A abstenção eleitoral no Brasil devido à pandemia da Covid-19

Por Daniel Victor e Iago Mendes

IMPACTOS NA DECISÃO DO VOTO EM 2020

Devido à pandemia do novo coronavírus, o número de abstenções dos votos nas eleições cresceu nesse ano, sem precedentes (desde 1996). O ano de 2020 foi um ano difícil para os políticos, pelas restrições de ir às ruas pedir voto. Por outro lado, também, para os eleitores a decisão de votar em um candidato se limitou ou, pelo menos, o receio do eleitor aumentou. Isso porque, nas eleições desse ano, o eleitor deveria saber com antecedência em quem votar .

Segundo números divulgados pelo TSE, foram cerca de 34,2 milhões de brasileiros que deixaram de votar este ano. O número foi maior nas regiões Sul e Sudeste, e nas grandes cidades. Quanto a sexo, as mulheres foram as que menos compareceram aos votos (Fonte: Agência Senado).

Mas seria a dúvida em relação ao vírus ou desinteresse em cumprir o dever de cidadão e votar? Seria a falta de opções em quem votar?

O fenômeno é chamado de alienação eleitoral, por alguns especialistas no assunto. Um dos potencializadores do número de abstenções nesse ano foi a população maior de sessenta anos ou grupo de risco, denominado assim por causa da pandemia do Covid-19.

Mesmo com o impasse da pandemia, as campanhas ocorreram, mas foram meses de preparação de ideias para mostrar aos eleitores. Contudo, isso não tirou o foco dos que estavam preparados e decididos em votar. O presidente do TSE,  o ministro Luís Roberto Barroso, informou o número de eleitores, que mesmo em plena pandemia, cresceu, especialmente no estado do Amazonas, onde ultrapassou de 2 milhões eleitores. Porém São Paulo continua sendo o maior colegiado eleitoral, com mais de 33 milhões.

Nesse ínterim, nas eleições nos EUA, sem obrigação de votar, houve recorde de votação. Foram cerca de 160 mil de eleitores, quase 66,7 % dos eleitores registrados no País.

Maria Soares, de 71 anos, professora aposentada da  Universidade Federal do Piauí, falou um pouco de sua experiência de votação nesse ano sobre a sua abstenção de voto nessas eleições. Maria não votou nem no primeiro nem no segundo turno, por medo de se contaminar com o vírus, receando que isto lhe trouxesse consequências ruins.

Para o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto Vox Populi, em entrevista ao Senado, não foi somente o desinteresse político que gerou o número de abstenções, mas também o atual modelo eleitoral, que limita o engajamento cidadão desde o primeiro turno. Ele explica que, com o quadro de dificuldades gerado pela pandemia, muitos eleitores não se informaram, devido à dificuldade de acesso à internet.

A estudante Carolina Soares, de 25 anos, também falou um pouco sobre sua decisão em não votar nesse ano; inclusive, é o seu primeiro ano que não vota. Segundo ela, a pandemia a influenciou a não votar no primeiro turno, por medo de se contaminar com o vírus da Covid-19. Já no segundo turno, ela decidiu não votar por desencanto com os candidatos, que, na opinião dela, não a representavam.

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