A ascensão do rap no Centro de Teresina

Rodas de Free Style têm sido uma realidade entre os jovens da capital

Repórteres: Amanda Santiliana e Bruna Veloso

A adolescência é um período conturbado para todos, principalmente para jovens de periferia, onde a distância do centro da cidade ajuda a abafar suas vozes. o Rap, com suas rimas e batidas  rápidas, por vezes acaba sendo a saída para quem deseja se fazer ser ouvido. Parece uma história de filme americano dos anos 1990, quando o estilo musical teve sua expansão, mas é a história do rapper Jamilson silva santana, conhecido como Sansi, nascido e criado na zona norte de Teresina.

Ouvindo o grupo “racionais MC” desde cedo, Sansi descobriu, com apenas 16 anos, uma forma de demonstrar suas ideias e pensamentos e ainda influenciar outros jovens através da música. Tendo o rapper Mano Brown como principal referência, Sansi seguiu um caminho musical. Atualmente, com quase 30 anos, o rapper é uma das referências locais no assunto, participando da maioria dos eventos em que o estilo está presente.

“Escrevi minha primeira letra de rap, de uma simples festa entre amigos. nós gravamos o primeiro som na época conhecido como moleque sobe o morro, que falava da vida na periferia e de muitas realidades encontradas na mesma. foi desse dia em diante que eu resolvi cantar rap”, diz.

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Jamilsom Silva Santana (Foto: Reprodução/Google imagens)

Não só de referências nacionais vive o rap de Sansi. Em Teresina, o antigo grupo conhecido como “o pacto” é uma de suas maiores referências locais. Na época, o grupo contava com três integrantes e possuía bastante representatividade na região norte da capital. Foi com eles que Sansi deu o ponta pé inicial na música de forma mais profissional.

“Foi um grupo que eu aprendi muita coisa, escutando a musicalidade deles, a identidade do grupo. eu me identifiquei muito com as letras, as ideologias que os caras implantavam nas letras. tudo isso me fez aprender muito”, comenta.

Em Teresina, podemos ver atualmente rodas de free style se formando em pontos do centro. Isso se deve, de acordo com o rapper, com a independência que o rap e seus representantes alcançaram.

“Ainda há uma falta de respeito com os artistas locais. Não sei se é pelo fato do rap ser uma música em que se expressa a realidade, mas acho que pode sim ser mais valorizada. Também não vejo incentivo por parte do pode público. O rap sempre foi mais independente”, analisa.

Essa evolução do cenário em Teresina é vista como desafiadora. O estilo, por não vir das mais altas camadas sociais e ser produzido, em grande parte, por jovens que vieram da periferia, causa espanto nos desavisados. Por toda a cidade, em alguns pontos específicos como o centro e bairros da zona norte, podem ser encontradas rodas de jovens fazendo “batalhas de rap”, onde o principal objetivo é “derrotar” o oponente através de rimas criadas na hora. As batalhas, porém, não surgem do momento. Muita organização está por trás do encontro.

“Nos organizamos através de redes sociais fazendo intercâmbios, marcamos datas, buscamos premiação através de conhecidos”, comentou.

As coisas para o rap andam melhores, mas nem tudo são flores no meio. As batalhas, com potencial comercial, atualmente servem apenas como um modo de fuga e descontração entre os jovens. O que falta, na visão de Sansi, é mais união entre os rappers e, principalmente, mais profissionalismo, o que levaria a voz da periferia não apenas para o centro, mas para todos os lugares.

“Espero que tenha mais união entre todos nós que fazemos parte dessa cultura nomeada hip-hop! só assim alcançaremos grandes objetivos. Tem muitas pessoas que ainda estão brincando de fazer música. Quando eles entenderem que o rap tem poder de mudar vidas, quem sabe isso possa mudar o modo de pensar de alguns”,  afirma.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado: Jornal – 2018.2, administrada pelo professor Cantídio Sousa Filho.

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