Profissão Pro-player: um olhar sobre o cenário dos campeonatos de eSports

Apesar de existir já existir há muito tempo, os campeonatos dos eSports tem crescido e se popularizado cada vez mais aumentando a visibilidade dessa nova profissão. Mas no meio de tantas oportunidades é preciso ter cautela ao tentar seguir esse sonho

Por Vinicius da Silva

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Quem gosta de jogos e costuma jogar muitas horas por dia — quando há tempo livre — com certeza já deve ter escutado dos pais e familiares frases como: “sai desse jogo” ou “você passou o dia inteiro aí, já deu”. Como um jogador assíduo, sou suspeito para falar, pois costumo também ser essa pessoa que gasta boa parte dos dias de folga jogando. Mesmo tendo entrado um tanto tarde no universo dos jogos, atualmente é um dos assuntos que mais me chama atenção e também o meu maior hobby.

Desde que surgiram, os jogos têm chamado a atenção de crianças, jovens e adultos. Principalmente hoje em dia, após o avanço das técnicas de modelagem, eles se tornaram cada vez mais ilimitados e diversos, podendo agradar a variados públicos. Dos mais casuais até os jogos com campanhas longas e de mundo aberto: tem espaço para todo mundo. Mas, talvez, o problema esteja exatamente nisso. Com tantas opções e formas de interações diferentes, é possível dizer que às vezes estamos “perdendo” tempo demais passando horas do nosso dia em contato com esses jogos?

A resposta não é simples, mas arrisco dizer que talvez sim. Contudo, para muitas pessoas esse hobby se tornou uma profissão. É nesse ponto que entra os campeonatos de eSports. Se engana quem pensa que eles são recentes. Na verdade, a primeira competição que se tem notícia aconteceu em outubro de 1972, mas, à época, pôde ter como participantes apenas os estudantes da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, com o jogo Spacewar, um dos primeiros jogos eletrônicos para computador.

 

Reprodução: Academy of Interactive Arts & Sciences <https://www.interactive.org/news/112018_spacewar_pioneer.asp&gt;

 

O prêmio era simples: um ano de assinatura da revista Rolling Stone, mas de lá para cá as premiações têm aumentado cada vez mais nas competições. Em 2020, por exemplo, o principal campeonato de Dota 2 oferecia um total de 40 milhões de dólares em premiação. Devido ao crescimento dos jogos e, consequentemente, a expansão dos campeonatos, o cenário profissional tem instigado muito gamer por aí. Afinal, quem não quer trabalhar com o que gosta? Mas, infelizmente, não é tão fácil assim conseguir realizar esse sonho. A realidade em Teresina não é diferente. “Tem muita gente talentosa na nossa região, o que falta aqui mesmo são mais oportunidades de entrar em campeonatos grandes e também apoio. Falta muito apoio”, foi o que me respondeu a organização do Village eSports, time recém surgido, mas que nasceu com a proposta de organizar mais campeonatos e movimentar esse cenário aqui no Piauí”, compartilha.

Durante a minha busca por jogadores ou times dispostos a conversar sobre o tema, encontrei diversos perfis nas redes sociais, mas a maioria deles estavam desativados ou parados há muito tempo o que claramente reflete o desejo de que o cenário profissional cresça na região, mas por falta de iniciativa ou incentivos esses projetos acabam não sendo continuados. Em contrapartida, em outros estados as competições têm crescido muito. Para Tomé de Sousa, estudante de Jornalismo, aqui na capital o número de pessoas que gostam de assistir campeonatos de esportes eletrônicos é muito grande, mas como o Piauí não ocupa um espaço muito relevante a nível nacional nos campeonatos brasileiros, a mídia acaba não dando muita importância para torneios locais. “Nunca me passou pela cabeça disputar algum campeonato como jogador profissional, sempre fui mais de assistir que competir. Mas como o cenário piauiense ainda é muito novo, acho que montar uma equipe é até menos complicado. No entanto, conseguir apoio para disputar campeonatos e se desenvolver é o que mais dificulta o desenvolvimento das que já temos por aqui. Mas é como eu disse: é uma questão de tempo até os e-sports conseguirem relevância para que apareçam os patrocínios, como é no Futebol por exemplo”, completa Tomé.

 

Torneio de LoL em Teresina — Foto: Stephanie Pacheco/GloboEsporte.com <https://globoesporte.globo.com/pi/clubegames/bsl/noticia/league-of-legends-nicks-chamam-atencao-em-campeonato-salsicha-vesgo-allienn-veja-nomes.ghtml?_ga=2.248322307.525159770.1625059876-2684040257.1623338499&gt;

 

A glamourização da vida de jogador profissional

Estando inserido nesse meio, assumo que não há como não sentir vontade de se tornar um pro-player, além da possibilidade de poder trabalhar com algo que eu gosto, ganhar por isso e ainda conseguir uma “fama” é tentador para qualquer jovem gamer, mas essa profissão vai bem além disso. Jogar bem é apenas o primeiro passo, É preciso se dedicar bastante aos treinamentos longos e diários e também estar preparado psicologicamente para toda a rotina e também para a recepção do público.

Há inúmeros relatos de jogadores comentando sobre os contras. Jornadas longas de trabalho e muitas vezes sem folgas são comuns, imagino que porque para muita gente jogos não são considerados ambientes de trabalhos “de verdade” o que infelizmente causa a desvalorização da profissão e isso pode ser muito frustrante para quem quer construir carreira nesse meio.

Reprodução: Globo Esporte <https://ge.globo.com/esports/lol/noticia/final-do-cblol-2020-tinowns-pede-desculpa-por-tudo-kami-defende-guerreiro.ghtml&lt;

A questão da exposição também deve ser levada em conta, afinal as torcidas de jogos eletrônicos podem se tornar tão nocivas quanto as outras e ganhar ou perder uma partida pode sim ser um gatilho para a disseminação de ódio, ainda mais quando sabemos que na internet isso infelizmente é mais do que comum.

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