Aumento dos crimes cibernéticos durante a pandemia

Golpistas se aproveitam da pandemia para envio de falsos links, sites e aplicativos e roubos de Whatsapp para a prática de crimes virtuais.

Por Nayara Venancio


Imagem de Pete Linforth por Pixabay

O balanço de boletins de ocorrência do ano de 2020 ainda não foi fechado, mas em comparação ao ano de 2019 em que foram registrados 231 boletins de ocorrência, já se espera um grande aumento, assim informa a Delegacia de Crimes Virtuais.

Desde o início das medidas de contenção do avanço da pandemia, na segunda quinzena de março desse ano, a busca por informações sobre os termos Covid19 e Coronavírus se intensificaram e os golpistas se aproveitaram dessas buscas para aprimorar seus golpes.

Os golpes mais comuns no primeiro semestre do ano foram os envios de links, sites e aplicativos maliciosos para roubo de dados e senhas das vítimas. Os campões foram: testes gratuitos de Coronavírus em casa, recebimento de máscara e álcool gel do governo federal mediante cadastro, assinatura de streamings gratuitas como Netflix e o cadastro para receber o auxílio emergencial em sites não oficias do governo.

A Netflix decidiu liberar o acesso a sua plataforma de filmes e séries pelo período de isolamento das pessoas, mas é por pouco tempo o cadastramento! Corre no site https://netflix-usa.net/

Para se ter uma noção do alcance dos golpistas, o link que prometeu Netflix grátis por causa de coronavírus atingiu cerca de 1 milhão de usuários em todo o Brasil. Segundo análise do dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, o endereço do golpe tem mais de 1 milhão de acessos e compartilhamentos. Nesse tipo de golpe, o objetivo dos cibercriminosos é ganhar dinheiro com anúncios fraudulentos ou roubar dados dos usuários, golpe conhecido como phishing.

Diversos sites usaram o disfarce de plataformas informativas sobre a disseminação da Covid-19 para infectar os computadores de usuários com um malwares que roubam informações como nome, senhas, números de cartão e outros dados de quem os acessa.

Outra ameaça são aplicativos não oficiais a respeito da doença, pelos quais cibercriminosos atacam o celular com ransomware chamado Covid Lock. Ele altera a senha de desbloqueio do dispositivo e exige um pagamento de US$ 100, cerca de R$ 470, em bitcoin, para recuperá-la.

Mas o maior golpe de internet do ano trata-se do corovaucher ainda segundo o dfndr lab, laboratório de segurança digital da PSafe, que detectou 162 páginas falsas no Facebook e 117 perfis fraudulentos no Instagram. As contas fakes, criadas a partir de março, somam mais de 345 mil seguidores e 86 mil curtidas. Os golpes usaram o auxílio emergencial e o nome da Caixa Econômica Federal para fisgar vítimas e no WhatsApp, por exemplo, o golpe do coronavoucher fez mais de 7 milhões de vítimas em todo o Brasil.

Polícia Civil do Estado do Piauí

 

A Polícia Civil do Estado do Piauí deflagrou várias operações de crimes virtuais no ano de 2020 com destaques para:

Operação Péssimo Negócio II, que prendeu em flagrante delito dois adultos e apreendeu um adolescente, pelas práticas dos crimes de roubo e associação criminosa em 23 de julho. De acordo com a polícia, o golpe consistia em, usando da identidade de pessoas conhecidas na sociedade de Teresina, realizar falsas compras em sites e aplicativos de negociação direta, levando as pessoas que anunciavam seus produtos a erro. DRCI – Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, com apoio operacional da GPE – Gerência de Polícia Especializada foi responsável pela operação.

A líder da associação E.K., já havia sido presa na Operação Péssimo Negócio I e teve sua liberdade provisório concedida em maio, quando voltou a praticar os mesmos crimes.

