Home office: pandemia modifica as rotinas jornalísticas no Piauí

Por João Gabriel Sousa e Tomé de Sousa

Na nova realidade do uso constante de máscaras e higienização com álcool da Covid-19, a sociedade teve de se readaptar para manter seu funcionamento efetivo. Dentre políticas de distanciamento e lockdowns (isolamento total) forçados, surgiu o home office – termo estrangeiro que significa, em tradução literal, “trabalho em casa” – como alternativa de manutenção para algumas atividades acadêmicas e profissionais.

O jornalismo, enquanto profissão, também foi afetada por essa nova realidade forçada. Os repórteres se tornaram profissionais da linha de frente de combate à doença, não só na apuração e divulgação de dados relacionados ao Covid como na presença física necessária para se noticiar os eventos gerais que, eventualmente, persistiram contra a realidade pandêmica, como esportes e questões de segurança pública.

Victor Melo, jornalista, fotógrafo e podcaster do PodcastNerd afirma que atuar profissionalmente na época inicial do Covid foi como “pisar em ovos”, visto a possibilidade de se contrair o vírus e contaminar a familiares e pessoas próximas, acusando também o período pandêmico como devastador, principalmente no contexto brasileiro.

Sobre trabalhar em casa, Victor não se incomodou tanto: “Eu passei em torno de 4 ou 5 meses direto no home office, daí voltei pra redação, com todas as medidas preventivas. Não mudou muito. O diferente era antes mesmo. A questão do home não foi tão complicada para mim porque eu já mexia com isso, já tinha os equipamentos – cadeira, notebook, teclado… – a parte da adaptação é o mais chato para quem não está acostumado, mas eu já tinha esse costume por ter trabalhado com fotografia antes.”

“A flexibilização da empresa também foi importante, principalmente no início, onde era optativo o trabalho em casa, mas ainda incentivado, como forma de controle à circulação do vírus”

Victor Melo, jornalista, fotógrafo e podcaster

A produtividade do home office, no entanto, como também comenta Victor, é igual, se não maior do que a do trabalho presencial. A flexibilidade e a liberdade de realizar atividades jornalísticas por celulares e/ou computadores aumenta a eficiência no processo de entrega do produto final. O jornalista finaliza: “O prejudicial, se eu fosse apontar algo, é o distanciamento das fontes. A gente acaba se afastando das pessoas, das ruas, da vivência”.

Dados da pandemia do novo Coronavírus.

“Acúmulo de tarefas e dificuldade em separar trabalho de lazer”

O assessor de imprensa é o profissional responsável pela construção do relacionamento de uma marca junto aos meios de comunicação. Seu principal objetivo é tornar a empresa e seus produtos/serviços reconhecidos no mercado. Com a pandemia da Covid-19, e a mudança para o sistema de home office, os profissionais dessa área tiveram que se reinventar para conseguir realizar o trabalho de forma remota. Luze, acabou sentindo muito essa mudança para a forma remota, já que, para ele, o contato ajudava muito no desempenho da função.

Assessor de imprensa Luz Silva sendo imunizado – Arquivo pessoal

Apesar de algumas pessoas já estarem, até certo ponto, “adaptados” a realidade do home office¸ não é a realidade de todos os jornalistas. Para Luze Silva, escritor e assessor de comunicação, trabalhar em casa acabou trazendo um certo acumulo de tarefas, e até uma dificuldade em separar trabalho e lazer “nos primeiros meses da pandemia, fiquei completamente em home office, me adequando aos espaços do lar para trabalhar. As demandas cresceram bastante e tive que encontrar novas maneiras de realizar as atividades, tentando aprender o momento de seguir trabalhando e encerrar, pois as demandas acabavam se misturando ao lazer”, explica o entrevistado.

“Eu sempre gostei do contato, de estar com as pessoas, interagir. Isso traz muitos ganhos no nosso dia, especialmente na execução das demandas. É um troca de energia. Ter perdido isso completamente nos primeiros na pandemia foi o aspecto mais negativo para mim. Ficar apenas em casa, isolado, foi bastante difícil, porque sempre tive uma rotina agitada.”, pontua o assessor que desde o começo da pandemia, teve que realizar o trabalho de casa e só recentemente (cerca de 3 meses), voltou a acompanhar os clientes de forma presencial.

Após o início da vacinação, com os profissionais da imprensa em grupo prioritário, a tendencia é a volta ao trabalho de forma presencial. Ter a liberdade de voltar “para campo” é algo que traz um certo conforto para Luze “Agora, com o retorno do acompanhamento de eventos presenciais, reuniões e entrevistas – com todos os cuidados, claro -, sinto uma dose de normalidade novamente. Ainda é algo novo, que assusta um pouco, mas é muito bom ir para externas e voltar para a redação, ainda que de maneira escalonada.”, destaca.

O sistema de home office também serviu como um divisor de águas para determinar certos limites com relação ao trabalho. Luze explica que consegue enxergar melhor até onde ele pode trabalhar, e até onde pode começar a prejudicar a sua própria saúde com o home office.

“Mas observo que o home office também veio para estabelecer limites de até onde posso ir no sentido de não extrapolar minhas obrigações. Pude aprender a relaxar mais, aproveitar ainda mais os momentos de descanso”.

Luze Silva

O “escritório caseiro” acaba sendo uma escapatória inteligente e eficiente para manutenção e proficiência das atividades jornalísticas, mas exige preparo e flexibilidade adaptativa daqueles que estarão modificando suas rotinas para a realidade mais doméstica.

Jornalistas como o Victor não veem tantos problemas na realidade tecnológica e quase instantânea, mas outros podem se incomodar e questionar a falta de contato humano tão presente na prática jornalística. Perspectivas à parte, o home office se mantém mesmo após o retorno gradativo das atividades e a vacinação, talvez marcando seu espaço em definitivo na nova realidade estudantil e trabalhista de uma nova sociedade com novas dinâmicas.

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