Intolerância à lactose

Considerada a doença do século XXI, a intolerância à lactose não é tão nova como se imagina e existe desde 1633

Por Gabrielle Alves e Lorena Linhares

Está sendo cada vez mais comum encontrar pessoas que possuam intolerância a lactose, mas essa doença não é tão atual como se pensa. Muitas pessoas consideram essa enfermidade como o mal do século XXI e um tipo de moda que a maioria da população inventou que possuía, porém segundo o gastroenterologista Juvenal Gomes, o ser humano já é geneticamente programado para a diminuição enzimática da lactase, proteína que digere a lactose. “Principalmente após os cincos anos, possui uma diminuição da produção da lactase”, disse.

Existem três tipos de intolerância a lactose. A primária que é resultado do envelhecimento, a secundária que provém de alguma doença ou ferimento e a congênita, quando a pessoa já nasceu com o problema. Essa última é o caso da estudante Júlia Vitória de 19 anos, que adquiriu a enfermidade quando era muito nova, se curou e depois descobriu que a intolerância havia voltado.

“Eu a adquiri quando era muito nova, mas depois de um ano fiz o exame de novo e o
resultado deu que eu não estava mais com intolerância. Anos depois eu comecei a ter um problema de refluxo muito forte, chegando a ter até pneumonia e atelectasia (paralisação de parte do pulmão), fiquei boa disso tudo, mas nunca ninguém imaginou
que isso teria sido causado por uma intolerância que teria voltado. Somente dois anos
atrás que fui me consultar com outro médico e descobri que esse tempo todo estava com intolerância novamente”, contou.

Segundo o gastroenterologista Juvenal Gomes, estima-se que 70% da população brasileira acima de 40 anos possua esse tipo de intolerância e doenças gastro infecciosas e que provocam lesões. O uso de drogas também pode influir para o aparecimento dessa enfermidade. Além disso, a doença é comum tanto em homens quanto mulheres.

“A intolerância à lactose possui apenas uma aparente maior prevalência do sexo feminino e isso se deve ao fato das mulheres procurarem mais o serviço médico e, portanto terem uma maior possibilidade de diagnóstico”, disse.

Arte: Edson Filho

Os sintomas são variados e podem ir de dor de estômago à dor de cabeça. “Se você
sente algum tipo de desconforto após consumir determinado tipo de alimento esse pode ser sinal de intolerância ou sensibilidade alimentar. Os sintomas podem variar, mas em geral estão relacionados ao sistema digestivo como náusea, dor de estômago, gases e diarreia. Outras reações possíveis são irritabilidade e dor de cabeça”, explicou Juvenal.

A alimentação para os intolerantes é bem restrita, o que causa uma grande irritação e
depois adaptação dos enfermos. É o caso do estudante Gustavo Queiroz, de 21 anos, que no começo teve dificuldades por nascer perto de uma data comemorativa, mas depois conseguiu se acostumar com a ideia. “Após a descoberta foi um inferno, nasci perto da Páscoa e ver todo mundo comendo ovo de Páscoa e eu só na vontade me arrasou, mas aos poucos fui me adaptando”, disse.

Já a jornalista Catarina Costa, que foi diagnosticada através do exame, conta que foi
difícil se adaptar no início pela falta de produtos sem lactose. Mesmo com mais opções hoje em dia, são caras e pesam no bolso. “Um produto zero lactose é muitas vezes o dobro do valor”, disse.


Mercado e procura por produtos livres de lactose cresce

Produtos livres de lactose estão cada vez mais comuns no mercado/ Reprodução: Instagram

A vida dos intolerantes ficou menos complicada na readaptação alimentar pelo crescimento do mercado voltado para esse nicho. Priscila Osório, nutricionista consultora de uma loja especializada na venda desse tipo de produto em Teresina fala
que a demanda por alimentos zero lactose aumentou nos últimos anos. “O mercado era escasso de produtos, e para suprir essa demanda decidimos investir nessa área. No ponto de vista mercadológico é muito bom esse mercado, mas do ponto de vista nutricional fico triste em saber do aumento do quadro de pessoas com essa deficiência”, disse.

Ainda segundo a nutricionista, a maior procura dos intolerantes à lactose é o leite zero
lactose, que diferentemente do que se pensa, não possui a lactose extraída do produto,
fazendo com que se mantenha suas características e propriedades nutricionais. O que
ocorre é que, por adição de lactase, a molécula da lactose se quebra em duas, transformando-se em glicose e galactose, e facilitando a digestão dos intolerantes a proteína do leite.

Ultimamente o mercado ganhou variedade desse produto devido ao investimento de
marcas populares na categoria. Leite, iogurte, manteiga, leite condensado e creme de
leite zero lactose podem ser encontrados em supermercados populares da cidade, facilitando assim a vida alimentar de quem sofre de um problema antigo, mas que só
agora teve a devida atenção.


A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado II: Webjornalismo – 2019.1, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira.

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