Mal de Alzheimer: A lembrança de uma vida ativa

Os idosos que apresentam o Mal de Alzheimer podem apresentar variados comportamentos, sendo primordial a atenção e o cuidado com estes pacientes

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A lembrança de um sorriso doença alguma apaga e dona Maria é prova disso. ( Foto: Victor Melo)

Repórteres: Edivan Alves, Morisjance de Sousa e Victor Melo

O telefone toca em seu trabalho e é da sua casa, parentes com a notícia de que o lapso de memória da sua mãe está mais frequente. A notícia recai sobre seus ombros como o planeta assegurado por Atlas na Mitologia Grega, seus olhos pesam e você percebe que a velhice não apenas chegou para quem você ama, mas trouxe cicatrizes constantes daqui para frente.

O Alzheimer traz novos desafios para os parentes nessa situação – sobretudo no que diz respeito aos filhos. Por se tratar de uma doença neurodegenerativa sem uma causa principal descoberta pela medicina e sem cura, o dia a dia da família ou de cuidadores de pacientes nesta situação se adapta para suprir as necessidades da pessoa com Alzheimer.

O gás de cozinha acionado, a porta aberta ou o sobrinho distante esquecido por não ter tamanha ligação em família, são situações consideradas leves dentro de um contexto de início da doença, uma vez que há estágios diferentes da doença e uma série de medicações que podem controlá-la. O desafio e a dor corrente muitas vezes perpassa o senso de realidade, e a pessoa que passou a vida a cuidar de você pergunta: “Quem é você?”, “Eu sou o filho que tu criastes!”. A lágrima rega a aflição constante e a inocência indagadora no rosto daquela criança envelhecida não te permite desanimar, apesar de todas as dificuldades.

Os idosos que apresentam o Mal de Alzheimer podem apresentar variados comportamentos, sendo primordial a atenção e o cuidado com estes pacientes. Altos níveis de estresse, desenvolvimento de depressão, acessos de raiva, além dos lapsos de memória e a atenção para lembranças antigas, intactas ao processo degenerativo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o número de casos Alzheimer entre os idosos vai dobrar até 2050. Na América Latina, a previsão afirma que o crescente envelhecimento da população pode fazer esse aumento ultrapassar os 500%.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que a doença degenerativa atinja atualmente cerca de 1,2 milhão de pessoas com mais de 65 anos no Brasil. Ou seja, muitas famílias têm casos de pessoas com a demência. Um assunto que irá se tornar cada vez mais relevante a título de disseminação de informação à sociedade e com discussões atemporais para os próximos anos.

Nesse sentido, o tratamento e acompanhamento por parte dos familiares contribuem para a boa relação do paciente e para conter os avanços da doença é imprescindível.  É angustiante saber que aquele que teve a paciência necessária para criar seus filhos, netos e outros familiares, não é contemplado com a mesma paciência e gratidão de quem tanto usufruiu da sua juventude e fase adulta.

Apesar destes casos contraditórios, há famílias que são exemplo no que diz respeito ao bom relacionamento e acompanhamento dos pacientes com Alzheimer, em lares onde a gratidão é Clausula Pétrea e a solidariedade é comum a todos os parentes, é desenvolvido estratégias para a vivência e qualidade de vida do familiar com o Mal. Desse modo, há ainda os cuidadores de idosos – sobretudo com os acometidos pelo Mal de Alzheimer – que desempenham um papel importante na divisão dos trabalhos com a família, permitindo que os familiares não abandonem seus empregos ou compromissos inadiáveis.

Maria do Socorro é um  exemplo desses profissionais. Ela cuida há quase três anos da idosa de 86 anos de idade que é acometida pela doença, Maria Vieira da Silva. Segundo ela, forma anos de muito trabalho, porém, a ligação entre elas é quase sanguínea pelo afeto que desenvolveram ao longo desses anos. “Já pedi pra sair algumas vezes por ser muito trabalhoso, mas sinto que cuidar dela é uma missão e sempre acabo voltando. Sinto falta”. Disse a cuidadora. A história entre ela e ‘dona Maria’ vai além do profissionalismo. Você entenderá o motivo.

De acordo com sua filha Socorro Vieira, a idosa tem perca de memória cotidianamente e dentre outros problemas derivados de enfermidades adquiridas ao longo da velhice. As vezes ela lembra, se esquece de outros e por aí vai. Por muitas vezes não quer tomar o remédio da diabetes, alegando que já teria tomado. Mas há algo aí que chama atenção.  Devido a convivência da cuidadora, nas folgas, seu marido ia muito em seu local de trabalho, onde fez um vínculo de mãe e filho com a idosa. Ao longo dos anos, eram risos e brincadeiras ao se encontrarem. Maria do Socorro relata que era impressionante a amizade entre os dias, uma coisa admirável.

No entanto, no período de setembro do ano passado seu marido viria a falecer de forma repentina. Uma situação angustiando para todos, mas segundo a cuidadora, estar com a ‘dona Maria’ a fazia estar mais perto dele. O motivo? apesar da doença, a portadora de Alzheimer nunca esquecera da velha amizade com seu marido, ao ponto de perguntar por pela sua presença no horário do almoço. “Ele já almoçou? cadê ele? ele viajou? porque até agora não voltou. Com olhos lacrimejando, Maria do Socorro respondia. “Sim dona Maria, ele está viajando”. Segundo a sua filha, é algo fora do comum, pois geralmente ela esquece os nomes das pessoas e só após lembrá-la que ela se recorda. “É impressionante como ela esquece de todo mundo, menos dele”, disse a filha. Maria Vieira atualmente passa por um período de instabilidade na saúde, mas sempre com um sorriso no rosto e muita simpatia. “Ela é quase uma neném, uma criança”, completa Socorro Vieira.

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Mal de Alzheimer: A lembrança de uma vida ativa. (Foto: Victor Melo/ Portal Luneta)

Importância da informação

De acordo com dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que a doença degenerativa atinja atualmente cerca de 1,2 milhão de pessoas com mais de 65 anos no Brasil. Ou seja, muitas famílias têm casos de pessoas com a demência, assim como na casa de Socorro Vieira.

A prevenção contra o alzheimer e suas medidas profiláticas serão pautas que irão se tornar cada vez mais relevante a título de disseminação de informação à sociedade e com discussões para os próximos anos.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Laboratório Avançado: Jornal – 2018.2, administrada pelo professor Cantídio Sousa Filho.

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