A POPULARIZAÇÃO DA CULTURA DE BALLROOMS

Movimento da cultura LGBTQ+ surgiu nos anos 70 e têm se popularizado bastante recentemente

Por João Pedro Bezerra

Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+ desde a Revolta de Stonewall, que levou centenas de pessoas a se rebelarem contra a violência policial do lado de fora de um bar LGBT de Nova York, em junho de 1969. Desde então, pessoas da comunidade LGBTQIA+ tem se reunido neste mês para reivindicar seus direitos. A cultura LGBTQIA+ tem influenciado ativamente a cultura pop mainstream que está presente em casas do mundo inteiro, e ainda assim, em 2021, nos deparamos com notícias de violência contra pessoas LGBT+ diariamente.

Fonte: Brasil De Fato

Com a necessidade da população LGBT+ negra e latina de possuir um lugar para poder expressar suas identidades fora da norma cis-hétero-branca – uma vez que não eram aceitos em locais “comuns” – surgiu a cultura Ballroom. Os Ballrooms são bailes e desfiles, em que pessoas LGBT+ se reuniam para competir em performances, desfiles e, sobretudo, para poder existir em totalidade. As performances foram uma forma que mulheres transsexuais, sobretudo negras, encontraram para poder esbanjar o glamour que tinham dentro de si e não podiam mostrar para o mundo. Homens gays também realizavam suas fantasias de performar feminilidade e foi assim que surgiu a cultura das drag queens, que se torna cada vez mais popular ate os dias de hoje.

Fotografia de Teresa Suárez

Além disso, as categorias eram diversas, de forma que todos LGBT+ poderiam se encaixar em alguma, seja performando ideais de feminilidade, masculinidade, usando roupas que denotam riqueza, luxo ou até mesmo normatividade, impersonando a forma de vestir e agir da elite branca dominante, que ocupavam espaços que a população negra LGBTQIA+ não podia ocupar.

Willi NInja e seus passos de flexibilidade em um bar de Nova York, 1988. (Fonte: Getty Images)

Vários aspectos da cultura pop que conhecemos hoje em dia foram originalmente criados nesse meio. A cantora Madonna, também conhecida como Rainha do Pop, fez seu nome baseado no estilo e atitude nascidos nos Ballrooms. O maior exemplo disso é a música Vogue, que escancarou a cultura ‘voguing’ e o cenário cultural LGBTQIA+ para os olhos do mundo inteiro, e acabou por se tornar um ícone na história da música pop.

Madonna no videoclipe de Vogue. (Fonte: MWA)

Porém, esse cenário cultural não é apenas sobre festas noturnas e apresentações deslumbrantes, é também sobre acolhimento e pertencimento. Na grande maioria das vezes as pessoas desfilavam nos bailes em nome de suas Casas, levando o troféu para suas “famílias”. As Casas dos ballrooms dos anos 80 serviam como lares para pessoas LGBTQIA+ que estavam em situação de rua, seja por terem sido expulsas de casa ou por outro motivo, e assim se formavam famílias, unidas pela identidade e pela exclusão. Essas casas tinham suas Mães e Pais, que agiam como líderes, acolhiam, alimentavam e treinavam seus “filhos”. Pepper Labeija, Angie Xtravaganza e Willi Ninja são exemplos de Mães de casas lendárias, cujos nomes perpetuam até hoje.

Estrelas do documentário Paris is Burning, mães e pais de Casas icônicas do Ballroom. (Fonte: Movie Still)

A cultura Drag Queen vem se popularizando cada vez mais desde os anos 90, tanto que hoje o Brasil possui várias cantoras drags famosas a nível internacional, como Pabllo Vittar e Glória Groove. Porém, a maioria das pessoas de fora do meio não era ciente acerca das origens desse movimento cultural até o lançamento da série Pose, que emociona com as histórias fictícias sobre as vidas de mulheres trans negras na Nova York dos anos 80, se baseando nas histórias reais do documentário Paris Is Burning, lançado em 1990.

Elenco de Pose. (Fonte: Divulgação)

            Hoje podemos ver diversas Casas pelo Brasil e pelo mundo que resgatam os padrões e o significado das lendárias Houses do século passado. Em Teresina, a Casa Di Monique faz seu nome com memoráveis performances na noite LGBTQIA+ teresinense, batalhas de poesia, Voguing e muitos outros projetos.  

Casa Di Monique. (Fonte: Geleia Total)

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