Vacinação dos profissionais da educação é garantia de retorno a aulas presenciais?

Por: Maria Clara Magalhães e Fernanda Rodrigues

As expectativas acerca da imunização de profissionais da educação no Piauí trazem certa esperança à um cenário que já foi incerto a pouco tempo atrás. Silvana Alves é diretora do CEIM Santa Inês, em Altos, e tomou a primeira dose da vacina da Astrazeneca. Ela se diz otimista para a volta das aulas presenciais, mas afirma ainda não se sentir segura, pois acredita faltar muito para que toda a população seja imunizada.

Silvana afirma acreditar também que no próximo ano já será possível pensar na questão do retorno das aulas nessa modalidade, mas até o momento essa opção ainda está descartada.

“A vacina é fundamental para vencermos a pandemia, mas é preciso que ela alcance a todos.”

Silvana Alves

O Brasil ainda caminha lentamente rumo ao fim da pandemia, mas a chegada de novas doses de vacina contra a covid-19 trouxe uma onda de expectativas e suposições sobre o retorno de atividades presenciais, dentre essas, a volta completa das aulas sem a necessidade do ensino híbrido, em instituições públicas e privadas no Piauí.

A importância de priorizar profissionais que trabalham em setores como o da educação se dá pela necessidade da profissão de interagir diretamente com outras pessoas e outros profissionais. A imunização acaba sendo a chave para o retorno
seguro das aulas sem a possibilidade de riscos de novos casos da doença ou de propagação da mesma no ambiente escolar e nas universidades.

uma menina usando máscara e segurando material escolar está parada em pé no meio de uma sala de aula vazia
Alunos de escolas públicas ainda sem data para retorno. Foto: Unicef

No primeiro dia de julho deste ano, o Piauí ultrapassou a marca de 1 milhão de pessoas vacinadas com a primeira dose da vacina contra a covid-19, de acordo com o que foi mostrado por dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi).

Até o momento, o estado estava em oitavo lugar no ranking da vacinação no Nordeste, ou seja, em penúltimo lugar; isso mostra que há a necessidade de avançar com mais rapidez rumo ao objetivo que o estado possui em comum com todo o resto do Brasil, as aplicações da segunda dose visando a imunização em massa da população e o fim dessas limitações e restrições

“É imprescindível a vacinação de alunos”

O contexto atual da pandemia revela também a falta de valorização da educação de uma forma geral. Conversamos com o professor da rede pública estadual do Piauí, José Valdenor Silva, que recentemente tomou a primeira dose da vacina por ser profissional da educação. Ele revela sua insatisfação com a demora no processo e a falta de priorização também para os alunos.

“É imprescindível e indiscutível a necessidade de se vacinar os alunos, como toda a população em geral. Se a gente pensar em vacinar apenas o grupo de professores, como está acontecendo agora, a gente não envolve toda a comunidade acadêmica. Nós estamos sendo omissos.”

Vacinação de estudantes passa também pelo avanço das pesquisas dos efeitos do imunizante em crianças

Muito se fala sobre as formas de imunização que seriam mais eficazes para controlar a disseminação do vírus. Pensando sobre isso, José ressaltou sua preocupação pelos fatos dos profissionais que estão sendo vacinados não poderem ficar isolados e assim continuam no risco de contrair a doença..

“O professor vai se isolar? O profissional da educação vai se isolar para não ter contato com os outros, sem nenhum outro familiar em sua casa? Para não haver essa transmissão? Sendo assim, só vejo como saída a imunização em massa”

José Valdenor Silva

O atraso na vacinação atravessa muitas questões políticas pelas quais o país enfrenta atualmente. Infelizmente, não tivemos reação rápida de controle para conseguir amenizar os efeitos dessa catástrofe biológica. Valdenor faz um comparativo com a realidade mundial.

“Eu vejo que o atraso na vacinação dos professores, como das demais categorias, está sendo o ponto crucial para o nosso insucesso diante dessa pandemia. Vemos países que se preocuparam desde o início em buscar uma vacinação em massa e priorizar essa questão.”

A tomada da segunda dose, por fim, é uma fase muito importante no ciclo de vacinação, pois somente com a segunda dose aplicada em massa em todas as pessoas que já receberam a primeira e também nas que ainda não receberam mais irão receber, é que se pode organizar a abertura geral do estado e das instituições. Para quem busca informações sobre a questão da vacinação no estado do Piauí, o site do governo do Estado atualiza a população sobre o calendário e o agendamento de vacinações.

A vacinação dos professores teve início em junho e muitos ainda aguardam a segunda dose dos imunizantes; o vídeo a seguir aborda o contexto do dilema da volta às aulas completamente presenciais e a portaria que está sendo preparada pelo governo para esse retorno em todo o país.

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