Transtorno Alimentar: refém do próprio corpo e mente

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os TAs (Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Compulsão Alimentar) afetam cerca de 4,7% da população brasileira.

Por Roberta Laurindo

Fonte: Reprodução/Google

Todos os anos, no dia 2 de junho, é comemorado o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares. Este dia foi criado para expandir a conscientização global sobre os transtornos alimentares como doenças tratáveis, e seu objetivo é dar uma atenção especial ás pessoas que sofrem com este transtorno.

Em tempos de rede social, com a cultura da magreza e modismo de dieta, muitas pessoas ficam mais vulneráveis a desenvolver problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. No entanto, além destes, também há o risco de desenvolver um transtorno alimentar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares afetam cerca de 4,7% da população brasileira.

O tema ainda é esquecido, e muitas vezes omitido e até menosprezado perante a sociedade, que algumas vezes até dizem que é “frescura”, mas os Transtornos alimentares (TAs) são problemas sérios, e que podem afetar qualquer pessoa independente de etnia, idade, gênero e podendo levar a um prejuízo no funcionamento social, acadêmico, ocupacional, tanto do portador, quanto de toda a família.

“Existe um grupo de doenças psiquiátricas chamado de transtornos alimentares. São caracterizados por uma perturbação persistente alimentação ou no comportamento relacionado ao alimento, como resultado altera-se o consumo ou na absorção de alimentos. Os três principais tipos são a Anorexia Nervosa, a Bulimia Nervosa e o transtorno de Compulsão Alimentar. Este último é o mais frequente e pode acometer até 3% da população geral”, explicou a Psiquiatra Bárbara Hamedy.

Detalhamento dos tipos de transtornos alimentares.

Convivendo com o Transtorno Alimentar

A Publicitária Lenna Maria tem um perfil no Instagram (@lennamaria) dedicado ao empoderamento e ao amor próprio. Dos 12 aos 18 anos ela conviveu com a anorexia e bulimia nervosa, além da compulsão alimentar. Atualmente ela tem 22 anos.

Em seu blog no Instagram, ela incentiva outras pessoas a se amarem do jeito que são, além de promover a conscientização sobre os Transtornos Alimentares utilizando a sua própria experiência.

“Lembro que olhar no espelho era a pior coisa do mundo, e ter que comer era uma verdadeira tortura. Eu só queria ser magra, afinal se for para morrer pelo menos estaria bonita. Falar esse tipo de coisa hoje em dia parece tão ridículo mas eu realmente pensava assim. A sociedade te ensina a vida toda a se odiar por ser você, te faz querer entrar em um padrão impossível de ser alcançado e não vai ser do dia para noite que vai melhorar”, relatou Lenna.

Lenna Maria quando tinha 15 anos e sofria com os transtornos alimentares. Foto: Arquivo pessoal.

Lenna ficava vários dias e horas sem comer com o objetivo de emagrecer, e fazia tudo que fosse preciso para atingir seu objetivo de peso. Quando comia, era de forma demasiada, e após isso, vomitava tudo o que comeu como forma de compensação, além de usar laxantes e fazer exercícios físicos exagerados.

A Publicitária só percebeu que precisava de ajuda porque sua mãe notou que havia algo de errado com o comportamento da filha.

“Meu cabelo já estava caindo muito, não sentava mais na mesa com a família, não saia de casa para nada, mentia que já tinha comido… Foram várias situações de sofrimento até realmente ter aceitado que precisava de ajuda. Minha mãe me levou para fazer terapia, fui no psiquiatra e em nutricionista para fazer o tratamento. Hoje em dia eu continuo fazendo esse acompanhamento com nutricionista e com remédios”, disse Lenna.

Atualmente, após a recuperação, Lenna se sente livre para ser ela mesma e sem medo do seu próprio corpo. Foto: Reprodução/Instagram @lennamaria.

É essencial buscar o tratamento

A Psiquiatra Bárbara Hamedy alerta que o isolamento social durante a pandemia contribuiu para o agravamento de distúrbios alimentares.

“O impacto da pandemia foi significativo na saúde mental, no comportamento alimentar observou-se piora na qualidade e quantidade dos alimentos ingeridos, relação errada com a comida, maior tempo de exposição às redes sociais e o próprio estresse como fator desencadeante”

Por ser uma doença mental, não há como evitar o surgimento. Existem alguns fatores de risco que predispõem para que um indivíduo desenvolva o transtorno. Podemos citar a obesidade na infância, ser do sexo feminino, histórico familiar de transtorno alimentar, rigidez familiar, perfeccionismo e intensa autocrítica.

“Esses transtornos são doenças graves que se não forem tratadas adequadamente e precocemente, evoluem com complicações clínicas graves e potencialmente fatais, além de enormes prejuízos nas atividades cotidianas, nos relacionamentos e na qualidade de vida dos pacientes. Se tratadas precocemente, a maioria das pessoas se recupera. É fundamental a presença de equipe multiprofissional. Os pilares do tratamento são controle de riscos, suporte nutricional adequado, tratamento dos sintomas e manutenção e prevenção e recaídas. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver uso de medicamentos”, adverte a Psiquiatra Bárbara Hamedy.

Um comentário

  1. Amei ter participado, não é fácil mas com ajuda a gente consegue! você não tá sozinha e a comida não é sua inimiga, a vida pode ser muito mais doq ana/mia viver em busca de uma perfeição inalcançável
    espero que ajude outras pessoas

    Me acompanhe no insta @lennamaria
    tô sempre falando sobre meu processo de amor próprio lá, vamo juntas?

    Curtir

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