A pandemia e a possibilidade do novo

Artistas buscam alternativas para driblar a crise econômica ocasionada pela pandemia da Covid-19

Por Lukano Lima e Thais Alves

A pandemia mudou a rotina de todos, o trabalho foi ressignificado e o atual contexto fez com que a maioria dos trabalhadores se reinventassem e no mundo artístico não foi diferente. Em junho de 2020, após fortes mobilizações sociais do campo artístico e cultural brasileiro, a Lei Aldir Blanc foi sancionada pelo Presidente Jair Bolsonaro, garantindo uma renda emergencial a profissionais do setor cultural, como artistas, contadores de histórias e professores de escolas de arte.

Ao mesmo tempo em que os espaços culturais precisaram adotar o fechamento como medida de combate ao vírus, os artistas têm buscado alternativas e inovações para se manterem conectados com o seu público e conseguirem uma renda mensal, já que o valor oferecido pelo governo não supri as necessidades dos profissionais do setor cultural.

Segundo a artista plástica Eulália Pessoa, autora da série de telas “Mulheres”, o isolamento social causado pela pandemia é muito triste e trouxe consequências que  ainda não podemos avaliar. A artista afirma que as redes sociais têm sido uma grande aliada nesse momento e acredita que continuará assim: “ Tenho um catálogo digital onde estão todas as minhas telas disponíveis para vendas. Quando alguém se interessa, eu envio, a pessoa decide e fazemos a entrega seguindo os protocolos de saúde e segurança para a proteção de todos. A divulgação virtual é bem mais rápida e tem sido uma experiência bem positiva.” 

Eulália Pessoa e suas obras em seu ateliê.   Foto: Instagram

Já para a curadora de arte e artista plástica  Luciana Leite, mais conhecida no mundo artístico como  Lu Rebordosa, não tem sido fácil lidar com as redes sociais para a divulgação dos seus trabalhos: “Eu sempre tive muita dificuldade em vender o meu trabalho nas redes sociais, a reinvenção em termos de mercado foi zero, agora que eu estou fazendo umas mentorias e pensando um pouco mais sobre isso, depois de um ano”.  A artista completa que dentro dessa perspectiva do mundo virtual a grande reinvenção que não foi necessariamente voltada para vender e sim para mostrar e compartilhar são as lives:

“Live painting: arte, afetos e resistência,  foi um projeto em que eu convidei artistas do Piauí e de outros lugares. Esses encontros foram extremamente importantes, pois a partir desses momentos de trocas, eu ia produzindo ao vivo e essas obras podiam ser compradas. As pessoas acompanhavam não só a arte feita, mais também a criação e isso gerava um feedback muito massa”.

Lives Paintings realizadas pela Lu Rebordosa.   Foto:Instagram

Este ano o festival “Artes de Março” do Teresina Shopping, também precisou se adaptar ao atual contexto. Com o tema “Nossas Raízes”, o festival abriu espaço para exposições de artistas e suas múltiplas expressões culturais. 

Segundo César Rodrigues, gerente de Marketing do Grupo da Claudino, as principais mudanças adotadas foram as transformações dos corredores do shopping em uma galeria de artes, a não realização de shows musicais e a utilização do meio digital para votação e exposição virtual: “ Respeitando o momento ainda de pandemia, o evento foi pensado para a valorização da cultura local, seguindo todos os decretos e recomendações sanitárias. A internet foi uma grande aliada na divulgação do festival. Nas redes sociais e site do Teresina os visitantes acompanharam toda a programação, detalhes das obras expostas, além de participarem de uma votação on-line”.

Cartaz de divulgação do evento Artes de Março.    Foto: Teresina Shopping

Em meio à crise causada pela pandemia da covid-19, as atividades artísticas estão entre as 10 atividades econômicas mais impactadas e mais atingidas pelas restrições recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Dados da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Produtividade do Ministério da Economia (Sepec/ME) divulgados, no Diário Oficial da União (DOU), listam os setores econômicos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus.

A lista foi elaborada considerando a relevância do setor na economia e do faturamento de cada setor, segundo dados da Receita Federal e de acordo com as Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As atividades artísticas e de transporte aéreo lideram o ranking de atividades mais prejudicadas, seguidas por transporte ferroviário e metroferroviário de passageiros.

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