Profissões que se tornaram essenciais na luta contra a Covid-19

Entre os profissionais que mais se revelaram importantes estão os da saúde, jornalistas e pesquisadores

Por Eliane Carvalho


“As mãos dos profissionais que dominam o mundo no momento.”
Fonte: Pexels, Imagem ilustrativa.

O ano é 2020: não se imaginaria que um vírus fosse causar tanto pânico ao mundo inteiro. As mortes causadas pela Covid-19 ultrapassam os 180 mil mortos no Brasil. Nesse cenário a informação, conhecimento e pesquisa tornaram-se essenciais para combater a doença.  Jornalistas, profissionais de saúde e pesquisadores têm se tornado muito importantes no combate ao novo coronavírus. Esses profissionais estão acima de tudo salvando vidas através da informação e do seu trabalho.

Profissionais da saúde

São os profissionais que estão realmente à frente da devastação causada pela Covid-19. Os dias para estes trabalhadores foram árduos desde o início da disseminação do novo vírus com muita dor e cansaço envolvidos, porém este trabalho trouxe marcas além das feridas nos rostos causadas por máscaras e outros equipamentos de proteção (EPI’s). Não é possível imaginar essa luta sem médicos, enfermeiros e vários outros profissionais da saúde como Ellen Beatriz, técnica em enfermagem.

“No início da pandemia ninguém imaginava como seria, se iria ser fácil, difícil, doloroso ou que jamais iríamos passar por todo esse sufoco. Ter o receio de trabalhar em meio a esse caos por medo de pegar a doença ou até mesmo de transmitir para um familiar. O cansaço excessivo, de todos os dias usar todos aqueles EPI’s, de reanimar um paciente que parou ou de passar um sufoco na hora da intubação, a tristeza por ter que dar a pior notícia para a família de um paciente, a dor de ver uma pessoa morrer e não poder fazer mais nada.

Ellen vivencia durante seu trabalho situações como essa e percebe que a luta não é só do paciente em si, existe também a luta do profissional. Mesmo preocupada com seus familiares com medo de transmitir alguma doença persiste no seu trabalho com dedicação.

“É uma luta constante em que temos que nos dedicar muito. Ao dar entrada em um hospital até a sua saída. Vivenciamos e participamos de modo ativo em várias situações de vida ou morte nesse momento. Acabamos nos tornando amigos de alguns pacientes, porque podemos nos colocar no lugar deles, passar vários dias no leito de uma UTI, sozinhos e sem ninguém para conversar. São várias emoções sentidas: medo, tristeza, agonia, ansiedade, um misto de sentimentos ruins. Então, acabamos tendo um contato de afeto com alguns e torcemos muito pela recuperação de cada um. Nós, profissionais da enfermagem mostramos nossa coragem, nosso zelo, empenho e amor ao próximo. Durante 12 horas extremamente cansativas dedicadas ao nosso trabalho, colocamos em prática todo nosso conhecimento. Mesmo batendo o cansaço continuamos envolvidos nessa luta contra essa doença. É um trabalho árduo e somos cientes em relação a isso, mas todo o amor pela profissão e a dedicação para cuidar do próximo fazem com que esquecemos de todo esse cansaço.”

Para Luana Dias, pediatra, especialista em UTI pediátrica esse ano foi muito difícil para exercer a profissão. Ela trabalha em duas UTI’s, uma de referência em Oncologia Infantil e outra referência em casos de alta complexidade na área pediátrica em Belém do Pará, e optou por se isolar da família.

“A luta do profissional da saúde é travada diariamente e neste último ano, de maneira mais acirrada. Foi e continua sendo muito difícil lidar com uma doença nova e cheia de incertezas! No início da pandemia, a cada dia surgiam guidelines que nos atualizavam sobre o melhor tratamento, a última recomendação, a melhor maneira de se proteger… Um bombardeio de informações. Aliado a isso, o desconhecimento quanto à COVID-19, se estávamos contaminados, se podíamos trazer o vírus para dentro de casa e ainda, se seríamos o próximo a precisar de um leito de UTI, nos corroía a cada dia. Mesmo com medo, tínhamos que levantar a cabeça, seguir em frente e encarar a nova realidade! Optei por sair de casa e me isolar para evitar transmitir para as pessoas que convivem comigo. Perdi médicos conhecidos, ex-professores, pais de amigos, entre outros, que morreram tentando salvar vidas. Não só médicos, mas também enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e todos os demais profissionais da área da saúde dedicamos nossa vida, nossa saúde e tempo em prol da saúde do próximo. Sofremos junto com os familiares e procuramos ao máximo aliviar a dor e o sofrimento quando possível.

