As sequelas e tratamentos pós-covid-19

Estudos e pesquisas investigam os possíveis efeitos do coronavírus em pacientes curados.

Por Arnaldo Silva e Glayciane Costa

Desde que a pandemia do novo coronavírus começou, novos sintomas causados pela doença vêm surgindo consideravelmente. Não é apenas durante o período de contaminação que a covid-19 pode manifestar reações no organismo.

Gracelia Silva, fisioterapeuta, ressalta que embora ainda não tenha estudos conclusivos sobre a extensão das sequelas da Covid-19, a prática já mostrou que uma parcela significativa dos recuperados continuam necessitando de fisioterapia, principalmente respiratória, por um longo tempo após a desospitalização.

Como é o caso da Maria de Lourdes Alves Bezerra, de 41 anos, atendente de telemarketing, que testou positivo para a covid-19, no dia 05 de maio de 2020. Ela conta que sentiu fraqueza, dores de cabeça, falta de apetite e entre outros sintomas. Maria de Lourdes chegou a ser internada por 15 dias em estado crítico, respirando com a ajuda de aparelhos.

Um mês após ter se curado da covid-19, ainda em isolamento, Maria de Lourdes começou a ter queda de cabelo, sentir constantes tonturas, dores de cabeça diariamente e ainda problemas na visão. Além disso, devido ao uso de medicamentos, ela conta que teve aumento de peso.

Das sequelas psicológicas, Lourdes teve síndrome do pânico e depressão. “Quando tive alta fiquei em isolamento por mais um mês, foi muito difícil a saudade, a sensação de abandono, de tristeza, de se sentir esquecida, e que podia ficar doente novamente foi muito difícil”, contou Maria de Lourdes.

Yuri Chaves, dermatologista, explica sobre a queda de cabelo associada à covid-19 e ressalta que essa patologia também acontece em outras infecções. “A queda de cabelo é chamada de eflúvio telógeno. É uma queda de cabelo que acontece em outras infecções como dengue, zica, Chikungunya. É uma forma de poupar energia do corpo, pois o corpo faz com que vários fios de cabelo que estão na fase de crescimento, o corpo manda uma boa parte desses fios para a fase de queda. Para poupar energia esses fios passam abruptamente da fase de crescimento para a fase de queda”, explicou.

Apresentando sintomas como dificuldades para respirar e dores de cabeça, Hyanna Beatriz, de 27 anos, é assistente social e teve covid-19 em julho de 2020. Após dois meses do resultado positivo para o novo coronavírus, Hyanna conta que começou a sentir uma sensação de bolo na garganta. “Depois de uns 2 meses eu comecei a criar um bolo na minha garganta que sempre tenho que colocar algo pra fora”, ressaltou.

O estudante Bruno de Sousa Jacobina, de 22 anos, teve covid-19 no final de dezembro de 2020. Dor de cabeça, cansaço, falta de ar, diarreia e febre foram alguns dos sintomas que ele relata ter sentindo. Bruno conta também que teve dor de cabeça constante por 20 dias. “Passei a ter dor de cabeça por 20 dias sem parar, cansaço com atividades simples, perca do olfato por mais 4 dias”, contou.

Todos os diagnosticados com a covid-19, que entrevistamos para essa matéria relataram a falta de olfato e paladar, um dos sintomas mais comuns provocados pela doença. A estudante Anny Roberta, de 15 anos, teve covid-19 em outubro de 2020, mesmo após ter se curada da doença, ela relata que o olfato ainda não voltou, e que constantemente sente cheiros estranhos.

O otorrino Tiago Luís, explica sobre o que provoca a falta de ambos os sentidos. “O vírus pode ter predileção pelo epitélio olfatório, que localiza-se no nariz, causando alterações inflamatórias locais. Como o paladar depende muito do olfato para funcionar, também fica bastante alterado por exemplo, quando se está com o nariz muito entupido, pode haver alteração do paladar”, explicou.

Tiago Luís enfatiza que, as alteração do olfato costuma demorar de 1 a 3 semanas para resolver. “É essencial que busque um otorrino para uma consulta. As vezes o olfato não retorna completamente ou não retorna de jeito nenhum, e existem tratamentos já disponíveis com excelentes resultados para esses casos”, destacou.

SP – SAUDE/COVID – GERAL – Foto conceito do vírus da COVID-19 (novo coronavírus) e raio-x do pulmão. Foto em silhueta. 11/04/2020 – Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Especialistas e cientistas da área médica do mundo todo seguem investigando os possíveis efeitos do coronavírus em pacientes curados. A fisioterapeuta, Gracelia Silva, reforça a importância da fisioterapia nesse período. “A nível hospital o auxílio da fisioterapia visa diminuir a necessidade de medicamentos, risco de sequelas. Além de fortalecer a musculatura esquelética e a perda de massa muscular durante o período de internação. Neste período o papel da fisioterapia é crucial para atenuar os sintomas cardiorrespiratória decorrente da doença”, finalizou.

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