POLUIÇÃO DOS RIOS: a temporada de aguapés preocupa

Por Ramon Campelo e Thálef Santos

Quais as principais causas do surgimento de aguapés?

Para além da beleza das plantas, o que de fato preocupa as autoridades e os moradores ribeirinhos é a proliferação delas. A principal causa desse imenso tapete verde é o acúmulo de lixo no fundo dos rios e o despejo irregular de produtos químicos nos rios.

Além disso, o período mais quente do ano, as altas temperaturas fazem essa planta que já tem água a vontade, se desenvolver ainda mais com a produção de fotossíntese derivada do sol.

Entenda mais a fundo os benéficos e malefícios dos aguapés

O ambientalista Flaviano Abreu informa quais os danos os aguapés podem trazer para o meio ambiente, mas também fala dos impactos positivos da planta flutuante.

“ os aguapés quando em pequena quantidade são combatentes das poluições pois eles se alimentam, principalmente de lixo químico, quando o rio está com pouca água, principalmente no período mais quente do ano que não chove, os aguapés são mais visíveis, pois o lixo do fundo sobe e as plantas fazem uso deles para seu crescimento, mas vale ressaltar que uma quantidade massiva dessas plantas mostra a poluição extrema de um rio, que é o que acontece na capital.”

Ainda na inspeção da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Piauí (Semduh – PI), outros problemas também foram evidenciados, como em um dos pontos visitados, foi analisada uma galeria próxima à ponte Juscelino Kubitschek que deveria ser usada apenas para o escoamento de água de chuva, mas que está sendo utilizada para despejar esgoto no rio.

Em setembro de 2021 a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Piauí (Semduh -PI), na reunião com a Justiça Federal e o Ministério Público, apresentou o projeto de retirada dos aguapés, mas não obteve a autorização necessária para a retirada total das plantas aquáticas.


Porém, foi autorizado a limpeza dos ramos mais novos ou prestes a nascer dos aguapés a fim de evitar a proliferação em grande escala na superfície dos rios. Desde então, um serviço de limpeza foi iniciado pela Semduh.

No dia 22 de novembro de 2021, a 24º promotoria de Justiça de Teresina com auxílio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAOMA) realizaram uma inspeção do cumprimento do acordo judicial com medidas imediatas contra a proliferação dos aguapés no Rio Poti.

Cerca de seis pontos foram vistoriados com a presença de representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMDUH). Derivaldo Brandão, contratado pela CTA para fazer a limpeza acompanhou também.

O objetivo da limpeza é fazer com que os aguapés não fiquem concentrados. Três equipes trabalham diariamente, espalhando e removendo o excesso de aguapés para que não se acumulem de uma margem a outra.

Foto: Prefeitura municipal de Teresina

Quais os impactos na vida da população ribeirinha?

Segundo informações, a presença dos aguapés junto à sujeira diminui a presença de oxigênio no rio, o que torna a sobrevivência dos peixes ainda mais difícil. Estudos ambientais informam que são mais de três metros de sujeira acumulada e matéria orgânica que são lançadas no fundo do Poti.

Essa profundidade alarmante de lixo, caso continue aumentando e os aguapés tomem totalmente a superfície do rio, levarão a escassez dos peixes, que acabam morrendo por falta de oxigênio. Em conversa com pescadores ribeirinhos que dependem da pesca para sobrevivência de suas famílias, José Pereira Neto afirma:

o rio tá com muita poluição dentro dele. Jogam lixo, os peixes não sobrevivem, os moradores não podem tomar banho, não podem lavar uma roupa, por causa da poluição. Não consigo pescar um peixe, quando acho o peixe tá fedendo a esgoto.

O morador e pescador que a 53 anos mora próximo das margens do rio também afima que as obras estaduais quando se iniciam geralmente em pouco tempo são congestionadas, deixando assim tudo como estava, ou até pior:

o governo já prometeu uma limpeza, começou e não terminou, deixa tudo uma bagunça com as maquinagens, a população também começa mas só vai até a metade e ninguém termina,”

O saneamento de Teresina e de todo o Nordeste é responsabilidade da empresa Águas de Teresina, responsável também pelo abastecimento de água potável nas residências. A concessionária presta esse serviço de tratamento de esgoto desde 2017 e afirma que essa operação tem como objetivo tornar Teresina referência no saneamento.

Tânia Martins, Coordenadora da Rede Ambiental do Piauí (Reapi), fala um pouco sobre as previsões das ações nos rios e sobre o tempo que a concessionária levará para finalizar o saneamento total da capital:

“No exato momento não temos feito mobilizações, mas estamos acompanhando o trabalho do ministério público relacionado a limpeza do rio. O fato da empresa, responsável por fazer o saneamento básico da cidade, só concluir o trabalho daqui a uns 10, 20 anos, não lembro agora, mas sei que vai ser lento. Apostamos na instalação do comitê da bacia hidrográfica do rio Parnaíba para acelerar esse saneamento.”

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