Vidas sem fronteiras: piauienses optam por experiência no exterior

Por Bruno Chaves e Gabriela Varanda

Ir morar no exterior ou ficar no Brasil? Há uma grande quantidade de brasileiros que saem do país para morar fora e isso desperta a sensação de que sair da terra natal para viver em outro lugar é a melhor coisa a se fazer. São diversos os motivos que levam uma pessoa à escolha de imigrar. Seja em busca de emprego, oportunidades de estudo, melhores condições de vida ou de segurança, muitos brasileiros estão buscando uma vida fora. Afinal, os sonhos de liberdade e prosperidade permeiam o imaginário local sobre o exterior.

Para além do ato de sonhar e idealizar uma vida fora, sair é um ato que exige coragem. Não é fácil deixar família e amigos para trás, assim como deixar sua cultura para começar a construir uma vida nova, aonde quer que ela seja.

A estabilidade financeira tem que conviver com a saudade da família e a solidão


Viver fora é abraçar a ideia de que, a partir daquele momento, é preciso estar fora da sua zona de conforto e, apesar da eventual assimilação dos costumes, ser sempre um estrangeiro, com algumas dificuldades naturais de assimilação de uma cultura diferente da sua. Foi o que aconteceu com Vanessa Arrais, quando decidiu viver em Seatlle, Washington e trabalhar como au pair. “Você não tem família e os seus amigos na maioria das vezes são temporários, porque alguns vão embora pro Brasil, outros se mudam e por aí vai. O emocional é altamente instável, porém, você tem segurança, tem um emprego, tem carro, tem dinheiro e vários outros benefícios.

Só que é um caminho solitário. Na maioria das vezes não dá pra ter ambos. É uma escolha. Vai muito do objetivo pessoal de cada um”

Vanessa Arrais, au pair

De acordo com Vanessa, o sonho americano surgiu aos 15 anos, quando foi morar no Canadá para cursar um semestre do Ensino Médio. “Lá eu vi o quão diferente e bom era morar nesses países de primeiro mundo. Morei no Canadá primeiro, mas o meu sonho era vir para os Estados Unidos”.

Vanessa Arrais, em momento de lazer no exterior – arquivo pessoal

Após a experiência, ela estudou diversas formas de realizar o seu objetivo e encontrou uma oportunidade no programa de Au pair, que era uma das formas mais baratas na qual ela poderia viver uma imersão total na cultura do país, por meio da convivência com uma família local, já que o trabalho envolve cuidar das crianças.

Ela ressalta que existem muitos benefícios, como a segurança pública, estabilidade financeira, alta oferta de empregos e bom poder de compra, mas afirma que também é preciso destacar algumas dificuldades: “A falta da família, a solidão, dificuldade inicial para se estabilizar no mercado e não ter o direito de ir e vir do país são motivos que assustam, mas que não fazem desistir da ideia de continuar aqui. Acima de tudo, é o país que amo e o lugar em que pude me encontrar, em vários aspectos”, completa.

E o que significa ser ‘au pair‘?

De acordo com a Agência Aupair, o nome designa a função exercida por uma jovem que quer experimentar outra cultura e aprender uma nova língua, vivendo em um país estrangeiro com uma família anfitriã.

“Elas são consideradas grandes irmãs temporárias para as crianças e esperamos que se tornem um novo membro adicional da família anfitriã.”

Agência Aupair

Em troca de um quarto privado e salário a ser combinado, ela se encarrega de tarefas relacionadas ao cuidado de crianças e tarefas domésticas fáceis.

A empresa é responsável por uma plataforma na qual os candidatos e famílias podem entrar em contato um com o outro, sem custos adicionais da agência.

“Desde que sabemos quantas perguntas precisam de uma resposta antes de organizar uma estadia, queremos dar-lhe informações detalhadas sobre diferentes problemáticas – que vão desde os requisitos para os candidatos e famílias, informações sobre assuntos como as horas de trabalho, mesada e problemas com o visto, até alguma dica sobre as leis de alguns países”, destacam.

Em Dallas, João Victor trabalha, gosta, mas pensa em voltar para o Brasil um dia

A história de João Victor Miranda já é um pouco diferente. Ele decidiu juntar dinheiro e ir embora definitivamente para Orlando, nos EUA. De acordo com o jovem, a falta de perspectiva na faculdade foi o principal impulso.

“Eu já tinha visto, pois já tinha vindo a passeio. Logo que bateu a vontade de vir eu só precisei juntar dinheiro para comprar as passagens e vir. Meu pai não ficou nem um pouco feliz, mas minha mãe apoiou. Hoje os dois estão felizes vendo a qualidade de vida que consegui aqui”, explica.

João Victor no trabalho de plotagem – arquivo pessoal

João conta que percebeu um outro tipo de organização e funcionamento das instituições, o que poderia ser benéfico para essa adaptação, mesmo consciente que não seria fácil recomeçar, especialmente estando sozinho em outro país. “Passei dois anos em Orlando e hoje estou em Dallas. Trabalho com tudo que aparece pela frente, mas a especialização é em envelopamento automotivo”.

Mesmo afirmando ter uma experiência positiva, João Vitor conta que os planos são outros e bem diferentes: ele quer voltar ao Brasil. Ainda sem data definida, ele está se organizando financeiramente, pois deseja ter uma reserva financeira antes do retorno.

Enfrentando a pandemia no exterior

Coincidentemente, Vanessa e João Victor saíram do Brasil pouco antes do início da pandemia. Então, grande parte da experiência dos jovens, tem sido pautada por uma sociedade de restrições, embora alguns lugares sejam mais flexíveis que outros.

Vanessa explica que foi muito difícil viver a pandemia por estar longe da família e amigos. Durante o primeiro ano, parou todas as atividades que exercia e até que fossem mais esclarecidas as formas de contágio, ficou longe de qualquer pessoa que não fosse a família para qual ela trabalha. Diz que acredita ser mais branda a quarentena no Brasil.

“Aqui você não podia ter contato nem com familiares e amigos. A família que eu morava não teve contato com nenhum familiar por quase um ano, a não ser ao ar livre.

No Brasil, eu pude notar que o distanciamento social era mais de pessoas que não são da mesma família. Parentes, na maioria das vezes, se encontravam. Pelo menos na minha família do Brasil e na dos demais conhecidos fizeram assim. No mais, não teve muita diferença. Infelizmente, muita morte e muito sofrimento”.

João Victor Miranda

Para João Victor não houve muita mudança. “A pandemia também foi muito forte aqui, mas, sinceramente, para mim nunca mudou nada. Meu trabalho não parou e eu não ouvi falar de ninguém aqui que tivesse passando por problemas”.

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