Programa Banco de Alimentos: o combate à fome e ao desperdício no Piauí

Iniciativa ajuda colocar alimento na mesa da população em situação de vulnerabilidade social e econômica

Por: Ananda Soares

Mais de um ano após o início da pandemia do coronavírus, muitas famílias brasileiras ainda lutam para sobreviver. De acordo com o estudo “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil”, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan),19,1 milhões de pessoas estão passando fome no país e mais da metade dos lares brasileiros sofrem com a insegurança alimentar.

Essa crise, também provocada pela desigualdade social e agravada pela pandemia, vem deixando marcas cada vez mais profundas. Ainda assim, enquanto milhões não conseguem colocar comida na mesa e frequentemente passam fome, há o desperdício sem precedentes que joga fora alimentos destinados ao consumo humano.

Desperdício de alimentos (Foto: Agência Envolverde)

Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) mostra que um terço dos alimentos do mundo é desperdiçado a cada ano. Reverter essa tendência preservaria alimentos suficientes para nutrir 2 bilhões de pessoas, ou seja, mais do que o dobro do número de pessoas subnutridas em todo o planeta. Com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é um dos principais produtores de alimentos do mundo e também um dos que mais desperdiçam comida: são 41 mil toneladas de comida jogadas fora todos os dias.

Para ajudar no combate à fome e evitar o desperdício de alimentos, a maior central de abastecimento do Piauí, Nova Ceasa, conta com o Programa Banco de Alimentos que ajuda entidades beneficentes de Teresina e municípios próximos à região. Com o programa, lançado em 2018, a central foi considerada um dos cinco melhores projetos do mundo no âmbito de Parcerias Público-Privadas (PPP), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Nova Ceasa (Foto: Governo do Piauí)

Em 2020, primeiro ano da pandemia, o Banco de Alimentos, localizado na zona Sul de Teresina (PI), distribuiu 250 mil quilos de frutas, legumes, verduras e cereais à população em situação de vulnerabilidade. Cabe destacar que todo alimento doado, antes da implantação do projeto, seria jogado fora. Um levantamento divulgado pela Nova Ceasa em 2017, um ano antes da implantação do Banco de Alimentos, apontou que os produtos desperdiçados no espaço dariam conta de alimentar três mil pessoas por dia.

Jorgenei Morais, gerente de Projetos Sociais da Nova Ceasa, relata que em três anos o projeto já arrecadou mais de 700 toneladas de alimentos. Tudo foi encaminhado para 23 instituições que prestam apoio às famílias carentes e idosos que vivem em Teresina, entre elas a Casa Frederico Ozanam, Lar de Maria, Abrigo Manaim, Fazenda da Paz, Projeto Avançar, Associação Movimento Mais Amor e Associação Muito Além de um Câncer (AMAC).

“É uma satisfação muito grande. Nós temos a certeza que estamos combatendo a fome, evitando e diminuindo o desperdício e estamos contribuindo para um mundo melhor e um ambiente mais preocupado com o outro”, diz. Jorgenei menciona que o Banco de Alimentos funciona como uma ponte que interliga quem pode ajudar aos que necessitam de apoio. Com a pandemia, o projeto ganhou doações externas e até grupos de voluntários atuando em diversas causas solidárias. “Até aqui, neste período específico da pandemia, já foram distribuídas mais de 10 mil cestas básicas, kits de alimentos, kits de higiene, roupas e agasalhos. Aqui [sede da Nova Ceasa], até serviço psicológico e médico se transforma em doações e nós estamos de braços abertos para receber todas as contribuições que possam dignificar a vida humana”, relata.

Cestas básicas doadas através do Banco de Alimentos (Foto: Governo do Piauí)

Uma das entidades beneficiadas com alimentos é a Fazenda da Paz, um local que presta assistência a quase 200 dependentes químicos em Teresina. Célio Luiz Barboza, um dos fundadores da instituição, informa que o comprometimento com a saúde e bem-estar da comunidade da Fazenda recebe reforço semanal do Banco de Alimentos.

“Toda semana a Fazenda da Paz recebe alimentos de qualidade para ajudar nas refeições dos acolhidos, como almoço, jantar e café da manhã. Nós recebemos boas frutas, legumes e temos acompanhamento e participação da Nova Ceasa com as visitas para acompanhar a distribuição e alimentação feita com os produtos doados”, informa.

Outra entidade beneficiada é a Associação Movimento Mais Amor, localizada no bairro Vila Irmã Dulce. O movimento atende atualmente mais de 150 famílias em situação de vulnerabilidade do bairro. Os alimentos doados à instituição são produtos como frutas, legumes, verduras e cereais que permissionários da nova Ceasa separam ao final da feira.

No Mais Amor, eles chegam à mesa de famílias como de Ivone Ferreira. Desempregada e com três filhos, ela sentiu mais dificuldade de garantir a refeição dos filhos no ano de 2020. “Só com o Bolsa Família é difícil sustentar três crianças em casa. Enfrentamos dias difíceis, mas contamos com solidariedade do movimento do bairro e também com doação de vizinhos. São coisas de qualidade. Cestas básicas, frutas, verduras e o que deixa a gente mais tranquila aqui em casa”, diz Ivone.

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