Núcleo Marielle Franco pratica atividades de formação política em Teresina

O Núcleo Marielle Franco é um coletivo auto-organizado por mulheres, que surgiu da vontade de algumas estudantes do curso de história da Universidade Federal do Piauí de discutir sobre pautas ligadas a gênero e feminismo.

A proposta do projeto é tornar os temas ligados às mulheres e ao movimento negro mais visíveis e acessíveis para todas as camadas sociais. Dentre as atividades realizadas pelo grupo,os encontros de formação política, que a cada sábado debatem uma pauta diferente, com leituras e depoimentos acerca do tema escolhido.

O principal destaque na realização das atividades é a auto-organização, desde a mobilização até a definição dos assuntos abordados. Brenda Marques, graduanda na universidade federal, faz parte do grupo inicial de mulheres que pensaram no projeto, segundo ela o núcleo foca numa formação baseada nas vivências de cada participante do Núcleo, “o público alvo são mulheres, o núcleo hoje tem mulheres de várias idades, dentro e fora da Universidade e gerações com mais e menos vivências de feminismo, mas o público geral são mulheres”.

Os encontros acontecem no Memorial Esperança Garcia. O local não foi escolhido por acaso, o espaço que recebe o nome da primeira advogada do Piauí, Esperança Garcia, localizado na av. Miguel Rosa, centro sul da Capital, é palco de atividades culturais e de resgate da cultura do povo negro, recebe grupos como os do Núcleo Marielle, abrindo as portas de um espaço central para discussões construtivas para a sociedade.

Auto-organização como forma de engajamento do público

As atividades do Núcleo iniciaram dia 14 de Novembro de 2018, oito meses depois do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e seu motorista Anderson Gomes.

A auto-organização do Núcleo vai desde os temas que serão abordados nas reuniões até a organização do espaço como conta Liana Gonzaga membra do grupo “ Antes dos encontros começarem ajudei as meninas a decorar a sala com fotos e textos de mulheres que lutaram por essa causa.

O fortalecimento e identidade do Movimento feminista  está em constante avanço e retrocesso ao longo da história. Dentro da busca por mais igualdade entre homens e mulheres, a auto-organização tem sido uma importante tática de emponderamento das mulheres.

Redes Sociais

Liana conheceu o Núcleo através de uma amiga militante que seguia o instagram do grupo, a jovem faz parte de uma geração que acompanhou discussões virtuais sobre o feminismo e buscou  formação auto-organizada como forma de dar uma continuidade prática pra esses discursos: “a formação tem uma importância de trazer “novos olhares” para uma causa que se apresenta muito homogênea nas redes sociais e afins, (antes do núcleo) nunca tinha saído da minha bolha de conforto, sempre ficava na “militância online” aonde achava que eu já fazia uma grande mudança repostando frases de mulheres conhecidas. Porém percebi que o feminismo é muito maior que isso e decidi me afirmar e afirmar a causa indo no núcleo”, conta Liana.

Como movimento político e social, o feminismo tem sido bastante discutido dentro das redes sociais. O aumento de interesse pelo tema é notável a partir de 2012 (gráfico do Google Trend) no Brasil. A criação da hashtag #PrimeiroAssédio e da campanha #MeuAmigoSecreto #deixaelatrabalhar como forma de denúncia de assédio, foram algumas dessas discussões que tiveram grande alcance nas redes.

Fonte: reprodução INTERCEPT Br

“Marielle, presente!”, “Anderson, presente!”

Dias antes de seu assassinato, a vereadora carioca, Marielle Franco (PSOL-RJ) denunciou o envolvimento do crime organizado no assassinato de três homens periféricos nas favelas do Rio de Janeiro. As investigações feitas até o momento sobre o assassinato da vereadora e seu motorista particular, Anderson Gomes, não foram conclusivas mas ainda não descartaram a possível relação de sua morte como uma retaliação.

Em 14 de março de 2018 por volta de 21h30 da noite, uma emboscada culminou nos tiros que mataram Marielle e Anderson. Antes do assassinato, a vereadora participava do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas” em auto-organização com outras jovens.

A vereadora foi a quinta mulher mais votada na eleição municipal de 2016 no Rio De Janeiro. Foi da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio em 2006.

Vídeo produzido pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social em homenagem a vereadora assassinada  em 2018.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado II: Webjornalismo – 2019.1, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira.

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