Polícia Civil recuperou pertences de vítimas na Operação Péssimo Negócio I – Foto Divulgação PC/PI

“Agindo de forma diferente, na tarde de ontem, após atrair uma vítima para fechar a negociação, ao invés de aplicar o estelionato, os criminosos roubaram os objetos da vítima à mão armada. Como já investigávamos essas pessoas, foi possível uma rápida intervenção e a prisão dos responsáveis”, informa o Delegado Anchieta Nery, titular da DRCI.

Operação Catfish, que prendeu duas pessoas no Piauí. Os criminosos são investigados pela prática dos crimes de estelionato sentimental (art. 171 do CP) e associação criminosa (art. 288 do CP). O catfish é um termo utilizado nas redes sociais para designar pessoas que criam perfis falsos com objetivo de enganar pessoas inocentes e fazer com que elas se apaixonem. Há fortes indícios de que os envolvidos aplicaram golpes semelhantes no Estado do Maranhão. A ação foi desenvolvida no dia 11 de agosto, pela  Gerência de Polícia do Interior – GPI, com apoio operacional da Gerência de Polícia Especializada – GPE e da Delegacia Regional de Parnaíba. 

Operação Precatórios 3ª Fase, que cumpriu 23 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão no Estado do Ceará. Trata-se de golpes as pessoas que são beneficiárias de precatórios (dívida junto ao estado já reconhecida pela Justiça). Segundo a denúncia, estelionatários estariam entrando em contato com os credores e solicitando a realização de depósitos bancários para que os valores referentes aos precatórios sejam liberados em nome de desembargadores do Estado.

Ainda de acordo com a Delegacia de Combate aos Crimes de Informática – DRCI, o estelionato com o uso de aplicativo WhatsApp já faz várias vítimas no Piauí. O primeiro foi a clonagem de WhatsApp, no qual a vítima é enganada para fornecer o código de autenticação, que é usado pelo criminoso para cadastrar o número em outro aparelho.

Para ter acesso a esse código, que é enviado por SMS para o celular da vítima, o golpista tenta entrar em contato com ela para fazer com que ela diga o código, alegando algum motivo falso, normalmente ligado à segurança. Ao fornecer esse dado, o WhatsApp é bloqueado no celular da vítima, e o golpista passa a ter controle da conta e a pedir dinheiro para os contatos de sua agenda.

O segundo foi o estelionato com fotos de médicos e demais especialistas da área da saúde para pedir dinheiro aos familiares e amigos dos profissionais. Nesse golpe não há hackeamento da conta de whatsapp da pessoa por quem estão se passando. Os criminosos escolhem se passar por profissionais da saúde que têm perfil aberto no Instagram, pois a partir daí obtêm as fotos para usar no perfil falso.

Foto Divulgação PC/PI

Os criminosos utilizam diversos números de WhatsApp e ostentam fotos dos profissionais de saúde em seus perfis. Em seguida, contatam os familiares de tais profissionais, por meio de mensagens no mesmo aplicativo, nas quais os criminosos afirmam que são aquelas pessoas das fotos e que haviam mudado o número de WhatsApp. Após algumas trocas amistosas de mensagens, os criminosos solicitam que os familiares atualizem o número de contato, e então afirmam que necessitam pagar alguma dívida e estão sem acesso ao app do Banco no momento.

Policias Civis de vários estados já têm trocado informação para a repressão adequada a esse crime. A maioria dos disparos de mensagem identificada tem partido de dentro do sistema prisional de alguns estados. Segundo a Polícia a unanimidade na aplicação dos crimes cibernéticos na pandemia é a participação ativa da vítima.

Como denunciar?

Antes mesmo de fazer o Boletim de Ocorrência em uma delegacia é indispensável que a vítima colete e preserve adequadamente as evidências do crime eletrônico.

No caso de WhatsApp, Telegram e outros aplicativos móveis, faça prints da tela e backup das conversas.

A Delegacia de Combate aos Crimes de Informática – DRCI encontra-se em novo endereço no Complexo de Delegacias Especializadas na Rua Gov. Arthur de Vasconcelos, 971. Bairro: Marques. Teresina-Pi; Contato: (86) 3216-5275.

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