Eles estão lá, na outra ponta da linha de frente da covid-19

Por Diego Vieira e Marta de Sousa

Os profissionais da saúde, considerados carros-chefes no enfrentamento da covid-19, atenderam pacientes em excesso desde o início da crise sanitária que tem sufocado o mundo. São uma das pontas da linha de frente da pandemia. A outra ponta da linha de frente do caos na saúde pública – servidores que atuam na limpeza, socorristas, maqueiros – não são apenas personagens do estado de emergência provocado pela infecção viral do Sars- cov-2. Eles também enfrentam os riscos de contágio, pois manejam o lixo hospitalar, fazem a higienização dos espaços das unidades de saúde, socorrem aqueles que estão em casa e precisam chegar na urgência, empurram as macas com pacientes sem ar nos pulmões.

A Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional publica estatísticas de contaminação nas equipes de limpeza com pouco mais de um ano da chegada da pandemia covid-19 no país.

Foto: Divulgação/Sesapi

Zacarias um auxiliar de limpeza na linha de frente da covid-19

Da equipe de limpeza hospitalar até chegar em casa: caminho de risco, Zacarias Henrique Silva, auxiliar de limpeza, atua na área desde o ano de 2000 e é um dos profissionais da outra ponta da linha de frente. Para ele, a notícia da pandemia trouxe um clima de tensão e preocupação por ser uma doença desconhecida.

“Pelo que se via falar era uma coisa muito transmissível que podia levar a morte e a gente sabia que mais dias, menos dias, a gente ia ter que lidar cara a cara e ficar perto daquilo, então foram dias de muita preocupação”, conta Zacarias.

Com o passar do tempo, a adoção dos protocolos adotados e uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs), Zacarias relata que foi ficando mais tranquilo em lidar com o vírus. Ainda  que a mídia não demonstre a valorização devida aos profissionais de limpeza hospitalar, o auxiliar de limpeza diz com orgulho que antes mesmo da pandemia já reconhecia a importância do seu trabalho.

Para explicar a importância das atividades que realiza, Zacarias narra como o trabalho de equipe acontece dentro de um hospital e pontua que quando o médico realiza uma cirurgia, para que ela seja bem sucedida, o pós-operatório é muito importante e o preparo e limpeza do ambiente que esses profissionais fazem para garantir que o paciente não adquira uma infecção é essencial.

A rotina não mudou apenas no ambiente de trabalho, o contato com pacientes infectados com coronavírus também gerou preocupação em casa. Zacarias relata que toma todas as medidas para proteger a família. “Quando a gente chega em casa a gente tem o maior cuidado possível, como não entrar em casa com os calçados e com as roupas que vem do hospital. Eu sempre deixo fora e já vou direto para o banheiro tomar banho e fazer a minha higienização”, conta.

E a preocupação em passar para a família?

Além disso, ele relata que principalmente no início da pandemia, sempre utilizava máscara dentro de casa quando estava em contato com os familiares porque não sabia se estava contaminado ou não e precisava garantir a proteção deles.

Após cerca de 1 ano de pandemia enfrentando na linha de frente o coronavírus, Zacarias conseguiu se cadastrar e tomar a primeira dose da vacina que imuniza contra a covid-19. “É uma segurança a mais que a gente tem, a gente sabe que mesmo vacinado a gente tem que tomar todos os cuidados necessários, mas de qualquer forma é um fortalecimento para gente. Nos sentimos mais fortes e com mais coragem de encarar de frente o que está acontecendo”, destaca.

Banco de Imagens gratuitas (unsplash)

Socorristas transportam pacientes enquanto Brasil acumula vítimas

Carlos Daniel é condutor-socorrista há um ano e ficou muito assustado quando começou a ter notícias sobre a covid-19, pela velocidade da infecção viral. “Veio aquele susto, de como estava sendo a transmissão rápida na população e logo veio a insegurança. Graças a Deus, tive o autocontrole psicológico”, declara.

Em dezembro de 2020, ao final do mês, o Brasil perdeu quase 195 mil pessoas. Em julho de 2021, o país ultrapassou as 500 mil vítimas

Daniel enxerga a valorização da categoria, contudo o condutor-socorrista demonstra ainda assim insatisfação quanto ao reconhecimento da classe quando afirma que lhe “chamou a atenção as autoridades com o apoio com materiais, carga horária, porque é cansativo e deixa todos da área da saúde exausto. Então, vejo que a valorização da saúde tem que ser mais, tem que ser redobrada”, destaca Daniel.
As ações efetivas na saúde para conter o avanço da doença, com equipamentos de serviço e proteção não lança fora a preocupação com a família, que é constante, como ressalta Carlos Daniel, pois, depois do trabalho de transportar pacientes infectados, retornava para casa.

“Higienização sempre, uso de máscara, antes de sair e quando chega em casa. Um cuidado intenso, redobrado”, comenta o condutor-socorrista ao revelar as medidas preventivas quanto àqueles que ficaram em casa.

Site Metrópole

Das mais de 219 milhões de vacinas distribuídas em todo o Brasil , duas doses foram aplicadas no braço de Carlos Daniel, que trabalha transportando pacientes para a urgência de unidades de saúde e destaca a mudança após a imunização. “Eu, como socorrista, já estou vacinado e o que mudou pra mim foi a segurança no meu trabalho. Mas, como repito, não basta me vacinar e continuar com descuido.” “A pandemia não acabou em lugar nenhum”


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