Em cada dez brasileiros, quatro relatam problemas psicológicos relacionados à pandemia

Em meio a tempos difíceis, aumentam os casos de patologias mentais no Brasil

Por Joaquim Eduardo e William Henrique Araújo

Apesar de algumas pessoas não terem se sentido afetadas psicologicamente pela pandemia, para outras, o efeito foi o contrário. Dados do Instituto Datafolha indicam que 28% dos brasileiros tiveram o diagnóstico de patologia mental. Isso gerou preocupações desnecessárias e até irreais sobre a própria saúde, logo passaram a procurar por serviços de saúde não somente com suspeita de Covid-19, mas também por outros problemas diversos.

De acordo com Amanda Damasceno, pós graduada em Psicologia Social e Comunidades pela Fatec-Paraná, atuante na residência multiprofissional em postos de saúde, o Coronavírus não só agravou a condição de quem já tem alguma demanda de saúde mental, mas por se tratar de uma situação inesperada e generalizada, naturalmente provocou nas pessoas, emoções difíceis de serem processadas.

“Uma situação de medo, de incerteza, de insegurança, da morte fazendo parte do nosso cotidiano de uma forma nunca antes vista, vai trazer dificuldades de sono, ansiedades paralisantes. E isso se tornou mais presente no meu dia a dia”.

Amanda cita episódios onde atendeu pacientes que se queixavam de falta de ar e queriam ser notificados como suspeita de Covid-19, mas que na verdade era uma crise de ansiedade.

A importância do autocuidado mental na atualidade (Foto: Internet)

Sabrina Palhares (24) diz que, por medo do Coronavírus, não buscou nenhum tipo de atendimento no início da pandemia, mas logo passou a procurá-los.

“Mesmo com alguns procedimentos como terapias e exames em andamento, eu consegui me controlar e não entrei em contato médico. Mas logo depois, passei a procurar por ajuda especializada quando sinto algumas dores e incômodos”, declara.

Para Ivan Machado (22), essa nova realidade trouxe um abalo psicológico por vivenciar a situação com familiares na linha de frente e pessoas próximas pertencentes ao grupo de risco. Ao passo que não pode manter o isolamento social necessário, tendo em vista ser indispensável ao trabalho.

“Embora eu não tenha procurado ajuda, reconheço o meu erro. Procurei combater a ansiedade com exercícios físicos e hobbies”.

Ivan acrescenta ainda, “Percebi também que tardei com atividades necessárias da minha vida, principalmente acadêmicas, por conta dos desânimos que a pandemia e o futuro incerto nos trazia. Não saber o que aconteceria no dia, mês e ano seguinte me afetou. E também saber que as pessoas que mais gosto corriam o risco de falecer”.

“A medida que a gente fazia a anamnese e algumas perguntas voltadas para investigação da saúde daquela pessoa, os outros sintomas que ela apresentava e como ela estava também em relação às suas emoções e ao seu estado de saúde mental, conseguíamos identificar essa diferença de uma falta de ar, que nem sempre era um sintoma associado à Covid, mas que poderia ser um sintoma relacionado a uma demanda de saúde mental”, reitera Amanda.

A psicóloga afirma existir autocuidados promotores de boa saúde mental. “Como podemos cuidar para que isso não afete diretamente nossas vidas? Atividade física regular e boas práticas alimentares, dentro das possibilidades de cada um, auxilia no controle do estresse e da ansiedade. Os autocuidados emocional, social, espiritual, são terapias essenciais para um bom controle mental”, conclui a profissional.

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