Aumento do preço médio da cesta básica no Brasil

(Pesos além da balança.)

Por Eliane Carvalho e Vanessa Kelly

Prato e barrigas vazias. Fonte: Eliane Carvalho.

O arroz e o feijão, base da alimentação da população do país, e outros produtos alimentícios subiram de valor ao longo do ano de 2020, forçando o consumidor a se adequar a essa nova realidade de custos. O arroz, por exemplo, comprado em média a 15 reais, chegou a custar 30 reais em vários estabelecimentos; o dobro do valor anterior à pandemia. Com a valorização do dólar, o impacto no preço desses produtos cresceu consideravelmente. Para Paula Rodrigues, atualmente desempregada, essa mudança de perspectiva pesou. De acordo com a consumidora, os produtos base da alimentação do brasileiro estão bem acima do esperado.

“Toda a lista de produtos que necessitamos foi refeita para que se adequasse com o valor que temos para pagar. O arroz e a carne, sem dúvidas, foram os que mais tiveram uma alta absurda. É um momento difícil e delicado para todos e algumas pessoas se aproveitaram dessa fragilidade para obter mais lucros em cima da população. Houve uma alta absurda de valores em todos os setores do mercado.”

O açúcar, que custava em média 2,62 R$, passou a custar 3,59R$; a carne bovina, de 25, 88 R$, hoje está a 32 reais; a batata inglesa, de 3,17R$, passou a custar 5, 50R$; e o feijão, de 5, 21, passou a custar 6, 99R$. Para entender melhor essa questão, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) fez uma pesquisa em relação ao custo médio da cesta básica no Brasil com resultados mensais do ano de 2020.

Fonte: Eliane Carvalho.

O porquê do aumento?

Para saber o porquê do aumento, é preciso entender um pouco da trajetória da economia brasileira que passou por crises intensificadas nos anos anteriores. Segundo professor e chefe do departamento de economia Pancrácio Carvalho, a demanda está maior e, com o dólar favorável para exportação, o produtor prefere vender para os outros países, porque ganha mais e isso influi no acréscimo dos custos no mercado interno.

“Já que o dólar estava favorável e tinha demanda favorável e nós não conseguimos controlar bem a  pandemia relaxamos de alguma forma, outros países conseguiram  controlar e atuaram de maneira melhor; então, eles continuaram comprando do Brasil. Com o dólar mais alto, é melhor você vender para fora, porque remunera mais então o produtor brasileiro começa a vender mais principalmente produtos como óleo, tendo impacto também na carne e diversos outros produtos dessas cadeia global ligada soja e outros comodities. Então isso fez com que ocorresse o aumento dos preços internos dos alimentos.”

Ele ainda afirma que para ocorrer a diminuição dos custos, o Brasil terá que fazer um reequilíbrio da oferta interna com a demanda e para isso será necessário o produtor reequilibrar o cultivo das safras no país. A perspectiva para esse ano de 2021 ainda não é uma das melhores.

Fonte: Eliane carvalho.

Qual parte da população é mais afetada?

Em 2021, o preço da cesta básica continua alto o que atinge a população em geral. Entre os mais afetados ficam os indivíduos de classes sociais mais baixas, como afirma Leonardo Silva, vigilante.

“Esse aumento vai diretamente no bolso do consumidor. A sociedade já não está legal financeiramente e vai automaticamente pesar para os mais pobres, os mais necessitados influenciando diretamente.  Eu acho um absurdo, não seria hora para aumento vivemos em uma pandemia onde muitos e muitas estão desempregados.”

De acordo com dados do IBGE, a inflação fechou no ano de 2020 em 4, 52%, bem acima da meta do governo para esse ano. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que regula a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pela população, aponta que os mantimentos tiveram alta de 12, 14%. Para Samuel Costa, professor de macroeconomia e economia monetária, mestre em teoria econômica e doutor em políticas públicas, as pessoas percebem esse aumento.

“Nos índices de inflação do Brasil no ano de 2020 e início de 2021, é possível verificar que o preço dos alimentos tem se elevado muito e as pessoas quando vão aos supermercados percebem isso questionam esses índices.”

Segundo ele, a inflação para quem ganha de um a dois salários mínimos pessoas que tem maior peso no consumo de alimentos é muito mais elevada. O professor afirma que esse apontador não tem a aumentar durante o ano de 2021 e explica o porquê disso.

“Embora os preços dos alimentos estarem nesses níveis elevados por causa do modelo brasileiro este que procura produzir comodities ou produtos alimentícios para o exterior, os valores são muito influenciados pelo câmbio e também pelo preço internacional.”

O professor ainda coloca outro fator além do modelo brasileiro de exportação que seriam os governos, em especial o atual, que ao longo dos anos acabou com a política de estoques reguladores, quando nas safras comparavam em grande quantidade esses produtos para no período de escassez colocar no mercado e com isso os custos não se elevassem. E frisa o que acontece com a população mais pobre em relação a isso.

“Nessa realidade, são justamente as classes que ganham menos uma característica da população do Piauí que no máximo ganha até três salários mínimos, esse fator vai continuar repercutindo fazendo com que essas pessoas percam muito poder aquisitivo e não possam estar comprando outros produtos além dos da cesta básica.”

Fim do Auxílio Emergencial

A ajuda de custo para trabalhadores informais, microempreendedores, autônomos e desempregados oferecida pelo governo federal, para diminuição dos efeitos da crise pandêmica de covid-19, chegou ao final em dezembro do ano de 2020. Com valor inicial de 600 reais, as últimas parcelas entregues à população foram de 300 reais. A universitária e consumidora, Roberta Laurindo descreve esse cenário.

“Com a retirada do auxilio emergencial, com certeza, a população vai ser bastante afetada, pois muitos perderam o emprego durante a pandemia e só tinham o auxílio como a única fonte de renda e agora só Deus sabe o que vai ser dessas pessoas. Como consumidora eu digo que alguma providencia deve ser tomada o mais rápido possível para tentar barrar o aumento desses preços.”

Com esse acréscimo nos produtos alimentícios, a população busca se reorganizar e se adaptar como pode. Porém, esse cenário de pandemia dificulta essa questão, principalmente pelo desemprego, que reforça ainda mais a falta de recursos, fazendo com que se diminua a qualidade de vida da população.

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