O cultivo das plantas na pandemia e a otimização do uso para a saúde mental

Um olhar voltado aos detalhes da vida para manutenção do bem estar

Por: Ana Vitória Lima Machado

De modo terapêutico, as noções com o cuidado e a própria observação do espaço-tempo ao tomar de conta domesticamente de uma planta, auxiliam no equilíbrio físico e mental e no resgate de sentimentos tranquilos nesse período de isolamento e instabilidade humana global. Pelo período de grave risco à saúde, as plantas que reforçam a imunidade e auxiliam no tratamento de problemas respiratórios e de ansiedade têm sido cada vez mais estudadas e compartilhadas.

Segundo a ferramenta Google Trends, que analisa o comportamento de pesquisa no site de busca, entre 17 de março, período que marca o início do isolamento social e 17 de junho de 2020, a procura pelo termo “kit jardinagem” aumentou em 180% e “curso online de jardinagem” em 200%. O Laboratório de Farmacognosia e Homeopatia da faculdade de Farmácia da UFMG, publicou uma cartilha que expõe as maneiras mais adequadas do plantio e cuidado sobre várias espécies. Segundo Rachel Castilho, professora de Farmácia da UFMG, o SUS já oferta como parte das terapêuticas as plantas medicinais e a fitoterapia.

Em um cenário anterior à pandemia do Covid-19, o Brasil já se posicionava entre os países com maior índice de estresse, segundo a Isma-BR (Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse Brasil). A Associação aponta o Brasil como o segundo país com mais pessoas afetadas pela Síndrome de Burnot, caracterizada pelo esgotamento emocional e redução da realização pessoal no trabalho e despersonalização do profissional. Um corpo em sinal de alerta se estressa e esse mecanismo instintivo de defesa acaba por retirar o conforto e a segurança interna podendo, em casos de maior incidência, exigir tratamento médico.

Respirando um ar mais puro

A artista plástica Isis Sabino, em sua experiência com o cultivo de plantas medicinais, ornamentais e alimentícias na quarentena, mudou os hábitos de compras e a relação com o próprio sentido de lar. Com o tempo e seguindo as possibilidades de cuidado, decide o que vai ser plantado a cada período. Dentro da sua prática alimentar e política vegetariana, acaba controlando o processo que o alimento faz do grão até ser ingerido.

“Eu gosto muito de como isso faz eu aprender a lidar com as situações e com as pessoas. Nenhuma planta é igual, elas têm necessidades diferentes. Notar isso me ajudou muito a aprimorar como lido com o tempo das outras pessoas e coisas e não só com o meu. Na quarentena acabei pegando e ganhando muitas plantas e faz com que eu me sinta mais pertencente a minha casa, a rotina de antes parecia ter feito com que fosse apenas um lugar para dormir”.

“Boa parte das minhas plantas são medicinais, foi o que eu quis arranjar de início pela própria cultura da utilização de ervas pra curar desde uma dor de cabeça até um cansaço físico ou mental. E pensando em cuidar não só esteticamente do meu espaço, cultivo plantas que ajudam o ambiente a ter um cheiro melhor, é agradável. Tenho a Espada de São Jorge pra limpar o ar”. De origem africana, a Espada é boa para eliminar benzeno, xileno, formaleído e também o toluene e o tricloroetileno, sendo considerada pela Nasa, uma das melhores plantas pra purificar o ar em ambientes fechados.

Ísis conta ainda que perto da sua casa tem uma horta comunitária, o que ajudou a evitar o consumo de alimentos processados: ” Hoje em dia planto pimentão, tomate, pimenta. Já tive couve, cheiro verde. Isso ajuda meu bolso e o sabor é totalmente diferente do que seria caso comprado em supermercado. Como o que é da horta e o que eu planto”.

 O biólogo Lucas Silva Martins, explica como a atenção e a rotina de cuidado com as plantas se ligam à paz e ao prazer: “A harmonia que o ambiente verde traz pra casa, o trabalho e a dedicação no planejamento do cultivo, carregam as sensações pacíficas e de pertencimento, liberando serotonina e ocitocina, hormônios da felicidade. O conforto se dá pela aproximação do indivíduo com um lar notado com mais detalhe e disposição”. Ele também destaca as precauções que se deve ter quando há criança ou pet na casa onde muitas das plantas ornamentais vendidas comumente são venenosas. A Comigo-ninguém-pode, uma espécie bem fácil de ser encontrada, é uma delas, em contato direto com a pele pode causar irritação e se ingerido pode levar à óbito. A pesquisa feita antes de ter contato com a planta é o caminho mais seguro pra evitar incidentes. Uma grande saída pra quem quer manter essas ornamentais em casa são os jardins suspensos.

Dentre as tentativas para se manter em paz e a estimulação da esperança, o manejo das plantas se destaca por firmar o presente no presente e a certeza de que o tempo passa.

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