Cuidados com a saúde em tempos de pandemia: Consultas e diagnóstico como fatores preventivos

Por: Fátima Thaís

Com o distanciamento social e a recomendação de isolamento impostos pela pandemia da Covid-19, muitas pessoas ainda sentem receio de ir ao médico e se contaminar. No entanto, adiar essa ida pode trazer muitos malefícios, principalmente em pacientes com doenças como diabetes, hipertensão e cardiopatias – as denominadas doenças crônicas. Dados da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) revelam que durante abril e maio de 2020 cerca de 59,4% dos pacientes tiveram piora do quadro da doença.


A ausência de atenção primária – Primeiro nível de atenção à saúde focado na prevenção individual e coletiva – é um dos fatores que agravam a saúde dos pacientes segundo André Gonçalves, endocrinologista. “As principais causas de mortalidade da população brasileira, em especial a população acima dos 40 anos, são causas evitáveis.  A partir da detecção de fatores de riscos por meio da atenção primária conseguimos tratar de forma antecipada, diminuindo custos para a saúde e o grau de complicação para essas pessoas. O que se torna interessante para a saúde pública, pela redução de custos, como do ponto de vista individual, pois são menos pacientes que serão acometidos com doenças graves”, relata o especialista.

O aposentado José Bonifácio, de 68 anos, faz parte desse quadro e afirma sentir dificuldade na marcação de consultas devido à alta demanda ocasionada pela pandemia

“Já sentia dificuldade em marcar consultas porque as filas de espera costumam demorar meses, mas esse covid piorou a situação, percorri vários postos de saúde e só era mais encaminhamentos. Estou nessa há quatro meses e não sei quando vou ter tratamento para as dores que ando sentindo”, conta o aposentado.

Assim como seu José, Vera Lúcia, 48 anos, sofre com a espera para marcação de exames e conseguir operar sua visão.

“É um sofrimento, estou quase com perca total de visão e não consigo uma vaga para operar, porque não consigo fazer exames sem a ajuda do SUS e particular não tenho condições”, reitera.

Outro dado preocupante é que com a ausência nas consultas médicas muitos adiam exames marcados. Segundo pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) , 58% decidiram adiar ou fazer com menor frequência os exames durante o período da pandemia. Apenas 1% aumentou esta frequência e 41% disseram não ter mudado esta rotina.

“A influência da realização de exames médicos depende muito do paciente em questão, paciente jovem, saudável, mesmo sem nenhum fator de risco para alguma doença devem fazer exames pelo menos uma vez ao ano. Pacientes que já tem algum fator de risco, histórico familiar proeminente ou alguma doença prévia que aumente o risco de outras complicações devem fazer com uma menor frequência”, ressalta o endocrinologista André Gonçalves. 

Após um ano de evolução da pandemia da Covid-19 no Brasil, como pacientes com doenças crônicas podem ser suscetíveis a quadros graves da doença, gera medo e insegurança na população. Mas o cuidado segue essencial “Se os pacientes têm o cuidado, mas acabam evitando o atendimento médico os pacientes tendem a complicar suas doenças crônicas e acabarem mais frágeis e expostas a casos graves”, finaliza o endocrinologista.



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