As Coroas do Velho Monge

Durante as décadas de 80 e 90 o local era uma rota de lazer que fazia parte da vida de muitos Teresinenses e Timonenses

Repórteres: Bárbara Marreiros, José Jonas e João Victor Peixe.

kjddvbov.jpg
A antiga movimentação nas Coroas do Rio Parnaíba que deixaram saudades. (Foto: Reprodução/Acervo Alexander Galvão)

Calor, sol, areia, vento, água, vôlei, rock e cerveja. Um escape da rotina convencional e que mais se aproxima da sensação de estar na praia, as Coroas do Rio Parnaíba, também conhecida como Croas, além de embelezarem a Avenida Maranhão já foram palco de muita brincadeira, alegria, música e esporte. Durante as décadas de 80 e 90 o local era uma rota de lazer que fazia parte da vida de muitos Teresinenses e Timonenses.

O maior rio genuinamente nordestino é o Rio Parnaíba, também conhecido como Velho Monge, com sua nascente na Chapada das Mangabeiras ele percorre 1450 km até desaguar no oceano Atlântico. O Rio Parnaíba é um grande aliado econômico do Estado. Contribui para geração de energia através da Barragem da Boa Esperança, localizada próximo ao município de Guadalupe, e faz parte da Usina Elétrica de Boa Esperança, com um açude que traz inúmeros benefícios à população. Além disso, ele forma o único Delta em mar aberto das Américas, uma beleza extraordinária que pode ser apreciada através do ecoturismo.

Além da contribuição social e econômica, o rio também construiu a memória, estória e afetividade de muita gente. Durante o famoso b-r-ó-bró que aquece a capital piauiense, ter uma opção gratuita para amenizar o calor e se divertir com os amigos é uma sensação que só quem presenciou, durante esses 10 anos de agito na Coroa, podem descrever com muita nostalgia no peito, pois era ambiente aberto que acolhia todos, dos mais diversos lugares e classes sociais.

O publicitário Durvalino Couto, relembra a sua infância e seu elo com o rio, elo este que vem da família. “Eu morava na Álvaro Mendes. Meu avô, Horácio, trabalhava com os ingleses da Parnaíba, embarcando mercadorias para o litoral. Já meu pai proibia a gente de nadar no rio. Ele dizia que era perigoso e de fato era, então toda vez que eu ia era escondido”. Tempos depois Durvalino já frequentava as Coroas com amigos. Naquela época este era um destino certo.

Em 1980, com o surgimento do ‘Voley Bar’ idealizado pelo professor de educação física Valter Morais, vulgo Nêgo Valter, que contou com a ajuda de Eduardo Pereira, o “Zecão”, e dos irmãos César e Dogno Içaiano, uma onda de esporte, música e alegria invadiu as Croas do Velho Monge. Além dos campeonatos de vôlei, acontecia também o Festival de Rock, entre os meses de junho e julho, que foi palco de várias bandas locais.

chdfh.jpg
Barco que fazia travessias no rio para o Voley Bar. (Foto: Reprodução/Acervo Alexander Galvão)

“Eu ia pra lá depois de jogar bola. Era um calorzão grande, então a gente ia dar um mergulho e tomar uma cerveja. Fui criado em Natal. Nos fins de semana eu sempre ia pra praia, mas como aqui é distante do mar eu sentia falta disso, mas o rio e todo aquele pessoal lá era semelhante a praia. Todo mundo que tava no jogo, lá no Dirceu, descia pro rio. Os caras levavam as namoradas e ficavam até o sol baixar. De vez em quando dou um pulo lá, mas não é como na época do Vôlei Bar”, relata Manoel Silva, caminhoneiro que mora em Teresina há 40 anos.

Ambos os entrevistados, ao final, confessaram que sentem falta e que não sabem ao certo em que momento a movimentação parou, e as razões disso. Hoje existem bares nas Coroas, que estão localizadas em frente ao Shopping da Cidade, na avenida Maranhão. O movimento não é nada comparado ao que acontecia décadas atrás.

Acredita-se que algumas mudanças na cidade podem ser a causa do afastamento dos banhistas do rio, como o surgimento de clubes como o Atlantic City, Eldorado, Iate Clube, entre outros. Além disso, a construção dos Shoppings da cidade, que se tornam uma outra opção de lazer para os teresinenses, somado aos resíduos poluentes de estabelecimentos comerciais e industriais que são depositados nas águas do Rio Parnaíba, podem ter afastado os banhistas.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado: Jornal – 2018.2, administrada pelo professor Cantídio Sousa Filho.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.