Do machismo à prevalência do salto alto

O futebol feminino na desconstrução do esporte para macho

Por Matheus Silva


Sabe-se que o atual cenário político, econômico e ideológico no Brasil, caminham lado a lado com a desigualdade de gênero. Como principal exemplo de tal evento, notamos a falta de implementação de políticas públicas que favoreçam ou que tentem atenuar tais problemas na sociedade. Dentro do esporte, por exemplo, há uma continuidade em dezenas de problemáticas acerca de minorias que procuram sobreviver em meio ao caos da política exercida.

No Futebol feminino há diversos fatores historicamente conquistados que muitas vezes servem como argumentação ou de certa forma, “desculpas” empobrecidas para explicar correntes preconceituosas: “ O que é um impedimento?”, “Você tão feminina não pode jogar futebol”, “futebol é coisa de macho”, “toda mulher que bate bola, ou é macho disfarçado ou é sapatão”.

De fato os avanços que a humanidade vêm conquistando através da tecnologia, disseminação de informação, processos legislativos, como a Lei Maria da Penha e ou a queda do decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941, no qual proibia a prática do futebol feminino no Brasil, impulsionaram grandes campeonatos da modalidade a serem reconhecidos mundialmente. Assim como relata Nayara Venâncio, jogadora do time feminino de futebol da OAB-PI (LIDE): “É fato que não se muda a cultura do dia para noite e sem visibilidade. Acredito em políticas afirmativas: obrigatoriedade de transmissões em TVs abertas de campeonatos femininos, regulamentação para jogadoras profissionais e assim por diante”

Partindo da exposição mencionada o mundo sub-jugado do futebol feminino, sobretudo o Piauiense, se apresenta como forte correntista no combate ao machismo estereotipado para com o esporte em específico. Segundo a técnica piauiense de futebol feminino de Passagem Franca, Vitória Régia, o futebol feminino é mais do que a separação de gênero, ele é o futebol bonito para ver, organizado e de superação a cada dia.

O Campeonato Piauiense de futebol feminino contou no ano de 2019, entre primeira e segunda divisão com cerca de doze times profissionais que lutaram para o reconhecimento do esforço que as atletas e comissão técnica dispunham sobre o esporte em si.

Segundo pesquisadores as noções e os domínios [que as meninas têm] do seu corpo em relação ao tempo, espaço e objetivo já vêm marcados “pelos signos” tatuados durante o processo de socialização, isto segundo Romero em sua obra. Assim, pode-se dizer que a dificuldade de aprendizagem do futebol pelas meninas é resultante do nível inferior de desenvolvimento das habilidades requisitadas para a prática desse esporte. Dessa forma vemos que o processo de delimitação de estereótipos masculinos e femininos vêm seguindo um protocolo histórico e que culminou na criação do contexto cultural.

Futebol Feminino e  Resistência

“Nós vivemos o futebol feminino da melhor forma possível”, afirma a jogadora, Eliene Sousa dos Santos. Além do estereótipo enfrentado pela mulher que “joga bola” as desigualdades em torno da prática ainda hoje rodeiam o futebol feminino e o Piauí não fica de fora dessa realidade. Apesar do avanço e das conquistas realizadas em meados do século no XIX a situação da prática feminina não melhorou com o tempo, o futebol feminino carrega até hoje as marcas de uma alarmante falta de investimento e visibilidade.

Imagem: hojeemdia.com.br

“Uma das maiores dificuldades, hoje, dentro da modalidade do futebol feminino para esse reconhecimento de igualdade de gênero é a questão das competições. No Piauí até o ano de 2016, de competições só existia a “Copa Batom” e o “Campeonato Estadual” as duas no segundo semestre. Em 2017 com muito esforço nós recorremos aos dirigentes e realizamos a “Taça Bola Mulher”, que hoje é a maior do Estado”, explica o Treinador e Presidente da Associação esportiva Skill Red, Herbert Viana.

O Brasil é considerado o País do Futebol, porém menos de 1% do orçamento dos clubes brasileiros é investido no futebol feminino, as premiações são menores e a cobertura midiática é praticamente inexistente.

O reflexo negativo que a modalidade feminina traz até hoje é reflexo de uma sociedade machista e de uma construção cultural totalmente preconceituosa, no qual se perpetua um abismo de desvalorização e desigualdades, que em pleno século XXI, ainda não foram superadas.

“Não temos o apoio necessário, a visibilidade merecida e a igualdade que tanto buscamos. É difícil manter a prática na modalidade feminina, pois nós procuramos dia-a-dia ajuda financeira para manter o esporte. Nos falta patrocínio, nos falta campo para treinar, falta igualdade”, finalizou a jogadora Eliene Sousa dos Santos.

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