Insegurança e medo do teresinense em sair nas ruas

Apesar de recente queda no número de furtos e roubos, boa parte da população teresinense tem forte insegurança em andar na capital

Por Mateus Araújo

Apesar dos esforços da ação policial nas ruas da capital no combate à criminalidade, muitos bandidos se sentem à vontade para efetuar roubos e assaltos. Isso pode explicar a quantidade de informações de crimes ligados à subtração todos os dias veiculados pela imprensa no Piauí. Em Teresina, boa parte da população já se sente amedrontada, visto que não é difícil assistir, ser ou conhecer alguém que já foi vítima dos inúmeros casos de roubo ou furto de objetos pessoais. Com isso, a população procura várias formas de maneiras para evitar que isso ocorra, que vão desde esconder objetos pessoais ao sair de casa com eles ou até mesmo não os levar com medo de serem assaltados.

Segundo dados da Secretária Estadual de Segurança Pública, que até o momento estão somente atualizados até o mês de agosto de 2021 em seu site, o número de roubos e assaltos na capital praticamente dobrou do fim do ano passado aos primeiros oito meses deste ano. Entretanto há uma tendência de queda, com uma leve redução de julho para agosto deste ano como mostra o gráfico abaixo.

Dados da Secretária de Segurança Pública sobre roubos e assaltos de janeiro de 2020 à agosto de 2021.

O técnico de informática Iago Moura de Oliveira, de 26 anos, também dono de um estabelecimento na zona sul da capital, conta que já foi várias vezes vítima de assalto, e que é grande o receio de sair com objetos como celular ou até mesmo ficar sobre a porta da rua. A sensação de insegurança é grande, mesmo havendo forte e reconhecido trabalho das autoridades policiais segundo ele. Iago também argumenta que seus clientes também passam por isso.

“Sobre segurança, eu como dono de uma assistência técnica, a gente se sente muito desprotegido principalmente porque já fui assaltado aqui duas vezes, e não só na loja, mas na volta pra casa, tanto eu quanto meu sócio fomos vítimas de assalto. É uma perda muito grande um roubou de celular, dinheiro ou algum equipamento, e a gente vê que mesmo levando a ocorrência e o assaltante sendo preso, sabemos que logo ele estará solto muitas das vezes. A sensação que dá é que você sairá na rua e será assaltado, aqui mesmo na loja, vemos que os clientes com medo trazem celulares escondidos em sacola ou dentro da roupa.”, explica o técnico.

Questionado sobre o que acha da atuação da Polícia Militar, Iago conta que considera positiva e sempre que necessitou teve uma boa resposta de atuação.

“Na região onde moro, eu acho excelente a atuação da polícia em alguns casos, pois todos setores tem suas falhas, mas quando se necessita dela, a viatura se desloca rapidamente e lhe acompanha. Eu mesmo já precisei da polícia e eles me deram total apoio e auxílio rápido para tentar recuperar os pertences, e algumas vezes até conseguiram de forma rápida.”, concluí Iago.

Major Thiago Ribeiro, coordenador de Comunicação da Polícia Militar do Piauí – Foto: Mateus Araújo

Perguntado sobre como a polícia militar tem visto a sensação de insegurança na capital por parte da população de forma constante em noticiários e reclamações, o coordenador de Comunicação da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), Major Thiago Ribeiro, explica que boa parte do sentimento de insegurança na capital, é muito causado pela ampliação e facilidade hoje em dia na divulgação, vinculação e filmagem de crimes, que causam na população um ressentimento, mesmo que se tenha uma queda no número de ocorrências ligados a furtos e roubos.

“Em relação aos índices de ocorrência em alguns meses em relação ao ano passado, quando a gente olha ocorrências de roubos e furtos, nós tivemos redução, e aí você me pergunta, então porque essa sensação de insegurança?! Porque tudo aquilo que a gente foca, expande. Isso é neurocientífico, se na imprensa, na mídia eu começo a divulgar mais informações dessas ações de delitos e de ocorrências, pois hoje tem vídeos e câmeras em todo canto, então você consegue filmar essas ações e isso gera na pessoa que está vendo uma serie de sentimentos, consequentemente à sensação de insegurança, por mais que hoje tenha uma redução.”, diz o major.

O Major ainda lembra que a população deve sempre notificar a Polícia Militar para ajudá-la em seu trabalho, pois facilita segundo ele, na prevenção e patrulhamento de pontos estratégicos para o combate da criminalidade e insegurança.

“Um outro ponto é a questão da subnotificação porque pessoas normalmente não divulgam isso aí, daí quanto elas não registram, a gente não tem como organizar as viaturas no terreno, pois o trabalho da Polícia Militar é preventivo e a gente precisa fazer um trabalho científico, analisando dados, ocorrências, manchas criminais, para saber onde colocar cada viatura e ter um melhor resultado. Então a sociedade não pode deixar de notificar todos os fatos que acontecem, outro ponto que devemos trazer é que a Polícia Militar também trabalha com essa parte da visibilidade que está sendo mais ainda reforçada, além disso estamos comprando a folga dos policiais para que a gente possa fazer operações onde as viaturas passem nos principais corredores, usando do tipo de policiamento hot spots (pontos quentes), que consegue reduzir índices criminais.”, completa.

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