NOIVADO VIRTUAL, das inovações que a pandemia trouxe para Teresina

Por Ilanna Serena e Naftaly Nascimento

Um namoro de longos anos. Um noivado virtual. Um amor que supera distâncias e ausências em meio a uma pandemia. De março de 2020 até aqui, o casal de jornalistas Mayara Valença e Jônatas Freitas se viu poucas vezes. O convívio e abraços tem sido evitados. Segundo eles, morar com pessoas do grupo de risco da doença traz receio, por isso evitam se aproximar.

Em maio deste ano, Jônatas recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Os pais de Mayara também já tomaram o imunizante. No entanto, ela conta que, somente quando todos da casa estiverem imunizados com as duas doses da vacina, ficará mais tranquila e segura para encontrar o noivo sem o medo de disseminar a doença.

De acordo com o casal, o pedido de noivado aconteceu ainda em setembro de 2020, mas as alianças só foram trocadas, de fato, no dia 25 de dezembro. Nas redes sociais, Jônatas compartilhou registros do momento e declarou-se. “A pandemia requer muitos cuidados e a gente teve. O bom é que deu tudo certo. Te amo”, escreveu.

“Noivamos em setembro do ano passado. Mas, por conta da pandemia e também porque eu estou desempregada, decidimos esperar um pouco para marcar data (que ainda não temos). Gostaria muito que fosse no primeiro semestre de 2022, mas está difícil de fazer planos”, contou Mayara.

Da mesma forma que a quarentena afastou alguns casais, uniu outros. Mayara conta que o casal, muitas vezes, se reinventa para passar mais tempo juntos. “Se o abracei 2 vezes nesse tempo, foi muito. Confesso que é mais difícil ver pessoalmente e não poder abraçar do que ficar distantes. Mas já já as coisas melhoram e a gente mata a saudade.”

Mesmo afastados, o casal faz planos. Aos poucos compram as coisas para a futura casa do
casal, que se fala diariamente através da Internet, importante aliada na hora de matar a
saudade.

“Acredito que o carinho supera distâncias. A gente consegue manifestar e nutrir o amor de
muitas formas. A mais especial para mim, nesse momento, é conseguindo preservar a saúde
de quem eu amo. Do resto, a gente corre atrás com o tempo”, completou Mayara.

Por outro lado, violência doméstica cresce no Piauí


Enquanto alguns casais se fortalecem o amor, muitas mulheres são violentadas por seus companheiros. A pandemia da Covid-19 também causou um aumento da violência doméstica contra mulheres no Brasil, segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgada no dia 7 de junho de 2021.

Dados do relatório comprovam que uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos teria sofrido algum tipo de violência, em 2020. Destas, 48,8% foram agredidas em casa, por namorados, maridos, ex companheiros, pais, padrastos ou filhos.

Em 2019, o número era de 42%.


A pesquisa informa ainda que as mulheres vítimas de violência doméstica estão entre as que
mais perderam empregos e renda durante a pandemia, o que as torna mais vulneráveis e
dependentes financeiramente do agressor.

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Aumentam também os pedidos de medidas protetivas

No Piauí, um levantamento do Tribunal de Justiça, divulgado em junho deste ano, apresentou
um crescimento no número de pedidos de medidas protetivas, recursos judiciais que visam
assegurar suporte e proteção para mulheres ameaçadas no estado.

Durante o primeiro semestre de 2021, 2.060 medidas protetivas foram efetivadas, número 30,7% superior ao ano de 2020, que contabiliza 1.576 medidas. Ao todo, no ano de 2020 foram concedidas 4938 medidas protetivas de urgência no estado. Em 2019, antes da pandemia, o número foi de 3822, significativamente menor.
A imagem mostra o número de medidas distribuídas em cada município do estado. A capital Teresina tem o maior número (801), seguida por Esperantina (152) e Parnaíba (105).

A coordenadora do Departamento Estadual de Proteção à Mulher, delegada Bruna Verena,
acredita que ações de conscientização e enfrentamento à violência doméstica, e sobretudo
denúncias podem ajudar no combate e redução dos casos.

“A mulher pode fazer o boletim eletrônico da sua residência mesmo, do seu celular, e pedir
ao judiciário uma medida protetiva. A gente segue cumprindo mandados e fiscalizando as
medidas, que são um meio de preservar a saúde física e mental de muitas mulheres”, explicou
a delegada.

Como denunciar?


Denúncias podem ser feitas por meio do aplicativo Salve Maria, disponível gratuitamente na loja de aplicativos Play Store e App Store, ou pelo telefone 190, de emergências da Polícia Militar, ou do número 180, da Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal e Disque 100, além de um aplicativo chamado “Direitos Humanos Brasil”.

No Piauí, o Centro de Referência Francisca Trindade também recebe denúncias através do WhatsApp, pelo número (86) 99433 0809. No local, vítimas de violência doméstica e seus amigos ou familiares podem tirar dúvidas de ordem jurídica e psicossocial.

Delegada do 5º DP Bruna Fontenele é acusada de assédio moral | :: JC 24  Horas - Justiça e Cidadania ::
Delegada Bruna Verena – Imagem:Brunno Suênio/GP1

“No site da Polícia Civil também temos um campo de denúncia anônima que serve para vizinhos, amigos ou familiares que sabem que essa mulher está sendo vítima de violência doméstica e querem denunciar. Ao menor sinal de violência, denuncie”, completou a delegada Bruna Verena.

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