A crescente presença da inteligência artificial no dia a dia

Como a pandemia nos aproximou dessa tecnologia cada vez mais presente

Por Aric Leite

Imagem: Internet

Por muito tempo, a inteligência artificial – IA foi parte de histórias de ficção científica, incluindo livros e filmes. Era basicamente uma espécie de “magia tecnológica”. Hoje, essas coisas estão enfim se tornando realidade, mostrando que a IA continua encantadora, mesmo que não tão avançada quanto a mostrada nos filmes e livros.

Neste ano, em decorrência da pandemia de coronavírus, vários setores da economia sofreram perdas enquanto outros ganharam ainda mais notoriedade, que é o caso da inteligência artificial. Diante disso, a necessidade de digitalização das empresas fez com que o e-commerce no Brasil crescesse 40%, chegando à marca de mais de 1,3 milhão de lojas on-line, dentre elas, a gigante Amazon, que usa IA’s em praticamente tudo o que faz.

Em entrevista ao Portal Luneta, o professor Vinícius Machado, do curso de Ciências da Computação da UFPI, comenta acerca do papel inicial que a inteligência artificial recebeu quando foi introduzida ao grande público:

Até recentemente, quando as IA’s não eram muito comuns no nosso cotidiano, elas eram muito comercializadas, como uma grande vantagem competitiva, tendo exemplo o Fiat Marea. No comercial anunciavam seu “ar-condicionado inteligente”, que nada mais é do que a função de temperatura automática. Já hoje, a inteligência artificial já está absorvida pelo mercado, como notamos nos softwares de empresas, sensores de carros, etc.

Em resumo, é um avanço tecnológico que permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, indo além da programação de ordens específicas para tomar decisões de forma autônoma. Dessa forma parece bem simples, porém, uma IA envolve um agrupamento de várias tecnologias, como redes neurais, algoritmos, sistemas de aprendizado entre outras que conseguem simular capacidades humanas ligadas à inteligência. Por exemplo, o raciocínio, a percepção de ambiente e a habilidade de análise para tomar uma decisão.

Em termos gerais, a inteligência artificial tem transformado as áreas da saúde, educação, segurança, marketing e agricultura, mas não ficando limitada às mesmas. Na área da saúde, já é possível que profissionais encontrem o diagnóstico e tratamento para doenças raras com o uso de programas, além de permitir uma análise bem mais ágil de exames. O professor Vinícius Machado também discorre a respeito da importância das IA’s no combate ao coronavírus, atuando desde março:

Existem tentativas de descobrir um padrão de comportamento da disseminação na população em que avaliávamos quando seria o pico de contaminação em determinado município, inclusive em alguns modelos que apontavam o pico para julho, outra hora para agosto e assim em diante. As pessoas pensavam que não era pra se levar a sério, mas isso se dá porque a população foi mudando seus comportamentos, atrasando o eventual ápice da doença. Além, é claro, de ajudar no reconhecimento da doença.

Quanto à sua aplicação na área da segurança, ressalta-se como principal fator de investimento o reconhecimento facial, buscando facilitar o trabalho das autoridades na busca de suspeitos, procurados ou foragidos. O reconhecimento facial, inclusive, já está mais presente do que imaginamos, presente tanto em celulares que utilizam dessa tecnologia, quanto as redes sociais. A IA, através de análise minuciosa do resto da pessoa, como distância entre os olhos, formatos de boca, queixo e nariz garante que nem mesmo perucas ou disfarces adiantem para tentar passar despercebido.

Como um dos principais fatores que levaram à popularização da inteligência artificial está o setor econômico, seja na agricultura, com a automação e otimização dos produtos, seja no marketing, com recomendações baseadas nas compras e buscas do consumidor.

A trilionária Amazon é uma das responsáveis por esse aumento. Em seus mais de cem centros de distribuição nos EUA, a Amazon conta com um exército de centenas de robôs operados por IA. Quando observados mais de perto, observa-se que é tudo coordenado, das prateleiras de estoque até as esteiras que levam os produtos aos empacotadores. A abordagem da Amazon em relação à IA funciona como um guarda-chuva, do topo “escorre” todo o uso e aprendizado em relação a um algoritmo para os outros departamentos. Nota-se, portanto, que a inteligência artificial é a base por trás de tudo que a Amazon desenvolve, da Alexa ao Kindle e do seu e-commerce, ao Prime, tudo está conectado e em constante aprendizado e evolução.

Diante disso, com a presença cada dia mais evidente no nosso dia a dia, a inteligência artificial divide opiniões ao redor do mundo, tanto a respeito de seu desenvolvimento, quanto de sua utilização. É isso que mostra a pesquisa do Pew Research Center:

Em resumo, 53% dos entrevistados acreditam que o desenvolvimento e uso de inteligências artificiais são uma boa coisa, enquanto 33% acham ser uma coisa ruim. As opiniões também foram divididas em outro ponto importante de desenvolvimento: uso de robôs para automatizar trabalhos que anteriormente eram exercidos por humanos. Em média, 48% acredita que seja um ponto positivo, enquanto 42% diz ter impactos negativos sobre a sociedade. É possível observar também uma maior aceitação das inteligências artificiais por parte do público asiático: em comparação com as demais regiões, isso pode ser explicado pelo fato de vários países da região terem emergido como líderes mundiais em IA.

Já o gráfico acima mostra que homens são significativamente mais favoráveis do que as mulheres em dizer que inteligência artificial é uma boa coisa. No Japão, por exemplo, 73% dos homens apresentaram visões positivas sobre as IA’s, comparado aos 56% das mulheres. Outro fator apresentado é o de que quanto maior o grau de estudo, mais favorável a pessoa é com relação às IA’s. A diferença na Holanda é notável, onde a média de favoráveis de quem tem um grau de estudo maior chega a 61% e a de quem tem um grau de estudo menor beira os 43%. A pesquisa, realizada entre o fim de 2019 e começo de 2020 em 20 lugares pela Europa, Ásia, Estados Unidos, Canadá, Brasil e Rússia, mostra como os locais de trabalho mudaram ao redor do mundo a partir da implementação das IA’s no meio.

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