Jornalismo

Além dos profissionais da saúde que atuam de maneira direta no contato com pacientes infectados, os jornalistas também atuam de forma indispensável ao transmitir informações diariamente sobre o vírus, como recomendações e alternativas para diminuição do contágio da doença. Buscam priorizar a importância do uso de máscaras e da manutenção do distanciamento e do isolamento social. O jornalismo se mantém, portanto, presente em relação à pandemia. Para Pedro Melo, estudante do curso de Jornalismo e estagiário em uma rádio que não parou durante todo esse período desde a quarentena, os desafios que a profissão enfrenta são grandes.

“Passar por todo esse processo de pandemia no trabalho, que ainda passamos, é e foi um momento desafiador. No começo da pandemia, quando todos entravam em quarentena e isolamento, tivemos que nos adaptar a sair do conforto de uma redação e estúdios onde tínhamos todos os equipamentos e ir para uma realidade de home office, ou seja, começar a fazer de casa, o que fazíamos no ambiente de trabalho. E isso gerou um certo receio quanto a fazer um programa de casa, apurar, fazer entrevistas e matérias para ir ao ar. O destaque da rádio durante esse período, é que conseguimos fazer programas de casa, com equipamentos próprios, e fazer com que eles fossem ao ar. Esse sempre vai ser o papel do jornalista: levar a informação mesmo com os obstáculos que certas situações nos impõe.”

O jornalista apura e checa informações que ao longo da vida entram para história nisso o estudante fala sobre as dificuldades para lidar com essa nova realidade diante da profissão e a determinação de querer cumprir o seu papel de informar a população.

“De fato, não só eu como colegas tiveram problemas pra lidar com essa realidade.  Houve uma mistura de medos, preocupações e a responsabilidade de levar a informação mais certa possível, pois a sociedade sempre necessita de informações. Crises de ansiedade foram realidade, vontade em alguns momentos de desistir, mas a vontade de cumprir com o nosso papel, sempre foi maior. A figura do jornalista se torna fundamental na pandemia pois ele, mais do que nunca, vira uma fonte confiável de informações para uma coisa que muitos não sabem ao certo o que era, no caso de uma pandemia Covid-19. Nunca passamos por isso. Então essas incertezas, dúvidas, curiosidades…Fizeram com que a figura do jornalista ficasse cada vez mais importante. Enquanto “tudo” parava, nós jornalistas continuamos para sempre manter a população informada e segura. A informação está na televisão, no rádio, no portal, no jornal impresso e principalmente no jornalista que destina seu tempo para apurar e checar as informações e repassar a população.”

O jornalista está sendo fundamental, principalmente pelo fato de as notícias circularem por todo canto de diversas formas trazendo conteúdo para nos manter informados diante do problema até a busca pela cura da doença. Para Naiana Duarte, jornalista, o jornalismo com toda essa problemática se revalorizou.

“O jornalismo é importante, pois atualmente vivenciamos uma sobrecarga de informações científicas sobre a pandemia e esta sobrecarga de informações deu uma revalorizada na comunicação porque diariamente observamos o enorme empenho de jornalistas em trazer notícias sobre ciência e saúde com uma devida qualidade.  Eu, como uma profissional que se volta para área de divulgação científica, considero que o mercado está diversificando as formas de divulgar ciência com conexões entre o social e o conhecimento científico.”

Pesquisadores

As pesquisas desses profissionais estão atreladas a esperança para a população mundial, de fato estar em meio a esse caos trouxe também a valorização do seu trabalho. A cura para a Covid-19 está mais próxima graças a estes que utilizam de meios tecnológicos e investimentos em suas pesquisas científicas. Estão desenvolvendo em tempo recorde vacinas produzidas por vários laboratórios ao redor do mundo e vários avanços estão sendo visíveis. O propósito é solucionar esse problema que já dizimou muitas vidas. Como é visto na matéria Made in Brazil no site da UOL, que indica dez cientistas que estão revolucionando as pesquisas em relação ao novo coronavírus no Brasil.

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