, quanto em eventos ou recepções de novatos.

O objetivo principal dos exercícios é promover o desenvolvimento de novos gostos e práticas. Conforme o tempo de participação na atlética aumenta e o integrante demonstre grande habilidade, sua função na hierarquia da organização também cresce, com o próprio servindo de treinador para jogadores menos experientes.

Parte da diretoria da Savana durante jogo promovido para recepção de calouros
(FOTO: atlética Savana)

Finanças e o processo de retorno

Quanto à parte financeira, são totalmente independentes das universidades e das faculdades. Quem mantém todo o fluxo de investimentos dos eventos e atividades realizados são os próprios estudantes. Para tanto, a renda advém dos alunos associados, fora vendas de produtos da própria atlética (tirantes, canecas, camisetas e outros). Outra contribuição são empresas parceiras, que patrocinam eventos, ajudam a organizar e oferecem descontos aos associados.

Com o novo cenário, obtiveram queda nas finanças, mas já sinalizam que estão a todo vapor, em busca de novos membros e colaborações com companhias. A vivência no campus foi e ainda é um fator retirado de alguns acadêmicos, com a impossibilidade das aulas. Assim, o retorno das atividades das atléticas causam animação nos estudantes, ansiosos para poder viver uma experiência universitária completa.

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