O impacto da pandemia na saúde mental das crianças

FOTO: Envato Elements

A vida de milhares de crianças mudou desde o aparecimento do novo coronavírus, pois, com a pandemia, a sociedade teve que entrar em isolamento social para evitar a disseminação do vírus através da aglomeração de pessoas. Nesse momento difícil, é de extrema importância o cuidado dos pais com os seus filhos, na medida em que as aulas presenciais viraram remotas e várias crianças não se acostumaram com a nova realidade. Além disso, o convívio familiar, cheio de estresse por não se poder sair de casa, estudar e trabalhar, afeta não somente a saúde emocional das crianças, mas também a dos pais.

Alguns pais optaram por tirar os filhos da escola por diferentes motivos, incluindo a redução de custos e a não adaptação da criança às aulas on-line. É o caso dos pais da Luara Sophia, de 4 anos, que decidiram tirá-la do colégio por ela não ter se adaptado à nova rotina de estudos. O pai Francisco Almeida disse:

“Devido à pandemia, eu tirei da escola, pois ela é pequena e não compensava ficar pagando para ela ficar em casa e ela nem assistir às aulas on-line. Ela queria é ficar no Youtube assistindo desenho. Quando eu tenho tempo, eu brinco com ela de desenhar e escrever”.

Outro fator que deve ser analisado pelos pais é o uso da tecnologia, pois, se usado com muita frequência, pode trazer prejuízos à saúde mental da criança, gerando comportamentos viciantes em relação aos tablets e smartphones. O uso exagerado dessas ferramentas compromete as interações familiares e sociais e afeta o desenvolvimento, na medida em que o uso tecnológico passa a tomar o lugar de outras atividades essenciais para o desenvolvimento infantil, como brincar. Muitas crianças demonstraram comportamentos agressivos.

FOTO: Bigstock

Diante disto, o site Blue Bus divulgou um infográfico de uma pesquisa realizada pela agência de saúde pública, que mostra que o uso excessivo de tempo na internet prejudica a saúde mental das crianças. Elas podem desenvolver problemas de solidão, depressão, baixa autoestima e agressividade.  A pesquisa apresenta também orientações aos pais para que saibam controlar os filhos quanto ao uso de eletrônicos. As dicas são: manter o computador em local aberto, onde as atividades realizadas possam ser acompanhadas; instalar em tablets e smartphones aplicativos que possuam controle de pais e que tenham finalidades pedagógicas; estabelecer com o filho limites de tempo diário para utilizar a internet; manter a criança fora das redes sociais e de sites adultos pelo menos até os 13 anos de idade; criar uma pasta de sites aprovados para crianças para que possa ser acessado por conta própria.

Neste quesito, é importante que os pais comecem a impor limites. A psicóloga Fabiana Silva, formada pela Universidade Estadual do Piauí, afirma que o home office trouxe uma ocupação maior na vida dos pais e o uso das tecnologias ficaram mais intensas. E para ocupar o tempo da criança e otimizar o tempo dos pais foi necessário utilizar celulares, televisão e tablets. Quando houve a necessidade de colocar um limite por causa do início das aulas remotas, as crianças não estavam adaptadas a essas regras e com isso surgiu essa agressividade no convívio familiar.

A psicóloga infantil alerta ainda para como os pais estão lidando com a criança nesse momento. Fabiana afirma:

“O que essas crianças estão vendo em casa? O que essas crianças têm aprendido em casa? Então, volta também o investimento que essa família tá dando a essa criança. Se essa família vai sentar com essa criança no chão para brincar ou se essa família vai colocar essa criança para ocupar o tempo no celular, em tablet, em eletrônico, tecnologia em geral.

FOTO: Blog do Austa

Apesar do lado negativo do uso excessivo das tecnologias, muitas crianças apresentaram uma melhora no comportamento com o uso dessas ferramentas. O uso da tecnologia torna as aulas mais interativas, possibilita o aumento do desempenho do raciocínio lógico, estimula o senso crítico, desperta a curiosidade e melhora a concentração.  É o caso do menino Welson Alves, de 12 anos, que sofre de autismo. Sua mãe, Maria Madalena, afirma que ele se desenvolveu muito bem com a tecnologia. Ela comenta:

“Ele tá desempenhando mais no celular do que você colocando para fazer a atividade. Nessa pandemia ele conheceu as cores, eu baixei uns jogos de conhecer as cores e ele conseguiu, ele consegue distinguir as cores. O celular está ajudando muito ele nesse sentido da educação, está se desenvolvendo pelo celular, mas a gente ensinando mesmo, ele não quer aprender não.”

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