Criatividade: Drag Queen há 15 anos, Patty Doce relembra a construção de seu personagem no início de sua carreira

Marcada por preconceitos e dificuldades, hoje em dia a artista consegue viver da sua própria arte

Repórteres: Edson Filho, Laura Parente e Rebeca Lima

Materiais reciclados, fitas de VHS, garrafas pets e pedaços de tecido. Esses eram alguns dos objetos utilizados por Patty Girl, o Doce no início de sua trajetória como drag queen nos anos 2000, quando tinha apenas 15 anos de idade. Patty descobriu a arte drag e se encantou com ela logo nos primeiros contatos. Começou a ver através dos programas televisivos e shows teatrais a arte de se transformar, o que acabou lhe chamando a atenção e a capturando para esse mundo.

A drag queen conta que a primeira vez que viu uma apresentação foi no Teatro 4 de Setembro, com o espetáculo Les Girls. A partir daquele dia, Patty começaria sua jornada no cenário drag piauiense.

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   Fitas, garrafas de plástico e outros recicláveis eram seus materiais preferidos (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

“Naquela época existia um espetáculo chamado Les Girls. Ele era como se fosse um espetáculo organizado em todo o Brasil e em casa estado tinha o espetáculo com os artistas mostrando seus trabalhos. Ele ajudou bastante porque quebrou essa história aqui no Piauí que a transformista só serve pra trabalhar com beleza ou prostituição. O espetáculo Les Girls veio pra quebrar esse pensamento”, diz.

De acordo com Paty, o início da produção foi complicado. No começo dos anos 2000 o acesso a internet e a informações na rede não eram tão facilitados como hoje em dia, então para driblar a falta de experiência e falta de ajuda, Patty começou a buscar referencias na televisão e em revistas. A criatividade é peça chave nesse processo, pois segundo ela, era utilizada desde materiais reciclados até metros de tecidos para a construção de sua caracterização. Muito jovem, o cenário em que Patty se encontrava não a favorecia, mas com muita criatividade e força de vontade, Patty Girl o Doce conquistou seu espaço.

Patty é animada, divertida, colorida, chamativa e tende até ao infantil. Essas são características que o próprio criador dá a sua criatura. Patty nasceu com o desejo de animar, divertir e deixar, nem que seja por um breve momento, as pessoas felizes. Patty conta que sua produção hoje em dia conta com muita pesquisa e referencias, se inspirando sempre em desenhos animados, o que é a marca da drag.

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  Criador da Drag Queen (Foto: Rebeca Lima/Portal Luneta)

“Minha inspiração sempre foi os desenhos animados. Minha drag é mais colorida, mais chamativa e tende até ao infantil justamente por ser mais divertido, por ser um lado mais fácil de trabalhar. Para a produção não tem como não ter um trabalho de pesquisa. Se você quiser um trabalho bem feito você tem que sentar, pesquisar e trabalhar. A verdadeira drag tem que ter essa questão do laboratório, trabalhar o melhor possível para que no final meu personagem fique bem”, confessa.

Patty aprendeu a se maquiar sozinha, apenas no espelho. “Fui meu próprio professor”. Naquela época, a informação era de difícil acesso, e as drags com mais tempo em atividade não tinham a sensibilidade de ajudar quem estava entrando agora no ramo. Ela revelou que por diversas vezes comprou tecidos e costurou sozinha todas suas produções. A produção de perucas feitas com fitas eram suas preferidas.

Com um enorme sorriso no rosto e transbordando a felicidade de quem lutou por mais de uma década para garantir seu espaço, Patty revelou que depois de 15 anos de carreira, consegue finalmente viver de sua arte. É importante ressaltar que a artista também faz parte do Conselho municipal LGBT, onde é presidente.

“A gente tá aqui pra fiscalizar essas políticas públicas pros nossos LGBT’s aqui no município, pra ver se realmente acontece. Esse foi mais um motivo que me levou a usar minha drag. Eu já perdi varias amigas pra violência então pensei em transformar a Patty Girl nesse meio de propagar e ajudar as manas que estão por ai sofrendo preconceito”, finalizou.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado: Jornal – 2018.2, administrada pelo professor Cantídio Sousa Filho.

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