Impactos da pandemia na rotina de atletas e esportistas

Por Sara Nascimento

A prática esportiva faz parte da realidade dos seres humanos desde a Antiguidade. Tanto os esportes quanto os exercícios físicos proporcionam diversos benefícios a quem os pratica, como a promoção do bem estar e o auxílio no controle de doenças. Em 2020, em prevenção à transmissão da covid-19, foram adotadas medidas restritivas, a principal delas foi o distanciamento social, que provocou a suspensão de várias atividades. Com isso, profissionais e não profissionais que praticavam modalidades esportivas tiveram mudanças nas suas rotinas, sem previsão de retorno aos treinos presenciais.

Para Gilberto Queiroz, esportista – que pratica esporte de forma não profissional –, a ausência dos treinos junto à assessoria esportiva que participa, afetou, principalmente, sua saúde mental. Queiroz pontua que iniciou na corrida há mais ou menos quatro anos, sozinho, por acaso, para aliviar os dias estressantes, depois continuou porque descobriu que tem ansiedade, doença que atinge quase 19 milhões de brasileiros, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sem a possibilidade de se dedicar aos treinos presenciais, Gilberto destaca que fortes sintomas físicos e psicológicos surgiram durante os dias em que não pôde estar nos locais de treinamento com os orientadores e outros praticantes. “Não sentia vontade de levantar, tinha uma tristeza profunda, sentia palpitações, e medo, muito medo”.

Sinais que ele dificilmente nota quando assiduamente pratica natação, ciclismo e corrida. “Sinto-me bem. Percebo que ameniza a minha ansiedade, assim, mantenho o equilíbrio das emoções”. Mas com a impossibilidade dos treinos presenciais, foi necessário se reinventar. As plataformas digitais foram as responsáveis por aproximar os que estavam distantes fisicamente. Gilberto, depois de um tempo sem sair de casa, recebia os exercícios funcionais de forma virtual; mas a estratégia não provocava os mesmos resultados que a modalidade presencial apresentava. A melhora na rotina do esportista começou depois das flexibilizações do distanciamento social.

“No começo, eu saía meio tímido para correr, sozinho, numa quadra. Mas, agora, voltei à rotina, treino várias vezes na semana.”

Gilberto Queiroz praticando ciclismo. Foto: arquivo pessoal

É notório o quão benéfica é a prática de esportes; Gilberto Queiroz pratica para fins pessoais, mas há quem pratique profissionalmente, quem vive do esporte, como é o caso do atleta Evandro José, que também sentiu os efeitos da pandemia no seu dia a dia. O primeiro desafio foi referente ao contato presencial entre colegas, técnicos e profissionais auxiliares. Os encontros cheios de energia, com a prática de saltos e corridas, foram substituídos pelas orientações via aplicativo de mensagens instantâneas. “Como era um treino caseiro, tudo era improvisado. O treinador enviava as atividades por WhatsApp, duas vezes por dia. Foi assim por todos esses meses”, pontuou Evandro.

Com o avanço da vacinação, os treinos do atleta retornaram presencialmente, e uma nova questão surgiu: a locomoção até o espaço das atividades. Em Teresina, há mais de um ano, impulsionada pela pandemia, a crise do sistema de transporte público tem afetado a população com problemas não resolvidos entre as empresas de ônibus e a prefeitura da cidade. Considerando a pouca oferta de transporte público, a demora e a lotação, Evandro decidiu comprar uma bicicleta. Desde então, pedala cerca de 25km para ir e voltar dos treinos.

Apesar das adversidades impostas durante a pandemia, o velocista conquistou vitórias almejadas desde a adolescência. Há quase seis anos ele tem experiências praticando o atletismo, e neste ano, um de seus maiores sonhos foi realizado. “Pela primeira vez, fui convocado para compor a equipe da seleção brasileira para participar do Campeonato Sul-Americano Sub-23 de atletismo. Lá, disputei as provas 4x400m masculino e 4x400m misto, fui campeão nas duas”.

À direita, acompanhado de outros três atletas profissionais, Evandro segura uma de suas medalhas. Foto: Wagner Carmo/ CBAt

Antes de iniciar a carreira profissional, Evandro já tinha o esporte como parte da sua rotina. Quando ele jogava futebol, um professor viu nele o potencial para salto e corrida, duas das três modalidades que compõem o atletismo. “O esporte, praticamente, é a minha vida”, assim o atleta define o que a prática esportiva representa para ele, destacando que as atividades contribuem positivamente para o seu desenvolvimento pessoal.

“Além de ser um momento que me provoca bem estar, me possibilita ter mais amizades e um melhor relacionamento com as pessoas.”

Evandro José em um de seus treinos. Foto: Wagner Carmo/ CBAt

Essas foram algumas das vantagens afirmadas pelo educador físico Alex Silva, de que “os exercícios permitem a socialização e a criação de novas amizades. Ajudam, ainda, a dormir melhor;  a promover o bem estar; a diminuir os níveis de estresse e o percentual de gordura corporal. Somado a isso, a prática constante e orientada pode auxiliar no controle da pressão alta, da diabetes, do colesterol, da ansiedade, entre outras doenças que antes eram tratadas somente com medicação”, pontuou Alex Silva.

O educador reforça que a prática frequente de exercícios físicos, de forma profissional ou não, é essencial e que as atividades promovem adaptações metabólicas que ajudam na melhora da saúde do indivíduo. Para ele, quem não praticava esportes e tinha comportamentos sedentários, durante a pandemia, viu nas atividades físicas uma válvula de escape da monotonia dos dias em isolamento.

“Foi a maneira que as pessoas encontraram para se manterem ativas e extravasadas durante esse período. Certamente, muitas levarão esse hábito para a vida no ‘pós pandemia’ e isso me anima muito, pois, as pessoas passaram a ver o exercício como algo bom e não mais como uma ‘punição’ ou algo ruim, como muitas pessoas viam”, afirmou o educador.

Orientações sobre treino em casa

É possível obter bons resultados treinando em casa, até mesmo sem equipamentos sofisticados como os presentes nas academias, mas, para isso, é necessário ter cuidado, como orienta o educador físico. “A prática de exercícios realizados de maneira incorreta pode ocasionar, a longo prazo, malefícios, como dores lombares, nos joelhos, nos ombros. A execução inadequada pode sobrecarregar principalmente as articulações e, como consequência, ocasionar lesões. Por isso, o ideal é ter a assistência de um profissional de educação física e de um médico, para fazer o acompanhamento de exames, a fim de saber como estão os níveis de glicose, colesterol e hormônios, por exemplo”, destacou Alex Silva.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.