Empreendedoras: mulheres de decisões e negócios

O microempreendimento individual como forma de ganho financeiro e fortalecimento da figura feminina

Repórteres: Andréa Patrícia, Mariana Silva e Walter Júnior

Chega mais uma manhã de segunda-feira e Celina Freitas, vendedora de alimentos em uma Universidade pública no Piauí, está organizando tudo o que trouxe para vender. “Tia, o que tem hoje?”, pergunta carinhosamente um estudante, pelo modo que ela é chamada pelos alunos. “Temos suco, salgado, brigadeiro, café quentinho e, também, bolo no pote”, explica apontando para cada item na mesa.

“Eu comecei meu próprio negócio em 2003, porém adoeci e minha casa pegou fogo, quando um raio caiu nela. Mas eu recomecei, vendendo bolo no pote no centro de Teresina. Digo para quem quer ser empreendedora que o segredo é não desistir. Deu algo errado? Vai! Começa de novo”, comenta, com firmeza nas palavras e um olhar emocionado, enquanto relembra o início de suas ações como microempreendedora individual.

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A “Tia do Lanche” já oferece opção de pagamento no cartão de crédito, para se adequar a atual demanda do mercado e atende, sempre, com um sorriso no rosto (Foto: Andréa Patrícia/Portal Luneta)

Segundo dados do Portal do Empreendedor do Governo Federal, na região Nordeste, o ano de 2018 encerrou com 1.410.840 microempreendedores. Só no Estado do Piauí foram 64.175 microempresas individuais. Bem mais do que números, os dados são traduzidos em Celinas, Anas, Marias, Socorros e milhares de outras brasileiras que, viram no empreendedorismo, uma forma de conquistar sua renda própria.

Esse, também é o caso da empreendedora individual, Adriana Marques. “Eu vivo dos meus negócios, que, para mim, são como respirar. O empreendedorismo não é apenas questão de comércio e venda, tem o empreendedorismo onde você se destaca, ousa, cria, inova e faz acontecer na sua vida, de uma maneira ou de outra”, diz, de forma confiante.

Indo além das questões financeiras, o empreendedorismo fortalece o desenvolvimento individual, especificamente nas mulheres, como exemplifica Adriana. “O empreendedorismo feminino quebra distintas barreiras, sociais, econômicas e também individuais, quando a mulher passa a reconhecer que pode comandar seu próprio negócio”, acrescenta a profissional, que trabalha como Coach e realiza palestras sobre empoderamento feminino.

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Adriana sorri e indaga: “Você é empreendedor da sua própria vida?”(Foto: Reprodução Instagram)

É com o pensamento de comandar seu próprio negócio que muitas mulheres buscam o microempreendedorismo. Em números gerais, segundo Fernando Mourão, gerente regional do Crediamigo no Piauí, as mulheres representam um total de 67% dos clientes.

“Percebi que quando a mulher enxerga que há a oportunidade de empreender, ela abraça. E dessa forma ela percebe uma chance de ter mais autonomia na busca pela independência financeira e com seu negócio ela também gera renda para a família”, comenta o gerente.

O programa Crediamigo, oferecido pelo Banco do Nordeste, apoia o cliente no início de seu negócio. Atualmente, é considerado o maior programa de microcrédito produtivo orientado da América do Sul e oferta acompanhamento e orientação para a aplicação do recurso.

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(Foto: Reprodução/ Google Imagens)

Foi com o recurso ofertado pelo banco que Maria do Socorro Vieira deu o primeiro passo para seu próprio negócio. “Tudo iniciou em torno de 10 anos. Desde então eu vendo joias, panos de prato, colchas de cama. Estou aqui hoje, graças ao Programa de Microcrédito que consegui no início e ainda hoje conto com o serviço”, destaca, orgulhosa.

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Tímida para fotos, dona Maria prefere aparecer da forma que se orgulha: “produzindo, meu próprio negócio” (Foto: Walter Junior/Portal Luneta)

Histórias como a de Celina, Adriana, Maria são constantes, principalmente, por ser uma forma de driblar o desemprego e conseguir sua própria renda ou complementar a atual. Além de suprir suas necessidades individuais, o microempreendedor supre as de quem necessita do serviço ou produto, como explica o economista Prancacio Carvalho.

“Se a gente pensar de uma forma bem simples na economia, o que move a sociedade são as necessidades. Por exemplo, se a pessoa vende artesanato, e existe consumo, ela criou um produto que atende à necessidade social do público e isso contribui para deixar as pessoas mais felizes. É promovido então, um impacto do ponto de vista social, com a satisfação das necessidades”, destaca o profissional.

Sobre o serviço de Microcrédito, o economista Prancacio Carvalho destaca como uma boa alternativa para quem inicia seu negócio. “De uma perspectiva econômica, o microcrédito é uma boa opção, pois auxilia por um menor custo, aplicando o princípio de economicidade. Assim, você opta pela alternativa de menor custo para que seu negócio inicie ou se mantenha por determinado tempo”, comenta.

No início de sua trajetória, Celina relembra que muitas pessoas não acreditaram que ela pudesse prosperar, como microempreendedora, inclusive, seu marido. “Meu esposo não acreditava que um microempreendedor pudesse vencer, ele acredita que você precisava ter carteira assinada e ser dependente financeiramente de um patrão”, relembra.

O empreendedorismo feminino trouxe hoje para as mulheres a esperança de que podemos fazer um mundo diferente, com nossos olhos.

Hoje, o crescimento impacta não só Celina, assim como toda a família e suas gerações. “Minha filha também tem a vontade de ser empreendedora. Ela iniciou um trabalho em empresa privada, mas viu meus negócios, meus ganhos, e optou pelo empreendedorismo”, acrescenta.

Já Adriana faz questão de destacar que isso fortalece sua essência enquanto mulher, bem como a de todas que optarem por seguir por esse caminho. “Nós não tínhamos esse poder de escolha. O empreendedorismo quebra barreiras, quando as mulheres se perceberam como capazes de realizarem seus sonhos. O empreendedorismo feminino trouxe hoje para as mulheres a esperança de que podemos fazer um mundo diferente, com nossos olhos, com nossas vontades”, conclui, certa de si e com a esperança de contagiar mais mulheres.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado II: Webjornalismo – 2019.1, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira.

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