Os desafios do empreendedorismo para mulheres negras

Por Celeste Ribeiro e Airton Lima

No Brasil, cerca de 52 milhões de pessoas possuem o próprio negócio, segundo dados do levantamento da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) divulgados pelo SEBRAE. Empreender é um dos sonhos do brasileiro, especialmente entre as mulheres, que desejam através do próprio negocio conseguir estabilidade e independência financeira.

Mesmo com o fechamento de milhares de empresas devido ao isolamento social da pandemia, as mulheres empreendedoras vão fechar este ano com um crescimento de 40% no empreendedorismo feminino. Em maior número na faixa etária de 22 a 35 anos, 54% das mulheres decidiram neste ano abrir uma nova empresa ou investir em negócios voltados a serviços, principalmente na alimentação, beleza, estética e moda.  Os dados são da Rede de Mulheres Empreendedoras, criada em 2017 e que hoje atende mais de 500 mil mulheres cadastradas com orientações, desde como abrir uma empresa até se fortalecer no mercado de atuação.

Segundo os dados do StartSe, existem 24 milhões de mulheres donas do próprio negócio no País. Isso leva o Brasil ao sétimo lugar no ranking mundial de novos negócios.

Foto Reprodução / Sebrae

Os dados mostram que o nível de escolaridade entre mulheres é 16% maior que o de homens. Porém, apesar do nível de escolaridade mais elevado, elas enfrentam maiores dificuldades e ganham cerca de 22% a menos que os homens. Essa diferença é ainda maior entre mulheres negras. 

•             MULHERES NEGRAS

Para compreendermos um pouco melhor essa diferença, precisamos entender que historicamente a mulher negra possui uma vivência diferente da mulher branca. Em um aspecto social, ela sofre duplamente: por ser mulher em uma sociedade machista e também por ser negra e viver em uma estrutura racista. Há estudos que mostram que a probabilidade da mulher negra ser afetada pelo desemprego é 50% maior do que nos outros casos. Esse dado é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e traz esse cenário de discriminação racial no Brasil.

Mariana Costa, estudante de comunicação social na Universidade Federal do Piauí e empreendedora na área de marketing, explica como é o seu dia a dia no mercado de trabalho. “Pra falar um pouco sobre como é ser mulher negra e trabalhar com esse tipo de coisa(marketing), eu posso falar que preconceito existe em qualquer lugar, seja você trabalhando em uma construção civil ou em qualquer outro ambiente, sempre vai existir a questão do preconceito. Mas falando da minha experiência, eu nunca sofri grandes demonstrações de racismo no meio em que eu trabalho, mas sempre tem aquelas pessoas que acham que você faz de tudo menos o seu trabalho, pela cor da sua pele ou pelo modo que você se veste. Sempre vai existir aquela pessoa que vai achar que por você ser negro ou porque você é de um determinado fenótipo, você não pode estar ocupando aquele cargo, fazendo aquele trabalho, eles acham que aqueles espaços são para outras pessoas.”

•             OPORTUNIDADES

Os setores brasileiros que tiveram maior crescimento por parte das mulheres negras, segundo o Sebrae, foram os do ramo da beleza e alimentação. Esse crescimento nesses setores, e em especial no setor de beleza (roupas, cosméticos e perfumaria), se dá pelo reconhecimento dessas mulheres e a dificuldade que a população negra tem de encontrar produtos próprios, seja para o cabelo, pele ou para o seu corpo. As empreendedoras negras em sua maioria lutam para atender um mercado que quase sempre é esquecido pelas grandes marcas.

•             FEIRA PRETA

Como medida para tentar diminuir a desigualdade existente entre empreendedores negros e brancos, anualmente em São Paulo acontece a Feira Preta, um evento destinado a empreendedores negros de todo o País para incentivar e alavancar micros e pequenas empresas. A feira teve esse ano a sua 19º edição, do dia 20 de novembro ao dia 10 de dezembro. Devido à pandemia da Covid-19, o evento esse ano aconteceu de forma on-line e foi transmitido por diversas plataformas como Youtube e Instagram. A Feira Preta é atualmente o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina.

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